Apostila Dir Adm e Constit - Univ. Estacio
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DisciplinaDireito Administrativo I55.279 materiais1.003.830 seguidores
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as 
custas judiciais.22 
 
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que 
ficar preso além do tempo fixado na sentença; 
 
 Novamente, resta consagrada a responsabilidade objetiva do Estado. Uma vez 
caracterizada a hipótese de erro judiciário, cabe o pedido de indenização por parte do 
lesado. 
 
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: 
 a) o registro civil de nascimento; 
 b) a certidão de óbito; 
 
 O legislador constituinte buscou assegurar mais uma proteção aos hipossuficientes, 
garantindo-lhes a gratuidade na obtenção de registros de nascimento e óbito. 
 
LXXVII - são gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma 
da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. 
 § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm 
aplicação imediata. 
 § 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem 
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados 
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
 
 Além da gratuidade dos remédios constitucionais mencionados (onde não cabe 
pagamento de custas e emolumentos), a Charta tratou de proteger também 
gratuidade, os chamados atos necessários ao exercício da cidadania, tais como: 
emissão de cédula de identidade, título de eleitor, carteira de trabalho e afins. 
 
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável 
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
 
 Uma inovação da recém aprovada Emenda 45, que implementou a Reforma do 
Judiciário e introduziu a aberração denominada \u201cSúmula Vinculante\u201d em nosso Direito 
Positivo calcado no Direito Romano-Germânico (Civil Law); 
 Dessa forma, criou-se uma premissa em que garante ao cidadão a razoável duração do 
processo administrativo ou judicial. Na prática, nada acontecerá, salvo uma revisão 
drástica no Direito Processual Brasileiro que, por muito elástico, por si só, impede o 
cumprimento desse preceito constitucional. 
 
 Não se olvide que os §§ 1º e 2º tratam da inclusão imediata de todos os 
direitos do Art. 5º no Direito Positivo. Mas, na medida em que muitos 
carecem de complementação em lei (complementar ou ordinária) têm 
eficácia contida e, caso o legislador não as produza, pode o cidadão 
ingressar com Mandado de Injunção ou buscar pelos meios legais a Ação de 
Inconstitucionalidade por Omissão. 
 
 
22 Ver art. 134 \u2013 Defensoria Pública. 
 
CURSO DE DIREITO 
DISCIPLINA: CONCURSO T.R.E./2005 
 
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 Da Nacionalidade (arts. 12 e 13). 
 
 
 A questão da nacionalidade transcende o âmbito do Direito Constitucional para 
desaguar, sobretudo, no campo do Direito Internacional Privado. O art. 12 do diploma 
constitucional trabalha com duas hipóteses de aquisição da nacionalidade: Primária e 
Secundária. 
 No primeiro caso, trata-se dos brasileiros natos, ou seja, aqueles destacados no inciso 
I do art. 12. A aquisição secundária dá-se mediante ato de vontade, ou seja, a 
naturalização. 
 Outro ponto relevante em relação à aquisição originária, é o de que o Brasil adota 
concomitantemente o jus soli e o jus sanguini, de forma que serão brasileiros natos 
tanto aqueles nascidos no solo do País, quanto filhos de brasileiros nascidos no 
estrangeiro, nas condições especificadas nas alíneas \u201cb\u201d e \u201cc\u201d do inciso I, do 
mencionado art. 12. 
 Da adoção do critério misto, cria-se a possibilidade da existência de polipátridas, ou 
seja, cidadãos que possuem, por exemplo, dupla nacionalidade. De outro pólo, é 
mister ressaltar que o Direito Internacional Privado convive com a figura dos apátridas, 
isto é, pessoas que, por uma contingência não possuem pátria, caso típico dos 
palestinos que não são vinculados a nenhum País; iugoslavos que não requereram 
cidadania croata, bósnia, ou servo-montenegrina; ou mesmo filhos de uruguaios (jus 
soli) nascidos na Inglaterra (jus sanguini). 
 
 
Art. 12. São brasileiros: 
 I - natos: 
 a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais 
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; 
 b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que 
qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil; 
 c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde 
que sejam registrados em repartição brasileira competente, ou venham a residir na 
República Federativa do Brasil antes da maioridade e, alcançada esta, optem, em 
qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira; 
 c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que 
venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, 
pela nacionalidade brasileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional de 
Revisão nº 3, de 1994) 
 
 Aqui trabalhamos com a aquisição primária em toda a sua amplitude. São brasileiros 
natos aqueles nascidos em solo nacional (jus soli), salvo os filhos estrangeiros que 
estejam a serviço de seu País; ou, filhos de brasileiros nascidos no exterior, sendo que, 
se os pais estiverem a serviço do País, a nacionalização é automática. 
 No caso dos nascidos no estrangeiro (de pai ou mão brasileiros), não estando os pais a 
serviço do País, desde que venham a residir no Brasil, poderão requerer a 
nacionalidade brasileira. 
 
 
 
 II - naturalizados: 
 
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 a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos 
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano 
ininterrupto e idoneidade moral; 
 b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República 
Federativa do Brasil há mais de trinta anos ininterruptos e sem condenação penal, 
desde que requeiram a nacionalidade brasileira. 
 b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República 
Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação 
penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 
 
 A naturalização se dá pela chamada aquisição secundária e traz privilégios aos 
estrangeiros oriundos de países de língua portuguesa. Note-se que a CR traz a norma 
geral, cabendo à legislação ordinária dispor sobre os demais requisitos legais. 
 No caso da alínea \u201cb\u201d, com a nova redação inserida pela EC 03/94 permite a 
naturalização de estrangeiros que não tenham cometido crime e que residam no País 
há, pelo menos, quinze anos. 
 
§ 1º - Aos portugueses com residência permanente no País, se houver 
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao 
brasileiro nato, salvo os casos previstos nesta Constituição. 
 § 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver 
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao 
brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 
 
 No caso dos portugueses, a Charta estabeleceu exceção, de modo que não existe 
necessidade de naturalização, para que tenham os mesmos direitos que os brasileiros, 
salvo as vedações estabelecidas pela