[TESE] ANDREA_CONCEICAO_PIRES_FRANCA
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vez o 
investigador integrante do Esquadrão da Morte: \u201cNós matamos, sim, 
mas matamos com critério\u201d.88 
 Os presos então libertados para soltura do embaixador foram no dia 9 de 
setembro exilados ao México e banidos do território nacional. 
 
88 _______ \u201cPena de Morte Brasileira\u201d, in Veja, Editora Abril,no 13, 04 de dezembro de 1968, 
pp.14-16. 
89 
 
 Editado no dia 9 de setembro de 1969, o AI-15 fixou nova data para eleições 
nos municípios \u2013 dia 15 de novembro de 1970 \u2013 adiando as datas anteriormente 
estabelecidas por Costa e Silva. 
 O AI-16 declarou vagos os cargos de presidente e vice-presidente da 
República, destituindo do cargo Pedro Aleixo. Esta sendo a peculiaridade deste ato, 
uma vez que apenas confirmou o já estabelecido pelo AI-12. Não permitir que um 
civil retomasse o poder era com certeza a prioridade máxima do \u201cComando Supremo 
da Revolução\u201d. Assim, o AI-16 determinava que até as eleições ficasse suspensa a 
vigência do artigo 80 da Constituição Federal de 1967. Este ato foi decretado dia 14 
de outubro de 1969, e marcava para o dia 25 de novembro a eleição presidencial 
pelo Congresso, em sessão pública e por votação nominal. 
 O Ato também fixava o término do mandato do presidente eleito para 15 de 
março de 1974, e prorrogava os mandatos das mesas da Câmara e do Senado até 
31 de março de 1970. 
 O AI-17, editado no mesmo dia que o ato anterior, foi uma resposta no sentido 
de acalmar os ânimos de militares \u201clinha dura\u201d que se mostraram insatisfeitos com a 
indicação do nome do general Médici para a presidência. Este ato autorizava a Junta 
Militar a transferir para a reserva \u201cos militares que hajam atentado, ou venham a 
atentar, comprovadamente, contra a coesão das Forças Armadas, divorciando-se, 
por motivos de caráter conjuntural ou objetivos políticos de ordem pessoal ou de 
grupo, dos princípios basilares e das finalidades precípuas de sua destinação 
constitucional\u201d. Reflexo claro da situação no interior da caserna: os rachas e as 
tensões estavam ameaçando implodir a unidade em torno do governo. 
 Nesse meio tempo, editados em 15 de outubro de 1969, o Ato Complementar 
nº72 e Ato Complementar nº73 apresentaram-se de extrema relevância. O primeiro 
suspendeu o recesso do Congresso Nacional, que havia sido determinado pelo Ato 
Complementar nº38. O segundo convocou o Congresso para a eleição do 
Presidente e Vice-Presidente da República, tendo os parlamentares que comparecer 
ao plenário no dia 22 de outubro. 
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 Mesmo já em estágio tão avançado de ditadura, havia uma tentativa 
constante de manter elementos que dessem ao regime uma legitimação democrática. 
Um deles é a convocação do Congresso para eleição do Presidente da República. 
Temos, no entanto que ter em mente que nesse momento a oposição era voto 
perdido: só o MDB tinha mais de 40% de seus membros com mandato cassado. 
 É perceptível até agora a movimentação para elaboração e outorga de leis e 
atos a fim de reafirmar a Segurança Nacional (principalmente quando a esquerda 
mostrava-se muito ativa) e em momentos de eleição, a fim de segurar os postos de 
poder. Sempre pensando em manter a legislação constitucional paralelo à 
legislação institucional com o intuito de sustentar a organização teoricamente 
representativa, que mantêm a fachada democrática. A Emenda Constitucional no1 de 
1969 não fugiria a regra. 
 Esta foi promulgada pela Junta Militar no dia 17 de outubro, no entanto, esta 
já vinha sendo discutida desde o mês de fevereiro. 
 Para tentar entender as movimentações que levaram a esta emenda é preciso 
identificar o conflito que se travou logo após o Congresso ter sido colocado em 
recesso com o AC-38. Enquanto o MDB discutia nos bastidores o significado de sua 
existência, a Arena hesitava até em reunir-se, uma vez que não havia recebido carta 
branca do governo. A discussão central, ou melhor, o temor que pairava nos 
bastidores era referente ao período prolongado de hibernação a que as atividades 
políticas tinham sido colocadas, o que poderia levar ao fechamento permanente do 
Congresso. 
 Paralelo as discussões travadas entre aqueles que diziam defender o estado 
de direito e aqueles que defendiam o direito da revolução, configuraram-se os 
primeiros trabalhos referentes à reforma constitucional. Nesse sentido, amenizou-se 
a tensão uma vez que havia a promessa de que o Congresso seria reaberto para a 
realização da reforma. 
 De início, a reforma era de responsabilidade do ministro da justiça, Gama e 
Silva, que era contra a reabertura do Congresso. Sua inércia fez Costa e Silva 
passar a responsabilidade para Pedro Aleixo (vice-presidente da República). A maior 
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responsabilidade de Pedro Aleixo era a de conciliar as duas grandes tendências 
políticas: a linha dura e os castelistas.89. 
 Definida em maio, a Comissão de Alto Nível, responsável pela edição da 
emenda, era composta por Pedro Aleixo e Rondon Pacheco, representando o 
retorno ao ordenamento democrático, Gama e Silva e Carlos Medeiros, 
representando a expansão do período de exceção, e Themístocles Brandão 
Cavalcanti, representando o ponto de vista do STF, aparentemente neutro. 
 Nesse grupo era evidente o conflito que se trava entre os que defendiam um 
projeto mais liberal (personificado em Pedro Aleixo) e os que defendiam um projeto 
mais autoritário (personificado em Gama e Silva). No entanto, o único que detinha o 
poder de voto era Costa e Silva. 
 O que se deve evidenciar é que o projeto de Pedro Aleixo perdeu, uma vez 
que as determinações do AI-5 foram mantidas e a normalidade democrática mais 
uma vez foi adiada. Quando a Junta Militar assumiu, o trabalho que havia sido 
completado no dia 29 de agosto sofreu quase quarenta alterações, feitas por Leitão 
Abreu durante o mês de setembro. No entanto as mais relevantes são com relação à 
manutenção do AI-5 e dos atos que o seguiram por prazo indeterminado. O primeiro 
já havia sido designado no texto da Comissão, mas a manutenção dos demais só 
revelou a intencionalidade de manter os instrumentos de autoritarismo usado pelo 
regime. 
 As penas de morte, prisão perpétua e banimento seriam aplicáveis pelo texto 
da Comissão apenas em casos de guerra externa, o que foi modificado pela Junta 
para casos de guerra \u201cpsicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva\u201d. 
 Uma última observação deixa transparecer a ironia das ações políticas: o 
autor da promulgação no texto da Comissão é o presidente da República. No texto 
 
