[TESE] ANDREA_CONCEICAO_PIRES_FRANCA
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o art. 1º, ou que tenham 
sofrido punições disciplinares ou incorrido em faltas ao serviço 
naquele período, desde que não excedentes de 30 (trinta) dias, bem 
como os estudantes. 
Art. 10 - Aos servidores civis e militares reaproveitados, nos termos 
do art. 2º, será contado o tempo de afastamento do serviço ativo, 
respeitado o disposto no art.11. 
Art. 11 - Esta Lei, além dos direitos nela expressos, não gera 
quaisquer outros, inclusive aqueles relativos a vencimentos, soldos, 
salários, proventos, restituições, atrasados, indenizações, promoções 
ou ressarcimentos. 
Art. 12 - Os anistiados que se inscreveram em partido político 
legalmente constituído poderão votar e ser votados nas convenções 
partidárias a se realizarem no prazo de 1 (um) ano a partir da vigência 
desta Lei. 
Art. 13 - O Poder Executivo, dentro de 30 (trinta) dias, baixará decreto 
regulamentando esta Lei. 
Art. 14 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. 
Art. 15 - Revogam-se as disposições em contrário. 
Brasília, em 28 de agosto de 1979; 158º da Independência e 91º da 
República. 
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JOÃO FIGUEIREDO ,Petrônio Portella, Maximiano Fonseca,
 Walter Pires, R. S. Guerreiro, Karlos Rischbieter, Eliseu Resende, 
Ângelo Amaury Stabile, E. Portella, Murillo Macedo, Délio Jardim de 
Mattos, Mário Augusto de Castro Lima, João Camilo Penna, Cesar 
Cals Filho, Mário David Andreazza, H. C. Mattos, Jair Soares, Danilo 
Venturini, Golbery do Couto e Silva, Octávio Aguiar de Medeiros, 
Samuel Augusto Alves Corrêa, Delfim Netto, Said Farhat,Hélio 
Beltrão\u201d91 
 É uma lei que visava apagar da memória coletiva os confrontos e barbáries 
ocorridas entre 1964 e 1985. Ela foi criada num contexto de abertura política, em 
que o governo ditador sofria pressões de todos os lados a fim de redemocratizar o 
Estado e de criar uma lei que anistiasse os perseguidos políticos. Como previsível, a 
lei em questão surgiu não como um ato benevolente de Figueiredo, mas com 
intencionalidades muito graves ao futuro do país, à história do país. 
 A Lei da Anistia impediu que mães vissem julgados os assassinos de seus 
filhos, cujos corpos muitas vezes nem puderam ser enterrados. E isso aliado às 
tantas restrições que impedem o acesso aos arquivos da ditadura faz com que a 
história desse período caia no esquecimento, fique preso às lembranças do passado 
e aos medos. 
Não obstante, se a tentativa ao final da hegemonia militar era calar as vozes 
que se digladiaram durante os anos de repressão, com certeza, as disputas ecoaram 
e hoje, com o processo de solidificação de um governo democrático, essas vozes 
voltam para cobrar do passado. E nesse contexto, os sujeitos da história deixaram 
gravados registros das tensões, opiniões e debates que se travavam em torno de 
episódios dessa história. Como poderemos ver a seguir. 
 
91 FONTE: Diário Oficial da União, 28 de agosto de 1979. 
97 
 
3 VOZES EM CONTRADIÇÃO? O CONGRESSO, O PRESIDENTE 
E O STF \u2013 AS ÁGUAS CORREM PARA QUAL MAR? 
Jacinto Figueiredo Jr. (TV Globo \u2013 São Paulo) diz ter sido inspirado 
em Nietzsche o título de seu programa: \u201cO homem que veste branco 
tem alma pura. (...)\u201d. Mais de 2 mil pessoas procuram semanalmente 
Jacinto, deputado estadual pelo MDB. Ele interroga suas 
personagens diante das câmaras com a maior violência. 92 
 
