[RESUMO] LIVRO_ Como Eles Agiam
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assessorada por 8 agências regionais, espalhadas pelo país, e alguns núcleos 
instalados por cidades estrategicamente escolhidas. Semanalmente, eram fornecidas Resenhas 
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com informações sobre temas variados, como: política, economia, subversão e atividades 
psicosociais. Ainda recebiam essas resenhas, o secretário do presidente, os chefes dos 
Gabinetes Militar e Civil, as agências regionais e os centros de informação militares. 
No ambiente civil, as autarquias, fundações e empresas estatais, ligadas aos 
ministérios, tinham uma Assessoria de Segurança de Informações (ASI) ou Assessoria 
Especial de Segurança e Informação (AESI), vinculadas à Divisão de Segurança e 
Informações (DSI), órgão central de informações dos ministérios. 
O monopólio das informações fez com que a influência das DSI aumentasse, 
começando a ameaçar a autoridade dos ministros civis. Apenas os Ministérios da Justiça, das 
Relações Exteriores e do Interior possuíam outros órgãos de informação. A princípio, o 
organograma das DSI, que contava apenas com uma diretoria, um assessor especial e as 
seções de informação, segurança e administração, foi se tornando maior e mais complexo. A 
ocupação de seus cargos constituía-se em um problema, tanto por causa do rigor da seleção, 
que incluía o sigilo e a disciplina, na lista de suas exigências, quanto pela má impressão que 
se tinha desse órgão perante a sociedade. 
Com os quadros de pessoal independente da SNI e necessitando de uma vultosa 
estrutura logística, os DSI apresentavam gastos substanciais. Os excessos financeiros levaram 
o presidente do Tribunal de Contas da União e o Ministro-Chefe do Gabinete Civil a tentar 
pressionar os ministros para que os controlassem. 
Nos ministérios militares, diferentemente das DSI, existiam os Sistemas Setoriais de 
Informação dos Ministérios Militares. Compostos pelos sistemas de informação específicos 
do Exército, Marinha e Aeronáutica produziam informações administrativas e relativas às 
operações militares. Essas últimas ficavam a cargo do Subsistema de Informações 
Estratégicas Militares (SUSIEM). 
Entre os militares, destacavam-se as siglas do Centro de Informações do Exército, 
CIE, o maior e mais forte destes, do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, 
CISA, e a do Centro de Informações da Marinha, CENIMAR. Esses órgãos de informação 
militares, devido ao regime militar do governo, julgavam-se superior aos civis, quebrando a 
hierarquia existente entre eles. Diferentemente das DSI civis, passaram de órgãos de 
informação a executores, chegando a realizar prisões, interrogatórios e torturas, coordenados 
pelo Centro de Operações de Defesa Interna (CODI). 
Há época, várias assessorias de informação militares foram espalhadas na 
administração pública, nas estatais, nas fundações e autarquias, incluindo as universidades. Os 
cargos de chefia dessas assessorias eram reservados aos oficiais militares. Toda essa estrutura 
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auxiliava a imprimir em seus participantes um forte sentimento de lealdade e colaboração a 
favor da Segurança nacional, que ficavam conhecidos como integrantes da Comunidade de 
Informação. Ao conjunto de colaboradores não pertencentes aos quadros governamentais 
dava-se o nome de Comunidade Complementar de Informações. 
Para que o informe colhido, sob o formato de dados, notícias e esclarecimentos, se 
transformasse em informação, era preciso que este fosse julgado relevante, pela lógica do 
sistema de informações. A fidedignidade dessas informações variavam de A ao F e sua 
veracidade de nível 1 a 6, ambos em ordem crescente. O assunto podia ser externo, fora do 
país, ou interno, dentro deste. Os critérios para organizar as informações eram: geográficos, 
temporais, o alcance da ação investigada e o campo da ação governamental com a qual se 
relacionava. 
A produção das informações deveria seguir princípios como: objetividade, 
simplicidade, oportunidade, segurança, imparcialidade, entre outros. Mas, essas diretrizes, via 
de regra, esbarravam no ufanismo cego dos militares que insistiam em desprezá-las. 
