Coletânea - Dir. Administrativo
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funcional resulta do sistema hierárquico. Com efeito, se aos agentes superiores é dado o poder de fiscalizar atividades dos de nível inferior, deflui daí o efeito de poderem eles exigir que a conduta destes seja adequada aos mandamentos legais, sob pena de, se tal não ocorrer, serem os infratores sujeitos às respectivas sanções. Disciplina funcional é a situação de respeito que os gentes da Administração devem ter para com as normas que os regem, em cumprimento aos deveres e obrigações a eles impostos. 
Princípio da adequação punitiva \u2013 o agente aplicador da penalidade deve impor a sanção perfeitamente adequada à conduta infratora. 
	O uso e o abuso de poder. Excesso de poder, desvio de finalidade, omissão da Administração
	Há na doutrina 3 figuras a que corresponderiam deformações da atividade administrativa exatamente no desempenho desses atributos do ato administrativo \u2013 refere-se o Professor Jessé Torres ao desvio do poder, ao excesso de poder e ao abuso de poder. 
Há autores que não fazem distinção entre essas figuras reduzindo todas a espécie de abuso de poder. Outros autores entendem útil uma distinção entre essa figuras, e, dentre esses o que considera abuso de poder como a deformação da atuação da autoridade administrativa na execução do ato. E o agente da polícia da administrativa. Para ilustrar a hipótese, um agente que flagrando uma violação em que a norma sancionaria com pena pecuniária aplica uma pena mais severa e desde logo a executa. Aí haveria um abuso ou um excesso de poder? Indagam esses autores, para em seguida fazer a seguinte distinção: o excesso de poder haveria se, embora legítima a atuação, a exorbitasse dos limites determinados pela lei \u2013 daí o nome excesso. O ato seria aproveitável naquilo que conformasse com a previsão da lei e seria invalidade naquilo que excedesse na previsão da lei. Enquanto que no abuso nada se pode aproveitar do ato, porque a autoridade agiu à margem da lei ou contra a lei, com base na lei agiu abusivamente. E no desvio estaria na própria expedição do ato \u2013 não na sua execução. 
Haveria o desvio de poder quando a autoridade expedisse o ato contrariamente à lei. A utilidade que esses autores afirmam existir na distinção estaria na escolha que a vítima da administração teria que fazer quanto ao meio idôneo para se opor à ação administrativa e dizem eles, só o abuso de poder, a rigor, daria ensejo à via mandamental \u2013 as demais figuras não \u2013 porque dependeriam, para a sua configuração, de dilação probatória inconciliável com a ação do mandado de segurança em que sabemos que a prova é pré-constituída. Só caberia atacar ato administrativo pela via do mandado de segurança quando este ato caracterizasse abuso. Só haveria abuso quando a execução da ordem administrativa não tivesse amparo legal. 
Quanto ao excesso ou desvio \u2013 para opor resistência ao desmando administrativo seria um processo de conhecimento onde o autor teria oportunidade de produzir aquelas provas que fossem capazes de desconstituir a presunção de legitimidade da atuação administrativa. 
Abuso de poder \u2013 na execução do ato (contra a lei)
Desvio de poder \u2013 expedição do ato
Na omissão administrativa o que ocorre não é um ato jurídico, mas sim um fato jurídico. É preciso distinguir, de um lado, a hipótese em que a lei já aponta a conseqüência da omissão e, de outro, aquela quem que a lei não faz qualquer referência sobre o efeito que se origine do silêncio. No primeiro caso: o silêncio importa ou manifestação positiva (anuência tácita) ou manifestação denegatória. O mais comum é aquele acaso em que a lei não determina o efeito do silêncio, o que pode ocorrer quando a lei estabelece um prazo ao administradora para manifestar-se ou com a demora excessiva na prática de algum ato, fugindo aos padrões toleráveis ou razoáveis. 
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ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Existem inúmeras atividades constitucionais e infraconstitucionais que estão a cargo do Estado.
Serviços públicos de determinação constitucional \u2013 art. 21, X, XII, a/f \u2013 arts. 194, 203 e 208.
 
