DJi - Concurso de Pessoas - Concurso de Agentes
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resultado. Assim, o mandante de um crime não é
considerado seu autor, visto que não lhe competiram os atos de execução do
núcleo do tipo (quem manda matar, não mata, logo, não realiza o verbo do
tipo). Igualmente, o chamado "autor intelectual", ou seja, aquele que planeja
toda a empreitada delituosa, não é autor, mas partícipe, na medida em que
não executa materialmente a conduta típica. Pelo mesmo entendimento, se um
agente segura a vítima enquanto outro com ela mantém conjunção carnal,
ambos devem ser considerados autores de estupro, já que a figura típica do
art. 213 do CP tem como núcleo a conduta de "constranger" (forçar a vítima
a praticar conjunção carnal), e não a de "manter conjunção carnal". A mulher
pode, por assim dizer, ser co-autora de estupro (quando segura a vítima,
enquanto outro com ela mantém a cópula vaginal). É o critério dominante na
Espanha. A principal crítica a esse critério é a de que, não só o verbo do tipo
pode ser considerado conduta principal, o que o toma insatisfatório na
solução de determinados casos concretos. "Seria admissível considerar meros
participantes, porque não realizaram nenhuma fração de condutas típicas, o
chefe de uma quadrilha de traficantes de tóxicos, que tem o comando e o
controle de todos os que atuam na operação criminosa, ou o líder de uma
organização mafiosa que atribui a seus comandados a tarefa de eliminar o
dirigente de uma gangue rival? Seria razoável qualificar como partícipe quem,
para a execução material de um fato típico, se serviu de um menor inimputável
ou de um doente mental ?"286. Pesem embora tais críticas, o critério oferece
segurança jurídica e está arrimado na reserva legal. A conduta principal é
aquela definida no tipo, com o qual o comportamento do agente no caso
concreto deve se ajustar, e o que está definido no tipo é o verbo, logo, este é,
por vontade da lei, o núcleo da ação principal.
c2) Teoria ou critério objetivo-material: autor não é aquele que realiza o
verbo do tipo, mas a contribuição objetiva mais importante. Trata-se de
critério gerador de insegurança, na medida em que não se sabe, com
precisão, o que vem a ser "contribuição objetiva mais importante". Fica-se na
dependência exclusiva daquilo que o intérprete irá considerar relevante. Por
essa razão, não é adotado.
c3) Teoria do domínio do fato: partindo da teoria restritiva, adota um critério
objetivo-subjetivo, segundo o qual autor é aquele que detém o controle final
do fato, dominando toda a realização delituosa, com plenos poderes para
decidir sobre sua prática, interrupção e circunstâncias. Não importa se o
do Direito Penal
Ilicitude
Imputabilidade
Incitação ao Crime
Interpretação da Lei
Penal
Irretroatividade da
Lei Penal
Legítima Defesa
Leis de Vigência
Temporária
Limites de Penas
Livramento
Condicional
Lugar do Crime
Medida de Segurança
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
Participação
Partícipe
Pena de Multa
Penas Privativas de
Liberdade
Penas Restritivas de
Direitos
Pessoas
Potencial Consciência
da Ilicitude
Prescrição
Princípio da
Legalidade
Reabilitação
Reincidência
Requisitos do
Concurso de Agentes
Responsabilidade
Solidária
Resultado
Sanção Penal
Suspensão
Condicional da Pena
Tempo do Crime e
Conflito Aparente de
Normas
Tentativa
Teoria do Crime
Teoria Dualista da
Participação
Teoria Monista da
agente pratica ou não o verbo descrito no tipo legal, pois o que a lei exige é o
controle de todos os atos, desde o início da execução até a produção do
resultado. Por essa razão, o mandante, embora não realize o núcleo da ação
típica, deve ser considerado autor, uma vez que detém o controle final do fato
até a sua consumação, determinando a prática delitiva.
Da mesma forma, o chamado "autor intelectual" de um crime é, de fato,
considerado seu autor, pois não realiza o verbo do tipo, mas planeja toda a
ação delituosa, coordena e dirige a atuação dos demais. É também
considerado autor qualquer um que detenha o domínio pleno da ação, mesmo
que não a realize materialmente.
