Coletânea - Dir. Administrativo
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ao interesse público. Assim, caberia ao credor buscar no patrimônio da empresa bens que não estejam vinculados ao fim constitucional, ou, se inexistentes, cobrar do ente estatal a que se vincula a empresa.
Empregados:
As pessoas que trabalham nas empresas públicas são consideradas empregados públicos, submetidas a regime contratual, disciplinado pela CLT. Devem ser selecionados por concurso público, a fim de preservar o princípio da isonomia. 
De acordo com o STF, a obrigatoriedade de concurso público para seleção de empregados públicos independe da natureza da atividade desenvolvida pela empresa estatal, se prestadora de serviços públicos ou exploradora da atividade econômica.
Responsabilidade patrimonial:
O artigo 37 §6o da CF apenas prevê a aplicação da responsabilidade objetiva com fundamento na teoria do risco administrativo para as pessoas jurídicas de Direito Público e para as de Direito Privado prestadoras de serviços públicos. 
Assim, as empresas estatais que desempenham atividade econômica não são alcançadas pelo citado dispositivo, respondendo patrimonialmente por suas atividades da forma prevista no Direito Privado. Ressalte-se que estes entes podem responder objetivamente pelos danos causados por seus agentes com fulcro em outros diplomas legais, como o CODECON e o CC/02.
Controle:
Estão submetidas a organização de controle interno, obrigatório a qualquer setor da Administração, direta ou indireta, bem como a controle parlamentar, previsto no art 49 X da CF, de atribuição do Congresso Nacional. 
O art 5o LXXIII atribui a qualquer cidadão a legitimidade para propor ação popular, que pode ser ajuizada, por ex, para anular ato lesivo ao patrimônio de uma empresa estatal. Também se afigura cabível mandado de segurança para controle de ato praticado por dirigente de uma dessas empresas, se a natureza do ato se relacionar com uma atribuição do Poder Público.
O Tribunal de Contas em atuação junto a cada ente estatal também vai fiscalizar as entidades da Administração Indireta. (art 70 e 71 da CF).
Não há vinculação hierárquica entre as empresas estatais e o ente estatal a que elas se vinculam, contudo existe forma de controle finalístico, no qual será definida a linha de administração de acordo com as diretrizes governamentais fixadas pelo ente estatal.
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CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Conceito:
O contrato administrativo, a segunda das três formas de manifestação de vontade juridicamente relevantes da Administração Pública, é uma espécie da categoria jurídica do contrato, que se contém, por sua vez, no gênero pacto, figura amplíssima da Teoria Geral do Direito, que se caracteriza pela existência de algum tipo de conjugação harmônica de vontades.
Não basta, portanto, para a existência de um contrato administrativo, a manifestação de vontade unilateral da Administração Pública, como até aqui se estudou, sendo necessário que esta manifestação se concerte com a vontade de outro ente, par conformar, então, uma relação bilateral, em que os interesses das partes se compõem e se submetem a uma vontade comum, que emergirá do consenso, diferenciada das vontades individuais integradoras, e que as subordinará e passará a reger a relação assim formada.
Esta voluntária subordinação da Administração Pública à vontade ficta que emerge do contrato suscita o problema dos limites, que lhe são adstritos pela ordem jurídica, para submeter-se a uma outra fonte de manifestação de vontade que não a lei, isso por se tratar de uma relação que envolve o interesse público.
Distinguem-se, por isso, nos contratos, as cláusulas atinentes à finalidade pública, que são indisponíveis, das cláusulas que negociam interesses patrimoniais, que são disponíveis.
Por outro lado, nem todos os contratos da Administração Públicas são, necessariamente, contratos administrativos, uma vez que esta espécie exige, mais do que a outra, um acautelamento mais rigoroso do interesse público cuja satisfação, direta ou indireta, é pretendida pela via contratual, submetendo-se, em razão dessa peculiaridade, os contratos administrativos, sempre que a lei os discrimine com esta qualificação, a uma disciplina mais escrita, como se adiante exporá, embora, advirta-se, ambas as espécies incluem-se no gênero dos contratos públicos.
São, portanto, os contratos administrativos, manifestações de vontades recíprocas, sendo uma delas da Administração Pública, que, integradas pelo consenso, têm por objetivo a constituição de uma relação jurídica obrigacional , visando a atender, com prestações comutativas, a interesses distintos, um dos quais é público. 
Vale recordar, reforçando essa colocação, que a Administração também pode celebrar vários contratos em que nenhuma das prestações ajustadas esteja dirigida a satisfazer diretamente um interesse público, como tal especificamente definido em lei; mas, ainda que estes estejam sujeitos formalmente ao Direito Público, somente os contratos administrativos, caracterizados por preverem prestações de interesse público, a ele se submetem materialmente. 
Quanto à competência para legislar para legislar sobre a contratação com a Administração Pública, o que inclui a disciplina específica do contrato administrativo ativo, embora, em principio, cada âmbito administrativo, federal, estadual, distrital federal e municipal, deva ser regido por normas de direito público a serem editadas pelos respectivos Poderes Legislativos autônomos, todos os contratos celebrados pelas administrações públicas diretas e autárquicas ficaram sujeitos a uma normatividade geral básica, com reserva de competência da União (art. 22, XXVII, CF).
Submetem-se, assim, genérica e formalmente, todos os contratos celebrados pela Administração, ao estatuto nacional básico, contido na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e a esta mesma Lei agora específica e substantivamente, os contratos celebrados nas hipóteses nela nominadamente previstas, de obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações, ou seja, nos casos em que as prestações devidas à Administração foram legalmente pré-definidas como de interesse público. 
Está claro que, no exercício de suas respectivas competências concorrentes, nada impede que as demais unidades políticas de Federação, respeitadas as normas gerais, possam caracterizar outras modalidades de prestação como de interesse público, sujeitando, assim, os respectivos contratos ao regime público administrativo próprio. O que, obviamente , não poderão fazer essas unidades políticas e descaracterizar tanto aquelas que a Constituição já assim considerou: as concessões e permissões (art. 175, I, CF), e as obras, serviços, compra e alienações (arts, 37, XXI e 173, § 1º, III, CF), com as que a lei nacional referidas acrescentou: serviços e publicidade e locações (possibilitadas pela dicção genérica do art. 22, XXVII, CF).
Elementos Constitutivos Do Contrato Administrativo:
Aos elementos do ato administrativo, como ato unilateral, deve-se acrescentar, para configurar a bilateralidade, mais dois elementos: a capacidade, da parte que contrata com a Administração, e o consenso, que entre ambas se produz, totalizando sete elementos. 
Competência
Este elemento se refere à expressão funcional qualitativa e quantitativa do poder estatal que a lei atribui às entidades, órgãos ou agentes públicos para vinculá-los contratualmente, valendo todas as demais considerações expendidas ao tê-lo estudado como elemento do ato administrativo. 
Finalidade:
Tanto quanto no ato administrativo, a finalidade pública é essencial ao contrato administrativo, que sempre se destinará a satisfazer o interesse público específico, caracterizado, explícita ou implicitamente, na lei e constante de cláusula obrigatória de seu instrumento.
Forma:
Do mesmo modo que o ato administrativo, o contrato é sempre formal, submetendo-se a dupla regência pública em matéria instrumental: a geral, do Direito Administrativo, e a específica, do Direito Financeiro, tendo como seu instrumento principal o termo ou a escritura pública.