Este capítulo visa discutir as afirmações, diálogos, ações dos chefes de 
Estado, legisladores e ministros do Supremo Tribunal Federal que freqüentemente 
contrariavam a legislação vigente, seja ela constitucional ou institucional, frente ao 
caos das greves, passeatas, atuação do movimento estudantil ou dos operários, 
ação da luta armada, enfim mostrar como a lei gerava debates e polêmicas, porém 
sem efetivamente instituir regras decisivas. 
 Assim como acontecia mais visivelmente na relação entre Congresso e poder 
Executivo, o STF também se mostrava como objeto de manipulação deste último. 
Porém, poderemos observar que a briga com esse poder institucionalizadamente 
superior (o Executivo) era travada nas ações internas. Os julgamentos quase 
sempre eram feitos de acordo com a consciência de cada ministro, sem levar em 
conta os argumentos daqueles que apelavam para a Constituição ou para os Atos 
Institucionais vigentes. Estabeleciam-se longas discussões sobre a natureza dos 
atos, sobre a legislação, o que de certa forma era inútil, pois tais debates só serviam 
para manter a fachada democrática, sem maiores conseqüências para a 
manutenção das Forças Armadas no poder. O tabuleiro era sempre jogado para o 
alto quando o Executivo era ameaçado de perder o jogo. Daí novas regras eram 
formuladas para que este começasse novamente. 
 Na verdade o Supremo Tribunal Federal andava de acordo com as intenções 
do Executivo nos momentos de decisão. Ou seja, aumentava-se o número de 
ministros militares quando se desejava a vitória principalmente no que diz respeito à 
 
92 _______ \u201cMundo Cão, Não\u201d, in Veja, Editora Abril, nº3, 25 de setembro de 1968, p.76. 
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eleições. Diminuía-se o número de ministros quando estes passavam a ser problema, 
a estabelecer uma frente opositora a determinados Atos. 
Em 1965 o AI-2 aumentou o número de ministros do Supremo Tribunal 
Federal de 11 para 16, o que garantiria ao governo a maioria neste tribunal e 
obscureceria a distinção entre justiça ordinária e justiça revolucionária, já que seria 
reaberto o processo de punições aos opositores do governo e também seria 
impedida a reeleição presidencial. Castello Branco tinha o intuito de alterar o peso 
da composição, predominantemente janguista e jucelinista, com a nomeação de 
Adauto Cardoso, Aliomar Baleeiro, Prado kelly, Adalício Nogueira e Osvaldo 
Trigueiro para ocupar as vagas criadas. 
Houve antes disso, em 1964, uma ameaça por parte de Castelo Branco em 
cassar os ministros do STF Evandro Lins e Hermes Lima, nomeados por Goulart, e 
de Vitor Nunes Leal, nomeado por Kubitschek. O então presidente do Supremo, 
Ribeiro da Costa, chefe de Polícia do Distrito Federal após a deposição de Vargas 
em 1945 e homem de formação udenista, comunicou a Castelo que se algum 
ministro do STF fosse cassado, iria fechar as portas do Tribunal e entregar as 
chaves ao Executivo. O AI-2 veio como alternativa que contrabalançou as vagas 
entre \u201cpré-revolucionários\u201d e \u201cpós-revolucionárias\u201d. 
A partir de então o STF começou a conceder hábeas corpus a pessoas 
punidas pelo Governo Revolucionário, levando mais em conta as razões do Direito 
do que da política. É perceptível nos casos de pedido de hábeas corpus uma 
tendência do STF em conceder as ordens em casos de ilegalidade ou excessos por 
parte das autoridades, bem como o detalhamento das teses que fundamentaram as 
concessões, dentre as quais se destacaram a falta de justa causa para a ação penal 
e a inépcia das denúncias oferecidas. Para tanto a postura assumida pelo STF, ao 
buscar manter as ações governamentais nos limites da legalidade, no mínimo 
dificultou em certa medida a repressão a elementos considerados subversivos pelo 
regime; o que nos leva a crer que a elaboração do AI-5, quanto à restrição ao 
\u201chabeas corpus\u201d, pode ter sido sim influenciada pela jurisprudência do STF. 
O número de processos julgados sofreu um aumento significativo 
(34,5%) em 1968, saltando de 29 para 82. Esta mudança se deu 
99 
 
devido a um crescimento na mobilização estudantil e ao movimento 
contra o regime autoritário se encontrar em expansão. Nota-se, 
também, que os casos de hábeas corpus negados e os não 
conhecidos tiveram um aumento considerável, reflexo das mudanças 
legislativas ocorridas nos anos anteriores: foram cinco os casos não 
conhecidos em 1968, três em decorrência do AI-2 e outros dois em 
função do art. 114, I, h da Constituição Federal de 1967, que 
declarava a Suprema Corte incompetente para processar e julgar 
originariamente as matérias