Ao lado desses serviços públicos, existem outros chamados genericamente de atividades estatais \u2013 obras públicas e atividades do Poder de Polícia.
 
Esses serviços e atividades podem ser prestados pelo Estado DIRETA ou INDIRETAMENTE. Portanto, são formas técnicas da Organização Administrativa:
 
CENTRALIZAÇÃO
DESCENTRALIZAÇÃO
CONCENTRAÇÃO 
DESCONCENTRAÇÃO
 
Centralização: é a prestação de serviços diretamente pela pessoa política prevista constitucionalmente, sem delegação a outras pessoas. Diz-se que a atividade do Estado é centralizada quando ele atua diretamente, por meio de seus órgãos.
 
Obs.: Órgãos são simples repartições interiores da pessoa do Estado, e, por isso, dele não se distinguem. São meros feixes de atribuições- não têm responsabilidade jurídica própria \u2013 toda a sua atuação é imputada às pessoas a que pertencem. São divisões da Pessoa Jurídica.
 
Se os serviços estão sendo prestados pelas Pessoas Políticas constitucionalmente competentes, estará havendo centralização. 
 
Descentralização: é a transferência de execução do serviço ou da titularidade do serviço para outra pessoa, quer seja de direito público ou de direito privado.
 
A transferência de execução do serviço pode ser feita para entidades de direito público ou privado, diretamente ligadas à Administração, bem como para particulares.
 
São entidades descentralizadas de direito público: Autarquias e Fundações Públicas.
São entidades descentralizadas de direito privado: Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista.
 
Pode, inclusive, a execução do serviço ser transferida para entidades que não estejam integradas à Administração Pública, como: Concessionárias de Serviços Públicos e Permissionárias.
 
A descentralização, mesmo que seja para entidades particulares, não retira o caráter público do serviço, Apenas transfere a execução.
 
A transferência da execução do serviço público pode ser feita por outorga ou por delegação.
 
Outorga: implica na transferência da própria titularidade do serviço.
 
Quando, por exemplo, a União cria uma Autarquia e transfere para esta a titularidade de um serviço público, não transfere apenas a execução. Não pode mais a União retomar esse serviço, a não ser por lei. Faz-se através de lei e só pode ser retirada através de lei.
 
Outorga significa, portanto, a transferência da própria titularidade do serviço da pessoa política para a pessoa administrativa, que desenvolve o serviço em seu próprio nome e não no de quem transferiu. É sempre feita por lei e somente por outra lei pode ser mudada ou retirada.
 
Delegação: implica na mera transferência da execução do serviço. Realiza-se por ato ou contrato administrativo. São as concessões e permissões do serviço público.
 Pode ser retirado por um ato de mesma natureza.
 Deve ser autorizada por lei.
 
Concentração e Desconcentração ocorrem no âmbito de uma mesma pessoa.
 
Desconcentração: existe quando as atividades estiverem distribuídas entre os órgãos de uma mesma pessoa \u2013 quando forem as atribuições transferidas dos órgãos centrais para os locais/periféricos.
 
Concentração: ocorre o inverso da desconcentração. Há uma transferência das atividades dos órgãos periféricos para os centrais.
 
Obs\u2192	tanto a concentração como a desconcentração poderá ocorrer na estrutura administrativa centralizada ou descentralizada.
 
Ex.: o INSS é exemplo de descentralização.
 
A União é um exemplo de centralização administrativa \u2013 mas as atribuições podem ser exercidas por seus órgãos centrais \u2013 há concentração dentro de uma estrutura centralizada.
 
Desconcentração dentro de uma estrutura centralizada \u2013 quando há delegação de atribuição.
 Administração Direta: corresponde à centralização.
 
Administração indireta: corresponde à descentralização.
Administração Direta:
No âmbito federal: é o conjunto de órgãos integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios.
 
No âmbito estadual: é o conjunto