Atuação do Estado  Atos Administrativos
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Atuação do Estado Atos Administrativos


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aos servidores públicos: teto remuneratório
A Emenda 19 derrogou as disposições, permanentes e transitórias, da CF/88 e entendeu de estabelecer novo teto para a remuneração dos servidores públicos.
Articulando-se o disposto no inciso XI com a ressalva do §9º deste mesmo art. 37, sujeita-se ao teto, em todos os Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, qualquer que seja o regime jurídico adotado antes ou depois da Emenda 19, a remuneração dos:
(a) agentes públicos (servidores ocupantes de cargos, empregos e funções na Administração direta, autárquica e fundacional;
(b) empregados de empresas públicas e sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, se as respectivas entidades receberem recursos, de qualquer dos entes federativos, para o pagamento de despesas com pessoal ou custeio em geral;
(c)	agentes políticos e seus auxiliares imediatos (membros de Poder, Ministros, Secretários Estaduais e Municipais, qualquer que seja o modo de investidura \u2014 concurso público, nomeação direta ou eleição.
Exclui-se do teto apenas a remuneração dos empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que não recebam do erário recursos para o pagamento de despesas com pessoal ou custeio em geral.
A remuneração será mediante vencimentos (servidores estatutários), salário (servidores contratados) e subsídio (agentes políticos e assemelhados). Qualquer que seja a forma da remuneração, será fâmula do teto. Aos vencimentos e salários será possível agregarem-se outras parcelas remuneratórias (gratificações, adicionais, prêmios etc.); importa que a soma não ultrapasse o teto, independentemente de figurarem entre essas parcelas as chamadas vantagens pessoais. O subsídio não comporta outras parcelas remuneratórias, quaisquer que sejam,
A CR 37, XI objetiva estabelecer um teto geral e absoluto para todo e qualquer servidor e agente público, em relação a toda e qualquer espécie remuneratória, tanto na atividade quanto na inatividade e para os pensionistas.
Não são abrangidas por esse teto as ajudas de custo, diárias de viagens e similares de caráter meramente indenizatório, não importando a nomenclatura adota\u200bda, desde que não constituam forma disfarçada de remuneração. Não se trata de exceção ao teto, porque este é de remuneração; trata-se de distinguir o que não é remuneração. Com efeito, a Administração haverá de separar, para o fim de observar o teto, verba remuneratória de verba indenizatória. Esta visa a reembolsar o servidor de despesas que tenha de realizar para executar deter\u200bminada tarefa no interesse do serviço, de que é exemplo perfeito e notório a diária, valor deferido ao servidor para custear sobretudo despesas com alimentação e hospedagem, em viagem a serviço.
Ressalte-se que, com a nova redação da CR 37, XI, ficou difícil e confuso conciliá-lo com o inciso XII, não contemplado na EC 19/98. Este último fixa teto remuneratório para o Executivo, devendo os demais Poderes observá-lo; aquele indica o subsídio dos Ministros do STF (Poder Judiciário) como a remuneração máxima a ser percebida por todos os agentes. Significa que esta não poderá ser excedida por nenhuma outra, mas também nada impede que seja inferior. O teto, então, não seria do Executivo, mas do Judiciário. Carvalhinho entende que, diante do atual inciso Xl, ficou sem aplicabilidade o inciso XII.
Princípios constitucionais aplicáveis aos servidores públicos: irredutibilidade 
A irredutibilidade, antes da EC 19, não alcançava parcelas não incorporadas aos vencimentos, mas que se incluíam no conceito mais amplo de remuneração. De vez que esta passou a cor\u200bresponder à contraprestação pecuniária do desempenho dos servi\u200bdores públicos em geral, mas não se confunde com o subsídio, que é a remuneração dos agentes políticos e assemelhados (CR 39, §4º, 135 e 144, §9º). Ressalve-se que também os subsídios são irredutíveis, e que continuam existindo parcelas remuneratórias que não se incorporam aos direitos protegidos pela irredutibilidade, quando se tratar de vencimentos ou salários.