89 \u201cSozinho, há várias semanas buscava fórmula de conciliar as duas grandes paralelas de sua 
ação na Chefia do Governo: a redemocratização, na necessidade de abandonar o regime 
discricionário, e a não menos urgente premência de manter dinâmicos os princípios do 
movimento de março de 1964\u201d. Referência de Carlos Chagas ao presidente Costa e Silva. 
CHAGAS, Carlos. 113 dias de angústia: impedimento e morte de um presidente. Porto Alegre: 
L&PM, 1979, p.27. 
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da Junta, a Emenda Constitucional no1 de 1969 é promulgada pelos ministros das 
Forças Armadas, no seu exercício de poder conferidos pelo AI-16. O problema é que 
o art. 1o da Emenda determina as alterações na Constituição de 1967, iniciadas pela 
expressão \u201co Congresso Nacional, invocando a proteção de Deus, decreta e 
promulga a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil\u201d. 
 Nessa data, o Congresso ainda não estava funcionando, uma vez que só 
voltaria no dia 22. 
 Essa Emenda ficou conhecida como a \u201cConstituição de 1969\u201d, uma vez que 
as alterações que promoveu na Constituição de 1967 tiraram todo o caráter 
moderador desta, acolhendo os atos institucionais e ampliando os poderes 
presidenciais, inclusive permitindo a continuação de um regime ainda mais ditatorial. 
 Com essa emenda de 1969 podemos dizer que se fechou um ciclo de 
reorganização da ordem legislativa nacional.