Direito Administrativo - Curso
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Direito Administrativo - Curso


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sempre vinculados em qualquer ato administrativo. Em relação a eles, a lei não oferece qualquer margem para apreciação do Administrador, que está preso ao conteúdo legal, sem margem de opção.
 
Esses elementos serão sempre vinculados em qualquer ato administrativo, mesmo naqueles chamados de discricionários.
 
MOTIVO E OBJETO:
 
Esses elementos podem vir predeterminados rigorosamente na lei ou não. Quando estão, ocorre o ATO VINCULADO. Quando, diferentemente, a lei confere uma margem de liberdade ao Administrador no que tange a esses elementos, estamos diante do que chamamos de ATO DISCRICIONÁRIO.
 
 
ELEMENTOS OU REQUISITOS DO ATO ADMINISTRATIVO:
 
1.      COMPETÊNCIA:
 
É o primeiro requisito de validade do ato administrativo. Inicialmente, é necessário verificar se a Pessoa Jurídica tem atribuição para a prática daquele ato. Observa-se, na Constituição Federal, se, na partilha de atribuições, ficou inserida a competência no âmbito daquela Pessoa Jurídica.
 
É preciso saber, em segundo lugar, se o órgão daquela Pessoa Jurídica que praticou o ato, estava investido de atribuições para tanto.
 
Finalmente, é preciso verificar se o agente público que praticou o ato, fê-lo no exercício das atribuições do cargo.
 
O problema da competência, portanto, resolve-se nesses três aspectos.
 
A competência admite DELEGAÇÃO E AVOCAÇÃO. Esses institutos resultam da hierarquia.
 
Pode o superior transferir atribuições que originalmente são suas através da delegação de competência (Delegação). Pode também chamar a si atribuições do subalterno (avocação).
 
A Lei nº 9.784/99, que regulamentou o processo administrativo, no âmbito da Administração Federal previu a delegação de competência a outros órgãos ou titulares ainda que não exista relação hierárquica. Também estabeleceu que a avocação somente deverá ocorrer em caráter excepcional, temporariamente e por motivos relevantes.
 
2.      FORMA:
 
É o revestimento externo do ato. Em princípio, exige-se a forma escrita para a prática do ato. Excepcionalmente, admitem-se as ordens através de sinais ou de voz, como são feitas no trânsito.
 
Em alguns casos, a forma escrita é particularizada e exige-se um determinado tipo de forma escrita.
 
Ex.: Na declaração expropriatória exige-se a forma de DECRETO (ato do Chefe do Executivo) e LEI. Sendo LEI, será de efeitos concretos. Só se veicula a declaração expropriatória através desses tipos. Se o Administrador puder escolher a forma, haverá discricionariedade.
 
3.      FINALIDADE:
 
É sempre pública e deve ser entendida não apenas do ponto de vista genérico, mas específico.
 
O ato deve alcançar a finalidade expressa ou implicitamente prevista na norma que atribui competência ao agente para a sua prática. O Administrador não pode fugir da finalidade que a lei imprimiu ao ato, sob pena de nulidade do ato pelo desvio de finalidade específica. Havendo qualquer desvio, o ato é nulo por desvio de finalidade, mesmo que haja relevância social.
 
 
4.      MOTIVO
 
São as razões de fato e de direito que levam à prática do ato.
 
Em alguns casos, esses motivos já estão traçados na lei, sem margem de liberdade para o Administrador, nesses casos, temos o motivo vinculado. Noutros casos, temos o motivo discricionário, quando a lei permite ao Administrador uma certa margem de liberdade.
 
A efetiva existência do motivo é sempre um requisito para a validade do ato. Se o Administrador invoca determinados motivos, a validade do ato fica subordinada à efetiva existência desses motivos invocados para a sua prática. É a teoria dos Motivos Determinantes.
 
5.      OBJETO:
 
É o conteúdo do ato. No chamado ato vinculado, o objeto já está predeterminado na lei (ex.: aposentadoria do servidor). Nos chamados atos discricionários, há uma margem de liberdade do Administrador para preencher o conteúdo do ato (ex.: desapropriação \u2013 cabe ao Administrador escolher o bem, de acordo com os interesses da Administração). Por isso, o objeto pode ser discricionário.
 
