[RESUMO] LIVRO_ Como Eles Agiam
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OBAN, além de trabalhar como órgão de informação, analisava a cena nacional, 
efetuava interrogatória e combatia, diretamente, a subversão. Tal modelo de atuação inspirou 
o surgimento do CODI-DOI. Devido ao sucesso da sistemática adotada pela OBAN na ação 
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repressiva, seu formato foi institucionalizado, em 1970, pela expedição da Diretriz 
Presidencial de Segurança Interna. 
Assim, estava constituído o SISSEGIN, sob bases confidenciais, emanadas do 
Conselho de Segurança Nacional, aprovada pelo presidente da República. Não surgiu, 
portanto, através de lei e regulamentos como os demais órgãos da Ditadura Militar. Seguem-
se, a partir desse momento, o surgimento de inúmeros decretos-secretos, que foram expedidos 
da forma que mais aprouvesse os mandatários da nação. 
Para que fosse implantado o SISSEGIN, os governadores e Secretário de Segurança 
estaduais foram devidamente instruídos, por meio de reuniões. Quanto aos comandos 
militares, criaram órgãos como: o Conselho de Defesa Interna (CONDI), o Destacamento de 
Operações de Informação (DOI) e o Centro de operação de Defesa Interna (CODI). 
O Brasil foi dividido em seis Zonas de Defesa Interna (ZDI), cada uma apresentando 
um CODI, um DOI e Um CONDI. As regiões que necessitavam de maior atenção do governo 
podiam contar com a criação de Áreas de Defesa Interna (ADI) ou Sub-Áreas de Defesa 
Interna (SADI). 
A implantação do CODI-DOI foi decisiva para a que os oficiais-generais, finalmente 
instituíssem o SISSEGIN, passando o Brasil a conhecer dias sombrios da atuação de uma 
polícia política extremamente violenta acobertada por uma Justiça corrupta. 
Os CONDI auxiliavam os comandantes das ZDI a coordenar as ações e a cooperação 
entre civis e militares, mas não apresentou um relevante funcionamento. Aos CODI cabia o 
planejamento, controle e execução de medidas de defesa interna, inspirado nos moldes da 
OBAN. 
Os DOI eram responsáveis pela função denominada de doutrinadores da segurança 
nacional, responsáveis por toda sorte de brutalidades policiais, forjando para os militares a 
herança de uma imagem pautada pela corrupção e violência desmedidas. Os DOI eram 
flexíveis, modificando-se conforme a necessidade de adaptarem seus materiais e pessoal ao 
combate contra os novos desenhos das guerrilhas urbanas. 
A estrutura desses órgãos contava com setores especializados em: operações 
externas, informações, contra informações, interrogatórios, análises, assessoria jurídica e 
policial e setores administrativos. A escala de serviço variava entre expedientes entre as 8 da 
manhã às 18 horas, ou plantões de 24 por 48 horas. 
Geralmente os comandantes dos DOI eram tenentes-coronéis, cujo perfil deveria 
abranger, entre outras características: discrição, familiaridade com informações, estar sempre 
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atento, conhecer os risco de sua função e ter experiência no trabalho envolvendo o campo 
psicossocial. 
Os componentes da Seção de Busca e Apreensão eram os que tinham contato com a 
população, responsáveis pelo trabalho externo, como: desarticular aparelhos, conduzir presos, 
apreender materiais e coletar dados. Os integrantes da Seção de Investigação trabalhavam em 
profundo sigilo, por vezes contando com o auxílio da Polícia feminina da PM e investigadores 
da secretária de Segurança Pública, contando com viaturas bem equipada para o serviço. 
Embora o efetivo que se tenha notícia informe um quantitativo de 250 pessoas, entre 
policiais civis e militares, membros do Exército, Marinha e Aeronáutica e Polícia Federal, 
estima-se o envolvimento com a repressão de dez vezes mais pessoas. Os militares eram 
gratificados, monetariamente, enquanto os civis recebiam promoções por serviços prestados. 
As informações obtidas e os depoimentos colhidos, sobre as ações subversivas, eram 
analisados e arquivados pelas Subseções de Análise e a função de Polícia Judiciária ficava a 
cargo da Assessoria Jurídica e Policial. 
