Direito Administrativo - Curso
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Direito Administrativo - Curso


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pertinente à Pessoa Jurídica de Direito Público. Ex.: a União tem interesse secundário em pagar menos aos seus servidores.
Essa distinção é importante, no processo civil, porque só quando existe interesse primário é que se torna necessária a intervenção do Ministério Público.
 
A Administração Pública deve direcionar os seus atos para alcançar o interesse público primário.
 
A fonte que vai indicar qual o interesse a ser atingido pela Administração Pública é a LEI. A finalidade pública objetivada pela lei é a única que deve ser perseguida pelo administrador.
 
O conceito de Finalidade Pública é especificamente previsto na Lei que atribuiu competência para a prática do ato ao Administrador. O conceito de Finalidade Pública não é genérico e sim específico. A Lei, ao atribuir competência ao Administrador, tem uma finalidade pública específica. O administrador, praticando o ato fora dos fins expressa ou implicitamente contidos na norma, pratica DESVIO DE FINALIDADE.
 
CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO: o serviço público destina-se atender necessidades sociais. É com fundamento nesse princípio que nos contratos administrativos não se permite seja invocada pelo particular a exceção do contrato não cumprido.
Nos contratos civis bilaterais pode-se invocar a exceção do contrato não cumprido para se eximir da obrigação.
 Hoje, a legislação já permite que o particular invoque a exceção de contrato não cumprido \u2013 Lei 8666/93 \u2013 Contratos e Licitações, apenas no caso de atraso superior a 90 dias dos pagamentos devidos pela Administração.
 A exceção do contrato não cumprido é deixar de cumprir a obrigação em virtude da outra parte não Ter cumprido a obrigação correlata.
 A existência dessa cláusula decorre da obediência ao Princípio da Continuidade do Serviço Público.
AUTOTUTELA: a Administração tem o dever de zelar pela legalidade e eficiência dos seus próprios atos. É por isso que se reconhece à Administração o poder dever de declarar a nulidade dos seus próprios atos praticados com infração à Lei.
 
 Em conseqüência desse Princípio da Autotutela, a Administração:
 
a)      não precisa ser provocada para reconhecer a nulidade dos seus próprios atos;
b)      não precisa recorrer ao Judiciário para reconhecer a nulidade dos seus próprios atos.
 
SUM.STF \u2013 473 : \u201cA Administração tem o poder de reconhecer a nulidade dos seus próprios atos\u201d.
 
 É a Administração zelando pelos seus próprios atos.
 
 É, ainda, em conseqüência da Autotutela, que existe a possibilidade da Administração revogar os atos administrativos que não mais atendam às finalidades públicas \u2013 sejam inoportunos, sejam inconvenientes \u2013 embora sejam legais.
 
 Em suma, a autotutela se justifica para garantir à Administração:
 
a)      a defesa da legalidade dos seus atos;
b)      a defesa da eficiência dos seus atos.
 
 A autotutela compatibiliza-se com o Princípio do Devido Processo Legal.
 
Obs.: a jurisprudência tem entendido que no caso de suspensão de benefício por suspeita de prática de ato ilegal, embora um autêntico exercício do Princípio da Autotutela, a Previdência tem que assegurar o direito de defesa. É a consagração do Princípio do Devido Processo Legal.
 
RAZOABILIDADE: os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos na medida necessária ao atendimento do interesse coletivo, sem exacerbações.
 
É sabido que o Direito Administrativo consagra a supremacia do interesse público sobre o particular, mas essa supremacia só é legítima na medida em que os interesses públicos são atendidos.
 
PROPORCIONALIDADE: é um desdobramento da Razoabilidade. Adotando a medida necessária para atingir o interesse público almejado, o Admininstrador age com proporcionalidade.
 
No exercício do Poder de Polícia, deve-se atender ao Princípio da Proporcionalidade.
 
SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO: é a essência do regime jurídico administrativo. 
 
3. ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Existem inúmeras atividades constitucionais e infraconstitucionais que estão a cargo do Estado.
 
