Contrato Administrativo
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Contrato Administrativo


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realizado intuitu personae, vedando-se, em conseqüência, em princípio, a sub-rogação subjetiva. 
Consenso
Consenso é elemento essencial de todo o contrato, manifestando-se,no consentimento recíproco, a coincidência das vontades das partes relativamente ao objeto. 
A existência do consenso revela estarem ambas as partes contratantes desejando a mesma alteração no mundo jurídico que o ato bilateral se destina a produzir. 
CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO ADMINISTRATIVO
Além das seis características, que são as mesmas do ato administrativo, imperatividade, existência, validade, eficácia, exeqüibilidade e executoriedade, acrescem-se cinco outras, que são próprias do contrato administrativo, a saber: bilateralidade, comutatividade, onerosidade, instabilidade e pessoalidade. 
Imperatividade
Realmente, se o interesse publico assim o exigir, a imperatividade natural do estado \u2013 que não se manifesta na constituição do vínculo \u2013 exsurgirá, para ditar sua modificação ou até a sua extinção, seja pela alteração, seja pela supressão do objeto indisponível, que contém aquele interesse público. Quanto ao objeto do consenso contratual voltado ao atendimento do interesse particular, ele não poderá ser alcançado e muito menos alterado por um ato de imperium, de modo que todas as obrigações patrimoniais assumidas pela Administração seguem a regra geral dos contratos \u2013 pacta sunt servanda. 
Existência
Esta característica resulta, simplesmente, da positiva integração dos elementos do contrato administrativo. Uma vez presentes seus sete elementos formadores, eles se integram e o ato é tido como existente. 
Validade
A Administração, apenas por se parte, infunde ao contrato esta característica, como uma presunção decorrente da sua existência regular, ou seja, enquanto não houver pronunciamento competente de invalidade.
Esta presunção geral de validade engloba as presunções específicas que a conformam: a de realidade, a de legalidade, a de legitimidade e a de licitude. 
Eficácia
O contrato administrativo, por ser presumidamente válido, torna-se, em princípio, operativo, embora eventualmente suspendível; neste caso, perdendo apenas sua exeqüibilidade, sem prejuízo da manutenção da eficácia
Exeqüibilidade
Segue-se este atributo de exeqüibilidade, que confere aos contratos administrativos a possibilidade de entrarem em execução imediata, independentemente de qualquer termo ou condição, salvo os estipulados em lei ou nos seus próprios instrumentos. 
Executoriedade
Do mesmo modo que se expôs quanto à características de imperatividade no ato administrativo, trata-se de um atributo latente no contrato administrativo, pois a executoriedade não se expressa em sua formação nem, tampouco, na sua formação nem, tampouco, na sua execução normal, manifestando-se, apenas, na execução anormal, quando a Administração deva aplicar penalidades ou desfazer o ajuste unilateralmente, ambas, modalidades excepcionais da eficácia contratual. 
Como a Administração não tem disponibilidade entre atender ou não atender o interesse público, nem, tampouco, a de reduzir, por ato próprio, o seu permanente dever de atendê-lo da melhor maneira, daí decorrer que todas as formas de intervenção unilateral, em que deva atuar para preservar suas prerrogativas irrenunciáveis, como, por exemplo, no exercício da fiscalização, na aplicação de penalidades e na alteração ou no desfazimento unilaterais do contrato, terão características executórias. 
Bilateralidade
Não se trata aqui da bilateralidade da formação de relação contratual, pois todo contrato é, por definição, um ato jurídico bilateral, mas da bilateralidade dos seus efeitos: neste sentido, o contrato administrativo é sinalagmático, porque cria obrigações recíprocas para as partes.
Comutatividade
Pelo contrato administrativo, assegura-se a equivalência das prestações recíprocas ajustadas, sempre apreciáveis em termos econômico-financeiros, com termo inicial contemporâneo à formação do vínculo contratual. 
