Direito Administrativo - Curso
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Direito Administrativo - Curso


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2.      A Emenda Constitucional n(19 previu que os membros de Poder (Chefes do Executivo, Magistrados, Legisladores), membros do Ministério Público, Procuradores do Estado, Advogados da União e Policiais serão remunerados mediante subsídios fixados em parcela única. O teto de remuneração no Serviço Público será o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal, fixado por Lei de iniciativa conjunta do STF, Presidente da República, Presidente da Câmara dos Deputados e Presidente do Senado.
 
8. DESAPROPRIAÇÃO
 Trata-se da forma mais drástica de intervenção do Estado na propriedade. Distingue-se da requisição porque esta apenas corresponde à utilização de bens e serviços de particulares na iminência de perigo público.
 
 A Constituição prevê a desapropriação por necessidade pública, utilidade pública e interesse social.
 
 Os casos de necessidade e utilidade pública são disciplinados pelo Decreto-Lei n( 3.365/41. As hipóteses de interesse social estão previstas na Lei n( 4.132/62. Para fins de Reforma Agrária aplicam-se a Lei 8.629/93 e a Lei Complementar n( 76/93.
 
 A desapropriação por necessidade ou utilidade pública se faz para que os bens sejam utilizados pela Administração. A desapropriação por interesse social se realiza para transferência dos bens a terceiros ensejando a utilização social
 
 A declaração expropriatória inicia o procedimento para a desapropriação. Deve ser formalizada por Decreto ou Lei de efeitos concretos. Compete a qualquer das pessoas políticas, exceto a desapropriação para fins de Reforma Agrária, que é privativa da União. Existem prazos de decadência da declaração: 5 anos, se for por necessidade ou utilidade pública e 2 anos, se for por interesse social.
 
 A desapropriação poderá efetuar-se de acordo ou judicialmente. Entidades da Administração Indireta e concessionários de serviços públicos podem ser autorizados a promoverem a desapropriação.
 
 A Administração poderá alegar urgência e, tal caso, requerer a imissão provisória na posse, desde que faça no prazo de 120 dias, depositando o valor ofertado. Tratando-se de imóvel residencial urbano, deverá realizar-se avaliação prévia, nos termos do Decreto-Lei n( 1.075/70.
 
 Existe corrente jurisprudencial no sentido de generalizar a exigência de avaliação prévia. Na ação de desapropriação, a contestação pode versar apenas sobre o valor da indenização e vícios do processo. Outras matérias deverão ser argüidas em ação direta.
 
 A indenização deve ser prévia e justa. A regra é indenizar em dinheiro. Apenas nas desapropriações para fins de Reforma Agrária e de imóveis urbanos que não atendam ao plano diretor, a Constituição prevê a indenização em títulos da dívida pública.
 
 A indenização deve abranger o valor dos bens, os danos emergentes e os lucros cessantes. Incidem correção monetária a partir do laudo, bem como juros compensatórios a partir da imissão provisória na posse e juros moratórios após o trânsito em julgado da sentença que fixar a indenização.
 
 A desapropriação é forma original de aquisição de propriedade. Se for realizada em nome de quem não era proprietário, ainda assim, persistirá, tendo o verdadeiro proprietário direito à indenização.
 
 Se não for dada destinação pública ao bem, o expropriado terá o direito de retrocessão. A jurisprudência entende que se trata de direito pessoal. Se o poder público não fizer retornar o bem ao expropriado, a questão será resolvida em perdas e danos.
 
DESAPROPRIAÇÃO PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA
 
 Está prevista nos artigos 184 e 185 da Constituição. É privativa da União. Os dispositivos constitucionais estão regulamentados pela Lei n( 8.629/93 e pela Lei Complementar n( 76/93. O procedimento está previsto na referida Lei Complementar. A indenização da terra nua será realizada em títulos da dívida agrária. As benfeitorias serão indenizadas em dinheiro, construções, plantações, florestas, mesmo de preservação permanente, enseja o direito à indenização em dinheiro.
 
DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA
 
 É esbulho possessório praticado pelo poder público. Incorporado o bem ao patrimônio público, não cabe reintegração. Surge o direito à indenização. 
 
9. SERVIÇO PÚBLICO
Formas e meios de prestação; Entidades estatais da administração direta e indireta; Serviços delegados, concedidos, autorizados e permitidos 
 
A Constituição Federal dispõe expressamente que incumbe ao Poder Público, na forma da lei, a prestação de serviços públicos. Dessa forma, a lei disporá sobre o regime de delegação, os direitos dos usuários, a política tarifária, a obrigação de manter serviço adequado e as reclamações relativas à prestação (arts. 175, parágrafo único, e 37, § 3º). A Constituição insere, ainda, o conceito de serviço relevante, como o de saúde (art. 197). Atendendo a essa orientação, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) considera como direito básico do usuário a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral (art. 6º) e, em complemento, obriga o Poder Público ou seus delegados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e contínuos, dispondo sobre os meios para o cumprimento daquelas obrigações e a reparação dos danos (art. 22 e parágrafo único).
			
A atribuição primordial da Administração Pública é oferecer utilidades aos administrados, não se justificando sua presença senão para prestar serviços à coletividade. Esses serviços podem ser essenciais ou apenas úteis à comunidade, daí a necessária distinção entre serviços públicos e serviços de utilidade pública; mas, em sentido amplo e genérico, quando aludimos a serviço público, abrangemos ambas as categorias.
			
Serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniências do Estado.
			
Levando-se em conta a essencialidade, a adequação, a finalidade e os destinatários dos serviços, podemos classificá-los em: públicos e de utilidade pública; próprios e impróprios do Estado; administrativos e industriais; \u201cuti universi\u201d e \u201cuti singuli\u201d, como veremos a seguir.
			
Serviços públicos propriamente ditos, são os que a Administração presta diretamente à comunidade, por reconhecer sua essencialidade e necessidade para a sobrevivência do grupo social e do próprio Estado. Por isso mesmo, tais serviços são considerados privativos do Poder Público, no sentido de que só a Administração deve prestá-los, sem delegação a terceiros, mesmo porque geralmente exigem atos de império e medidas compulsórias em relação aos administrados. Exemplos desses serviços são os de defesa nacional, os de polícia, os de preservação da saúde pública.
			
Serviços de utilidade pública são os que a Administração, reconhecendo sua conveniência (não essencialidade, nem necessidade) para os membros da coletividade, presta-os diretamente ou aquiesce em que sejam prestados por terceiros (concessionários, permissionários ou autorizatários), nas condições regulamentadas e sob seu controle, mas por conta e risco dos prestadores, mediante remuneração dos usuários. São exemplos dessa modalidade os serviços de transporte coletivo, energia elétrica, gás, telefone.
			
Serviços próprios do Estado são aqueles que se relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público (segurança, polícia, higiene e saúde públicas etc.) e para a execução dos quais a Administração usa da sua supremacia sobre os administrados. Por esta razão, só devem ser prestados por órgãos ou entidades públicas, sem delegação a particulares. Tais serviços, por sua essencialidade, geralmente são gratuitos ou de baixa remuneração, para que fiquem ao alcance de todos os membros da coletividade.
			
Serviços impróprios do Estado são os que não afetam substancialmente as necessidades da comunidade, mas satisfazem interesses comuns de seus membros, e, por isso, a Administração os presta remuneradamente, por seus