Wessels, partidário dessa con'ente, ensina que "autor é quem, como 'figura
central' (= figura-chave) do acontecimento, possui o domínio do fato (dirigido
planificadamente ou de fonua co-configurada) e pode, assim, deter ou deixar
decorrer, segundo a sua vontade, a realização do tipo. Partícipe é quem, sem
um domínio próprio do fato, ocasiona ou de qualquer fonua promove, como
'figura lateral' do acontecimento real, o seu cometimento" (Direito penal, cit.,
p. 119.). Assim, autor é quem dirige a ação, tendo o completo domínio sobre
a produção do resultado, enquanto partícipe é um simples conconente
acessório.
Alberto Silva Franco sustenta: "O autor não se confunde obrigatoriamente
com o executor materiaL Assim, o chefe de uma quadrilha de roubos a
estabelecimentos bancários, que planeja a ação delituosa, escolhe as pessoas
que devam realizá-Ia, distribuindo as respectivas tarefas, e ordena a
concretização do crime, contando com a fidelidade de seus comandados, não
é um mero participante, mas, sim, autor porque possui 'o domínio final da
ação', ainda que não tome parte na execução material do fato criminoso. Do
mesmo modo, não deixa de ser autor quem se serve de outrem, não
imputável, para a prática de fato criminoso, porque é ele quem conserva em
suas mãos o comando da ação criminosa" (Código Penal, cit., p. 345.).
Damásio E. de Jesus, partidário dessa teoria, em complementação à restritiva,
já que sustenta serem ambas conciliáveis, observa: "apresentando finalidade
como fundamento, é amplamente adotada pela doutrina:
Welzel, Stratenwerth, Maurach, Wessels, Roxin, Schroder, Jescheck, Ganas,
Blei, Zaífaroni, Mufioz Conde, Córdoba Roda, Rodriguez Devesa, Mir Puig,
Bacigalupo, Enrique Cury e Bockelman. No Brasil: Manoel Pedro Pimentel,
Alberto Silva Franco, Nilo Batista, Luis Régis Prado, Cezar Bitencourt,
Pierange1i e Luiz Flávio Gomes. É a teoria que passamos a adotar. De notar-
se que a teoria do domínio do fato não exclui a restritiva. É um complemento"
(Teoria do domínio do fato no concurso de pessoas, São Paulo, Saraiva,
1999, p.27.).
O domínio do fato é a conente dominante na Alemanha, atualmente.
Sua base está no finalismo, na medida em que é autor aquele que detém o
controle final do fato. Para Jescheck, situa-se entre a extensiva e o critério
formal-objetivo, pois combina elementos objetivos (prática de uma conduta
relevante) com subjetivos (vontade de manter o controle da situação até a
eclosão do resultado). É, por conseguinte, uma teoria objetivo-subjetiva
(Tratado, cit., v. 2, p. 898.).
Nossa posição: o conceito unitário deve ser rechaçado de plano, pois não se
pode equiparar aquele que realiza a conduta principal com o que coopera
acessoriamente, como se ambos tivessem igualmente dado causa ao crime.
Participação
Teoria Pluralista da
Participação
Teoria Unitária da
Participação
Territorialidade da
Lei Penal Brasileira
Tipicidade
Tipo Penal nos
Crimes Culposos
Tipo Penal nos
Crimes Dolosos
Quem empresta a faca não está no mesmo patamar de quem desfere os
golpes. A teoria extensiva padece do mesmo vício e tenta remediar a injusta
equiparação unitária, com um subjetivismo perigoso: todos são autores, mas,
no caso concreto, se uma conduta não se revelar tão importante, aplica-se
uma causa de diminuição de pena. Ora, não é mais fácil separar autor de
partícipe? A posição mais correta é a restritiva. Dentro dela, o critério formal-
objetivo, ainda que padecendo de certas deficiências, é o que mais respeita o
princípio da reserva legal. Com efeito, conduta principal não é aquela que o
operador do direito acha que é relevante, de acordo com as peculiaridades
de cada caso concreto. Conduta principal é aquela que o tipo elegeu para
descrever como crime. Assim, a realização do verbo da conduta típica é, por
opção político-criminal da sociedade, a ação considerada principal. Todas as
demais, incluídas aí, a autoria intelectual, a do mandante, a do instigador ou
indutor etc., por mais importantes que se revelem,