Esta característica relacional da comutatividade, expressada no denominado equilíbrio econômico-financeiro do contrato, ou, em outra expressão, na equação financeira, que nele se estabelece entre as obrigações de ambas as partes, deve vir, por isso, explicita ou implicitamente ajustada inicialmente pelas partes e tem fundamental importância no contrato administrativo. 
Não obstante esta fixação inicial, o contrato administrativo se submete à influência de situações que podem comprometer esse equilíbrio econômico-financeiro existente no momento de sua celebração. 
Com efeito, além da prerrogativa, que tem a Administração, de alterar unilateralmente o objeto do contrato por motivos de interesse público, também a ocorrência do fato do príncipe ou do fato da administração pode justificar a alteração das cláusulas do contrato e até a sua rescisão. 
Por fato do príncipe, tem-se qualquer medida de ordem genérica, proveniente da atuação do Estado, que, indiferentemente, produza reflexos sobre um contrato administrativo, dificultando ou impedindo a sua execução. Na hipótese de desequilíbrio da equação econômico-financeira originalmente ajustadas, o contratado prejudicado tem direito à sua recomposição e, na de impossibilidade de fazê-la, o contrato poderá ser rescindido com perdas e danos em favor do administrador. 
Por fato da administração entende-se toda ação ou omissão da Administração Pública, como parte do contrato, que afete diretamente a execução do contrato administrativo, dificultando ou impedindo a sua execução. Como exemplo, pode ser lembrada a falta de desapropriação do local onde o contratado privado deva realizar uma obra pública. 
Para recompor o equilíbrio econômico-financeiro comprometido no contrato, sem, contudo, rompê-lo, o administrador conta com o reajustamento e a revisão. 
O reajustamento, fundado no contrato e de natureza consensual, e a revisão, fundada na eqüidade, extracontratual e pretoriana, cabível sempre que ocorrerem os pressupostos aludidos. 
O reajustamento contratual, que incidirá sobre cláusulas que exprimam prestações financeiras, sob a forma de preços ou de tarifas, é a solução para a correção de desequilíbrios que se situem dentro de uma razoável previsibilidade, como os que decorrem da desvalorização da moeda ou do encarecimento de insumos. O reajustamento atinge, assim, apenas o preço, para reequilibrá-lo. 
A revisão contratual incidirá sobre quaisquer cláusulas contratuais, como as que ajustem objeto, prazo e condições várias, sempre que uma insuportável carga para uma das partes e um enriquecimento sem causa para a outra decorram de eventos imprevisíveis que alterem pressupostos de fato de relevância existentes quando da formação do contrato.A revisão pode comprometer todo o contrato para reequilibrá-lo.
De resto, o reajustamento atinge apenas o preço, como elemento do contrato, ao passo que a revisão pode comprometer todo o contrato. 
Onerosidde
A gratuidade é estranha ao Direito Administrativo, sendo, ao revés, a reciprocidade das prestações de valor econômico um pressuposto da relação contratual administrativa. 
O Estado, por óbvio, poderá ser donatário ou cessionário de bens e de direitos, desde que exista quem s disponha a praticar liberalidades sem encargos ou que, se forem onerosas, tenham os respectivos ônus um valor econômico sensivelmente inferior ao do bem ou direito objeto da munificiência. 
Instabilidade 
Como o Estado, insista-se, ao administrar interesses públicos, não tem possibilidade jurídica de renunciar ou de alienar sua função constitucional de decidir sobre tudo o que se refira a seus serviços e a suas obras, cabe-lhe, a qualquer tempo, agindo discricionariamente, alterar essas prestações devidas pelo contratante privado e, até mesmo, levar à extinção o próprio contrato, decorrendo desta sua indisponível prerrogativa, a característica de instabilidade das cláusulas relativas ao interesse público. 
Pessoalidade
Este é o atributo de concentração pessoal do contrato administrativo, de modo que, uma vez determinado com