Serviços públicos de determinação constitucional \u2013 art. 21, X, XII, a/f \u2013 arts. 194, 203 e 208.
 
Ao lado desses serviços públicos, existem outros chamados genericamente de atividades estatais \u2013 obras públicas e atividades do Poder de Polícia.
 
Esses serviços e atividades podem ser prestados pelo Estado DIRETA ou INDIRETAMENTE. Portanto, são formas técnicas da Organização Administrativa:
 
\uf0b7        CENTRALIZAÇÃO
\uf0b7        DESCENTRALIZAÇÃO
\uf0b7        CONCENTRAÇÃO 
\uf0b7        DESCONCENTRAÇÃO
 
CENTRALIZAÇÃO: é a prestação de serviços diretamente pela pessoa política prevista constitucionalmente, sem delegação a outras pessoas. Diz-se que a atividade do Estado é centralizada quando ele atua diretamente, por meio de seus órgãos.
 
Obs.: Órgãos são simples repartições interiores da pessoa do Estado, e, por isso, dele não se distinguem. São meros feixes de atribuições- não têm responsabilidade jurídica própria \u2013 toda a sua atuação é imputada às pessoas a que pertencem. São divisões da Pessoa Jurídica.
 
Se os serviços estão sendo prestados pelas Pessoas Políticas constitucionalmente competentes, estará havendo centralização. 
 
DESCENTRALIZAÇÃO: é a transferência de execução do serviço ou da titularidade do serviço para outra pessoa, quer seja de direito público ou de direito privado.
 
A transferência de execução do serviço pode ser feita para entidades de direito público ou privado, diretamente ligadas à Administração, bem como para particulares.
 
São entidades descentralizadas de direito público: Autarquias e Fundações Públicas.
São entidades descentralizadas de direito privado: Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista.
 
Pode, inclusive, a execução do serviço ser transferida para entidades que não estejam integradas à Administração Pública, como: Concessionárias de Serviços Públicos e Permissionárias.
 
A descentralização, mesmo que seja para entidades particulares, não retira o caráter público do serviço, apenas transfere a execução.
 
A transferência da execução do serviço público pode ser feita por OUTORGA ou por DELEGAÇÃO.
 
OUTORGA: implica na transferência da própria titularidade do serviço.
 
Quando, por exemplo, a União cria uma Autarquia e transfere para esta a titularidade de um serviço público, não transfere apenas a execução. Não pode mais a União retomar esse serviço, a não ser por lei. Faz-se através de lei e só pode ser retirada através de lei.
 
Outorga significa, portanto, a transferência da própria titularidade do serviço da pessoa política para a pessoa administrativa, que desenvolve o serviço em seu próprio nome e não no de quem transferiu. É sempre feita por lei e somente por outra lei pode ser mudada ou retirada.
 
DELEGAÇÃO: implica na mera transferência da execução do serviço. Realiza-se por ato ou contrato administrativo. São as concessões e permissões do serviço público.
 
Pode ser retirado por um ato de mesma natureza.
 
Deve ser autorizada por lei.
 
Conceitos de CONCENTRAÇÃO e DESCONCENTRAÇÃO \u2013 ADMINISTRAÇÃO DIRETA e ADMINISTRAÇÃO INDIRETA.
 
Concentração e Desconcentração ocorrem no âmbito de uma mesma pessoa.
 
DESCONCENTRAÇÃO: existe quando as atividades estiverem distribuídas entre os órgãos de uma mesma pessoa \u2013 quando forem as atribuições transferidas dos órgãos centrais para os locais/periféricos.
 
CONCENTRAÇÃO: ocorre o inverso da desconcentração. Há uma transferência das atividades dos órgãos periféricos para os centrais.
 
Obs.: tanto a concentração como a desconcentração poderá ocorrer na estrutura administrativa centralizada ou descentralizada.
 
Ex.: o INSS é exemplo de descentralização.
 
A União é um exemplo de centralização administrativa \u2013 mas as atribuições podem ser exercidas por seus órgãos centrais \u2013 há concentração dentro de uma estrutura centralizada.
 
Desconcentração dentro de uma estrutura centralizada \u2013