Motivo e Objeto, nos chamados atos discricionários, caracterizam o que se denomina de MÉRITO ADMINISTRATIVO.
 MÉRITO ADMINISTRATIVO: corresponde à esfera de discricionariedade reservada ao Administrador e, em princípio, não pode o Poder Judiciário pretender substituir a discricionariedade do administrador pela discricionaridade do Juiz. Pode, no entanto, examinar os motivos invocados pelo Administrador para verificar se eles efetivamente existem e se porventura está caracterizado um desvio de finalidade.
 
 
6.      CAUSA:
 
É a relação de adequação entre o motivo e o conteúdo do ato, em função da finalidade.
  
ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:
 
1.      PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE;
2.      IMPERATIVIDADE;
3.      EXIGIBILIDADE;
4.      AUTO-EXECUTORIEDADE.
 
 
1.      PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE:
 
A legalidade é o princípio básico da Administração Pública. Tudo aquilo que não está permitido, está proibido. Em decorrência, pressupõe-se que o Administrador, em regra, pauta sua conduta por observância da lei. Logo, não se pode exigir que o Administrador, a cada momento, tenha o ônus de demonstrar a legalidade dos seus atos. A Administração ficaria inviabilizada se o particular recusasse o cumprimento dos atos administrativos com o pretexto de exigir prova de sua legalidade.
 
Em razão disso é que a Administração goza de presunção de legitimidade \u2013 presunção juris tantum, pois se admite que o particular demonstre a ilegitimidade do ato. Essa presunção, portanto, significa a transferência para o particular do ônus de demonstrar o vício do ato. É uma inversão do ônus da prova.
 
Ex.: Execução de Dívida Ativa \u2013 cabe ao particular o ônus de provar que não deve ou que o valor está errado.
 
2.      IMPERATIVIDADE \u2013 Supremacia:
 
É uma conseqüência da ascendência da Administração Pública sobre o particular, justificada pelo interesse público. É o denominado poder extroverso da Administração.
 
O ato administrativo pode constituir obrigação para o administrado (Ex.: Secretário de Saúde quando dita normas de higiene \u2013 decorre do exercício do Poder de Polícia \u2013 pode impor obrigação para o administrado).
 
3.      EXIGIBILIDADE
  
È a possibilidade de a Administração, coercitivamente, exigir o cumprimento da obrigação imposta ao administrado. Essas obrigações têm um caráter jurídico, dotadas de coercibilidade. Pode a Administração adotar medidas para, indiretamente, compelir ao acatamento dos seus atos, como por exemplo, impor multas.
 4.      AUTO-EXECUTORIEDADE:
  
É a possibilidade que tem a Administração de, por seus próprios meios, com o uso da força pública, exigir o cumprimento das obrigações impostas aos administrados, independentemente de ação judicial.
 
Não se confunde executoriedade com exigibilidade, pois aquela é a possibilidade de exigir o cumprimento do ato, independentemente da via judicial, enquanto exigibilidade pode ser feita por Ação Judicial ou não.
 
Nos atos em que se vai envolver o patrimônio do administrado (cobrança de uma multa, por exemplo), a Administração tem que se utilizar da via judicial, não podendo utilizar a força pública pelos seus próprios meios.
 
Só é possível a auto-executoriedade quando permitida por lei ou para atendimento de situações urgentes: a interdição de um prédio, que ameaça desabar, por exemplo.
 
O administrado não fica impossibilitado de recorrer ao Judiciário para se insurgir contra o uso da auto-executoriedade. É possível, inclusive, que através de medidas preventivas venha o executado evitar que se realize a auto-executoriedade \u2013 Mandado de Segurança Preventivo, Ações Cautelares, antecipação de tutela.
 
Mesmo após a prática do ato, pode o administrado ingressar em juízo pedindo a reconstituição do estado anterior, se for possível, inclusive, as indenizações cabíveis.
 
DESFAZIMENTO DO ATO ADMINISTRATIVO