Daí a redação do inciso XV se haver socorrido do termo \u201cvencimentos\u201d. Continuam suprimíveis pela Administração, sem ofensa ao princípio da irredutibilidade, as parcelas remuneratórias atribuídas em razão de circunstâncias temporária ou especiais (as vantagens de carreira, por oposição às vantagens pessoais), que não se incorporam aos vencimentos.
O limite objetivo da irredutibilidade é o teto a que se refere a CR 37, XI, XIV, 39, § 4º e demais citados no inciso XV do art.37
Quanto aos destinatários da irredutibilidade, com a EC 19, esta foi aos servidores públicos em geral, sejam eles sujeitos ao regime estatutário (cargos públicos), sejam regidos pela legislação trabalhista (emprego público).
Princípios constitucionais aplicáveis aos servidores públicos: isonomia de vencimento
Era previsto na CR 39, §1º e estabelecia que fariam jus à igualdade de vencimentos os servi\u200bdores da administração direta que ocupassem cargos de atribuições iguais ou cargos assemelhados de um mesmo Poder ou entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ressalvando apenas as vantagens de caráter individual e as concernentes à natureza ou ao local de trabalho.
A intenção do Constituinte foi a de evitar as disparidades remuneratórias entre cargos idênticos, situados em estruturas funcionais diversas.
Tal isonomia jamais foi devidamente implantada, confluindo para isso os interesses corporativos dos diversos quadros funcionais. Por isso foi extinto pela EC 19/98. Em lugar da isonomia, passou a dispor a CR 39, § 1º, que a fixação dos padrões de vencimento e das demais parcelas integrantes da remuneração devem observar a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira, bem como os requisitos para a investidura e as peculiaridades próprias dos cargos e das funções. 
Há fundadas razões para descrença na nova orientação. 
- Regime jurídico 
É o conjunto de regras de direito que regulam determinada relação jurídica. 
- Regime estatutário: conjunto de regras que regulam a relação jurídica funcional entre o servidor público estatutário e o Estado. 
Caracteriza-se:
* Pluralidade normativa - os estatutos funcionais são múltiplos - federal, estaduais, distrital e municipais.
* Natureza da relação jurídica estatutária \u2013 não é contratual, tratando-se de relação própria do direito público. A conjugação de vontades que conduz à execução da função pública leva em conta fatores tipicamente de direito público, como o provimento do cargo, a nomeação, a posse e outros do gênero. Por esta razão, é insuscetível de gerar direito à inalterabilidade da situação funcional.
O regime estatutário não pode incluir normas que denunciem a existência de negócio contratual.
CR 61, §1º, II, c - constitui competência privativa do Chefe do Executivo a iniciativa de leis que disponham sobre o regime jurídico dos servidores públicos, inclusive provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria. 
- Regime trabalhista: constituído das normas que regulam a relação jurídica entre o Estado e seu servidor trabalhista. Encontra-se CLT. É claro que, sendo empregador o Estado, incidem algumas normas de direito público na relação trabalhista. Tais normas, porém, não podem desfigurar o regime básico da CLT, que é o que deve ser observado e tem natureza contratual.
Caracteriza-se:
* Princípio da unicidade normativa \u2013 pois o conjunto integral das normas reguladoras se encontra em um único diploma legal.
* Natureza da relação jurídica \u2013 é natureza contratual. O Estado e seu servidor trabalhista celebram efetivamente contrato de trabalho.
# Regime de Emprego Público - é a aplicação do regime trabalhista comum à relação entre a Administração e o servidor.
É previsto na Lei 9.962/00, que é lei federal e, portanto, incide apenas no âmbito da Administração federal direta, autárquica e fundacional, estando excluídas as empresas públicas e as sociedades de economia mista.
Será regido pela CLT e pela legislação