Entretanto, alguns documentos produzidos ainda seguiam um formato pré-definido, como: 
Levantamento de Dados Biográficos, Ficha Conceitual, Prontuários e Juízo Sintético. Todas 
as informações eram processadas e armazenadas sob a égide do sigilo, classificadas como 
confidenciais, mantendo os órgãos de informação autoconvencidos de sua doutrina e 
retroalimentados. 
Em nome do combate ao comunismo, corrupção e subversão, o SISNI não poupava 
ninguém em suas investigações, espionando todos sob sistemática desconfiança, produzindo 
culpados através dos excessos cometidos nesse processo. Nessa dinâmica, na maioria das 
vezes, cabia aos militares subalternos o trabalho de sujar as mãos com as arbitrariedades das 
ações repressivas. 
Um simples indício era suficiente para produzir um futuro suspeito, incriminado 
como subversivo. Até mesmo a vida sexual, ou a suposta insanidade mental, serviam para 
desqualificar os inimigos do governo. Como forma de perpetuar a pressão exercida pelas 
comunidades de informação, os inquéritos se estendiam indefinidamente e novos inquéritos 
eram abertos, dia-a-dia. 
Todas as ações eram voltadas a reputar aos tidos como subversivos a culpa por toda 
violência e arbitrariedades que se assistia no país, sendo os militares postos como vítimas das 
circunstâncias. Toda a estrutura dos órgãos governamentais de informação buscava disfarçar 
seu envolvimento com o sistema repressivo da Ditadura Militar. Apesar disso, era notório o 
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fornecimento de informações distorcidas, que culminavam em julgamento e punições injustas 
e arbitrárias. 
Mas, para que o sistema repressivo obtivesse ainda mais sucesso era preciso melhor 
preparar as Secretarias de Segurança Públicas estaduais e a própria Polícia Federal, visto que 
a função do SNI era lidar com a informação e não ser executor. Isso deveria por fim às 
discordâncias entre os setores de informações, que executavam prisões e inquéritos 
arbitrários, e o setor de segurança, que sonegava informações, sobre suas ações, a estes 
primeiros. 
Insatisfeitos com o saldo dos inquéritos, alegando morosidade e limitações da 
Justiça, os militares radicais criaram um foro especial para julgar crimes políticos e 
suspenderam algumas garantias individuais, como os habeas corpus. Nesse momento surge o 
Sistema de Segurança Interna no País (SISSEGIN). 
Os ataques à democracia que vinham sendo realizados pelo governo, através dos 
instrumentos jurídicos como os Atos Institucionais, não foram considerados suficientes para 
os militares, que clamavam por um sistema de segurança nacional. Esse sistema teria a 
finalidade de constituir uma sociedade estática e livre da influência de ideologias tidas como 
perniciosas para a ordem social. O meio para conseguir tal intento seria o emprego da força 
dos policiais e dos militares, de forma rápida e sem reconhecer limites. 
Após a instituição do AI-5, marco decisório para efetivar o sistema de segurança, 
surge a Comissão geral de Inquérito policial Militar, responsável pela apuração de crimes 
contra segurança nacional ou a ordem política e social. Cria-se o novo Código de Processo 
Penal Militar e as Polícias Militares passaram a serem classificadas como força auxiliar do 
Exército. Tanto os comandos estaduais das Polícias Militares, quanto das Secretarias de 
Segurança Pública passaram a ser delegados a oficiais do Exército. 
Em julho de 1969, foi lançado, subordinado ao II Exército, a Operação Bandeirantes 
(OBAN), que não foi prevista nem legalizada por nenhuma norma jurídica da época. Seu 
objetivo era combater, mais eficientemente, a subversão terrorista em São Paulo e Mato 
Grosso. Para os idealizadores dessa operação, as Secretarias de Segurança não estavam 
suficientemente preparadas para essa tarefa, sendo preciso, para tanto, o trabalho coordenado 
de vários órgãos. 
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