Apostila Dir Adm e Constit - Univ. Estacio
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estando contemplado no art. 5º, II (e XXXIX \u2013 pedra angular do 
Direito Penal). 
 
Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei; 
 
 Princípio da Reserva Legal - Mais do que isso, enquanto no direito privado prevalece 
o lícito jurídico, no direito público existe a necessidade de imperiosa previsão legal para 
agir. Existe maior rigor no que tange à aplicação do dispositivo constitucional, já que é 
imperativa a previsão legal (lei e demais espécies normativas) para que se possa agir. 
 
 Princípio da impessoalidade 
 
 É a isonomia aplicada ao Direito Administrativo. Exclusão de sentimentos de afeto ou 
desafeto do administrador público, de modo a não lhe permitir favorecer ou excluir 
protegidos ou inimigos. 
 Em caso de contratação por excepcional interesse público, ainda que não se faça 
necessário o concurso público, há que se ficar processo seletivo, de modo a evitar 
protecionismo e favorecimento. 
 
 Princípio da moralidade 
 
 Moral objetivada (Maurice Hariou). Além da legalidade, existe a necessidade de uma 
conduta ética. Além da legalidade, um conceito axiológico. A Moralidade Administrativa 
não se confunde com a moral individual e não admite \u201cachismos\u201d. 
 O Princípio da Moralidade impõe que não basta ao administrador o cumprimento estrito 
da legalidade, pois está igualmente adstrito aos princípios éticos, de razoabilidade e 
justiça. É portanto, requisito de validade de todo e qualquer ato administrativo.23 
 Cabe, destarte, o controle jurisdicional pelo Poder Judiciário, ainda que respeitada a 
estrita legalidade, de ato que transcenda os princípios da moralidade coletiva e do 
interesse público, ou seja, atos desprovidos de legitimidade. 
 
 Princípio da publicidade 
 O correto seria chamar princípio da transparência, pois o que se pretende, na verdade, 
é dar transparência aos atos administrativos e não apenas a publicidade formal, 
mesmo porque, esta é mera ficção. Ficção necessária, porém nada mais que isso. 
 
 
 
23 Ver MORAES, Alexandre de \u2013 Direito Constitucional \u2013 Ed. Atlas \u2013 p. 314. 
 
CURSO DE DIREITO 
DISCIPLINA: CONCURSO T.R.E./2005 
 
Universidade Estácio de Sá Marcelo Carneiro 
Campus Resende - Direito Professor 
 
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 A publicidade, via de regra, dá-se com a inserção em Diário Oficial ou por edital afixado 
em prédio da administração, desde que permita acesso do público em geral. Em 
essência, o ato administrativo somente se aperfeiçoa com a publicação, podendo haver 
exceção, em casos que se faça necessário o sigilo por questões de segurança. 
 A garantia processual constitucional da publicidade dos atos processuais prevista 
também no art. 93, IX, da CRFB, é outra inovação do constituinte de 1988. 
 
 Princípio da eficiência 
 
 Introduzido pela Emenda Constitucional 19/98 (Reforma Administrativa), não existia de 
forma explícita. A administração deve produzir resultados concretos e não apenas a 
burocratização da prestação de serviços. Mais, fazer o melhor ao menor custo possível, 
em consonância com o princípio da economicidade (art. 70, CR). 
 Alexandre de Moraes lembra que a EC 19/98 veio a consagrar, tanto a tendência do 
STF como a tendência moderna de legislações estrangeiras.24 O princípio visa, 
portanto, garantir maior qualidade ao serviço público visando resultados que 
beneficiem tanto à administração quanto à sociedade. 
 Na mesma linha de pensamento, a emérita professora Maria Sylvia Zanella di Pietro 
assevera que tal princípio \u201cimpõe ao agente público um modo de atuar que produza 
resultados favoráveis à consecução dos fins que cabem ao Estado alcançar.\u201d25 
 Celso Antônio Bandeira de Mello finaliza o assunto lembrando que o Princípio da 
eficiência \u201cé uma faceta de um princípio mais amplo já superiormente adotado, de há 
muito, no Direito Italiano: \u201co princípio da boa administração\u201d.\u201d26 
 
 Princípio da supremacia do interesse público sobre o particular 
 
 Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello \u201cO princípio da supremacia do interesse 
público sobre o interesse privado é princípio geral de Direito inerente a qualquer 
sociedade. É a própria razão de sua existência\u201d.27 
 Tal princípio reflete a mera constatação de que os interesses da coletividade, em regra, 
sempre deverão sobrepujar os interesses individuais, sob pena de o Estado não ser 
capaz de atingir uma de suas finalidades precípuas, ou seja, através do Direito, 
gerenciar o convívio social. 
 A supremacia do interesse público, atualmente, encontra-se bastante relativizada em 
razão do Estado de Direito e a Ponderação de Interesses que mitiga o Poder de 
Imperium.28 
 
 A Emenda 19/98 estabeleceu a chamada \u201cReforma Administrativa\u201d, conjuntamente à \u2013 
malfadada Reforma Previdenciária (EC 20/98) \u2013 e, além de introduzir o Princípio da 
Eficiência, implementou novas diretrizes para a administração pública. Posteriormente, 
alguns de seus preceitos foram alterados pela EC 41/03. 
 
 
 
 
24 MORAES, Alexandre de \u2013 Direito Constitucional \u2013 Ed. Atlas \u2013 p. 318. 
25 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo, Ed. Atlas \u2013 p. 73-74. 
26 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo, Ed. Malheiros \u2013 p. 112. 
27 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo, Ed. Malheiros \u2013 p. 87. 
28 Ver SARMENTO, Daniel - A Ponderação de Interesses na Constituição Federal \u2013 Ed. Lúmen Júris. 
 
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 I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que 
preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na 
forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
 Dentre as mudanças implementadas pela EC 19, está a permissão para o ingresso de 
estrangeiros no serviço público, ressalvadas as hipóteses previstas na própria Carta em 
relação aos cargos privativos de brasileiros natos e/ou naturalizados. 
 
 II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia 
em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e 
a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as 
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
 A exigência de concurso público para ingresso na administração pública é específica 
para cargos ou empregos, não abrangendo, por exemplo, as funções públicas de 
caráter temporário. 
 Tal conceito, no entanto, não é absoluto, pois a própria Constituição estabelece 
exceção, como é o caso típico dos cargos de confiança (de natureza provisória) ou até 
do chamado \u201cquinto constitucional\u201d que permite o acesso de advogados de \u201cnotório 
saber jurídico\u201d ao cargo (vitalício) de desembargador, sem que tenha se submetido a 
concurso público para a magistratura. 
 
 III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável 
uma vez, por igual período; 
 IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele 
aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado 
com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na 
carreira; 
 
 A redação, em que pese ser bastante clara, ainda gera discórdia, pois, tem-se que o 
prazo de dois anos é taxativo, quando, na verdade, esse é o limite máximo. Assim, 
pode a administração pública estabelecer prazo de validade