Todos os integrantes das operações de informações obedeciam a uma rígida doutrina 
de segurança, trabalhavam obrigatoriamente sob codinomes, com vestimentas e cortes de 
cabelos civis, tendo suas vidas esquadrinhadas e observadas constantemente. O alto nível de 
stress verificado entre eles, devido a natureza das operações, era um forte causador de 
traumas, culminando em rodízio de funcionários e substituições. Havia também as 
divergências entre as Forças Armadas e os policiais militares e civis, aos quais rejeitavam, 
considerando-os incompetentes, incapazes, corruptos, desonestos e preguiçosos. Até mesmo 
os que eram formados na Escola Nacional de Informações não eram bem visto, pois esta fora 
criada para formar profissionais do SISNI e não, especificamente do SISSEGIN. 
Inicialmente, as operações do SISSEGIN eram voltadas aos militares considerados 
de esquerda, expostos, ordinariamente, às torturas físicas e psicológicas para entregar seus 
companheiros. Essas práticas eram negadas, peremptoriamente, negadas frente a denúncias de 
organismos internacionais como, Anistia Internacional ou Organização dos Estados 
Americanos (OEA). 
Houve, em 1970, a preparação de um dossiê, de onze volumes, que reiterava a 
negativa das prisões e processos por motivações políticas, além de afirmar que os esporádicos 
casos de tortura eram punidos exemplarmente. A suposta difamação dos agentes de 
informações era combatida, também, através da publicação das listas de agentes 
governamentais, mortos e feridos em nome da paz social. 
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 Com o passar do tempo, derrotada a luta armada, os comandantes dos ZDI passaram 
a focar seus esforços em ações mais qualificadas e limitadas, entre o período de 1970 a 1974, 
que tendiam para o cunho psicológico, com a utilização de agentes infiltrados entre os ditos 
subversivos, extensa propaganda a favor do governo e interrogatórios incluindo ameaças aos 
familiares e ao emprego dos presos. 
Tido como uma criação nacional e obtendo destaque em outros países como eficiente 
no combate a atividade subversiva o SISSEGIN foi copiado, com as devidas adaptações pelo 
Chile e Uruguai. 
Com o declínio da luta armada, a maior preocupação do SISSEGIN foi erigir 
ameaças contundentes à segurança nacional que justificassem a continuação da sua existência. 
Resistentes ao controle das esferas legais do Estado, respondendo apenas aos altos escalões do 
Poder Executivo, esse órgão possuía uma estrutura autonomista de operações, obtendo e 
circulando informações. O terror, que as agências governamentais de segurança e informação 
espalhavam pelo país, cumpria o propósito de ceder aos generais-presidentes o perfeito 
controle no mando da nação, fazendo com que estes últimos ficassem reféns dos primeiros. 
Desta forma, o amortecimento da repressão foi sufocado, durante bastante tempo, evitando o 
desmonte do SISSEGIN, mesmo depois do início da abertura política. 
para justificarem a necessidade da colocação de um militar, especificamente do 
Exército no poder, os linha dura utilizavam-se na justificativa de um discurso moralizador. 
Portanto, os civis não seriam capazes de lidar com o combate a corrupção trazida pelo 
subversivos comunistas, sendo eles um exemplo vivo de incapacidade e corrupção, dados ao 
improviso e à atitude sedentária. 
Visando caracterizar, punir e exterminar a corrupção, tida como mais nociva que a 
subversão, os militares criaram a Comissão Geral de Investigação (CGI), já nos primeiros 
momentos da Revolução. Com a edição do AI-5, houve a criação do Sistema CGI. Este 
sistema ficaria responsável por investigações de funcionários, que poderiam levar ao confisco 
de bens daquele cuja riqueza tivesse sido obtida por meios considerados corruptos. Essa 
função provocava animosidades entre os funcionários investigados e os investigadores, que 
sofriam represália e perseguições no exercício de suas funções. 
Os confiscos eram feitos como sob a justificativa de ressarcir ao Estado o que lhe