Direito Administrativo - Curso
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Direito Administrativo - Curso


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em que o Poder Público coloca-se em plano de igualdade com o particular. Os doutrinadores afirmam que essa classificação já está ultrapassada. Na verdade, ela fez sentido na época em que surgiu o Direito Administrativo, época em que se afirmava que o Estado não podia ser responsável pelos prejuízos ocasionados por seus atos. O Estado não era responsável.
 
Nessa época essa classificação surgiu como solução, responsabilizando o Estado pelos atos de gestão.
 
Hoje, essa distinção está suplantada pela diferença que se faz dos atos administrativos e os atos de direito privado praticados pela Administração.
 
Atos de gestão correspondem aos atos de direito privado que a Administração Pública pratica. (Ex.: alugar um imóvel para funcionar uma Repartição Pública).
 
Para a maioria da doutrina, os atos de direito privado não são mais tidos como atos administrativos, embora esteja regidos por normas de Direito Administrativo.
 
CLASSIFICAÇÃO QUANTO À NATUREZA DO ATO:
 
1)      Atos Regra : traçam normas gerais, correspondem ao Regulamento.
 
2)      Atos Subjetivos: são aqueles que se destinam a uma situação concreta, de um determinado sujeito.
 
 
 Ex.: Nomeação é um ato subjetivo.
 
3)      Atos Condição: é a manifestação de vontade que vai permitir que alguém se coloque sob a égide de uma regulamentação traçada pelo Poder Público.
 
Ex.: Posse \u2013 é um ato administrativo, mas também é um ato condição \u2013 o servidor coloca-se sob a égide de um estatuto, ou seja, um conjunto de normas estabelecidas unilateralmente pelo Poder Público e que poderão também ser modificadas, alteradas unilateralmente.
 
Alguns autores dizem que nas concessões, a adesão do concessionário às cláusulas do serviço é um ato condição.
 
O ato condição só gera direito adquirido se a pessoa já cumpriu os requisitos para a aquisição. Por não ser contrato, as condições poderão ser alteradas unilateralmente. É um regime legal. 
 
  
CLASSIFICAÇÃO EM RAZÃO DO REGRAMENTO: (é a mais importante)
 
 1)      Atos Vinculados:
São aqueles que têm todos os seus elementos pré-determinados na lei. Nenhum de seus elementos oferece margem de liberdade para apreciação do administrador. Cabe a este verificar se esses elementos estão presentes ou não. Se estiverem, o administrador estará obrigado a praticar o ato. Se faltar qualquer dos elementos, o administrador não poderá praticar o ato.
 
Ex.: aposentadoria do servidor, nomeação de cargo efetivo.
 
 
2)      Atos Discricionários:
Existem dois elementos (motivo e objeto) em que a lei oferece, na prática do ato, uma margem de opções ao administrador. Este irá fazer sua escolha de acordo com as razões de conveniência e oportunidade que lhe cabe analisar.
 
A discricionariedade não se incompatibiliza com a legalidade, pois somente existe discricionariedade se a lei concedê-la ao administrador. É necessário que haja previsão legal, que a própria lei tenha oferecido margem ao administrador.
 
Portanto, a discricionariedade resulta da lei. Ela só é legítima se estiver de acordo com o princípio da finalidade pública. Não pode o administrador, a pretexto de praticar ato discricionário, direcionar esse ato para finalidade diversa daquela expressa ou implicitamente prevista na lei, sob pena de representar ato abusivo \u2013 ato arbitrário.
 
Também não significa que o ato discricionário esteja imune ao controle jurisdicional. É certo que o Poder Judiciário não pode ingressar no chamado mérito ato administrativo discricionário que são as razões de conveniência e oportunidade que levam o administrador a praticar o ato. Não pode o Judiciário substituir por suas opções aquelas que legitimamente foram escolhidas pelo administrador. Não pode o Judiciário ingressar no mérito, pretender ingressar em escolhas que foram reservadas ao administrador. Pode o Judiciário examinar os motivos e o conteúdo (ou objeto) do ato, com finalidade de indagar se houve o legítimo exercício do ato discricionário ou ato abusivo, com desvio de finalidade.
 
Se demonstrado o desvio de finalidade, nada impede que o Judiciário proclame a nulidade do ato. Portanto, o controle do Judiciário é quanto ao regramento e quanto à disciplina legal.
 
CLASSIFICAÇÃO QUANTO À FORMAÇÃO:
  
1)      Atos simples: 
Resultam da manifestação de vontade de apenas um órgão público (Ex.: nomeação de um funcionário).
 
2)      Atos complexos:
Resultam da manifestação de vontade de mais de um órgão público (Ex.: nomeação de um Ministro do Tribunal Superior \u2013 o Tribunal elabora lista tríplice, que vai para o Presidente da República e , depois, para o Senado).
 
3)      Atos compostos:
São aqueles praticados por um órgão, mas que exigem a aprovação de outro órgão. Um pratica o ato e o outro confirma. O ato só produz efeito depois de aprovado pelo último órgão.
 
5. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
 
 
CARACTERÍSTICAS OU PECULIARIDADES DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS \u2013 
Presença de cláusulas exorbitantes:
1.      Alteração Unilateral por parte da Administração;
2.      Equilíbrio Econômico e Financeiro;
3.      Controle;
4.      Imposição de Penalidades;
5.      Impossibilidade do Particular Invocar a Exceção do Contrato não Cumprido;
6.      Rescisão Administrativa.
 
Contrato de atribuição e de colaboração
 
Rescisão Administrativa:
a)      por motivo de interesse público;
b)      falta do contratado;
c)      judicial;
d)      de pleno direito.
 
Causas Justificadoras da Inexecução:
a)      teoria da imprevisão;
b)      fato do Príncipe;
c)      fato da Administração;
d)      caso fortuito;
e)      força maior.
 
 
 A Administração Pública pode celebrar contratos regidos pelo Direito Privado (locação, compra e venda) e pode também celebrar contratos regidos pelo Direito Administrativo.
 
 Entre os atos bilaterais praticados pela Administração Pública e regidos pelo Direito Administrativo, vamos distinguir de um lado, CONSÓRCIOS e CONVÊNIOS e, de outro lado, os CONTRATOS ADMINISTRATIVOS.
 
 CONVÊNIOS E CONSÓRCIOS: neles, não existe a contraposição de interesses que caracteriza os contratos.
 Nos convênios, vamos encontrar uma delegação de competência, tendo em vista que são celebrados entre entidades de níveis diversos. Já nos consórcios, não existe a delegação de competência, mas tão somente a união de esforços de entidades que estão em um mesmo plano para solução de um problema comum.
 
 
 Os Contratos Administrativos vão caracterizar-se pela presença da Administração com as prerrogativas de Poder Público, visando a realização de uma obra, de uma aquisição, ou prestação de serviço público.
 
 A supremacia do Poder Público no Contrato Administrativo via caracterizar-se pela presença das chamadas cláusulas exorbitantes, que são assim chamadas por que exorbitam do direito comum. Não seriam admissíveis no contrato de direito privado, sendo consideradas abusivas (pacta sunt servanda).
 
 As cláusulas exorbitantes representam o reconhecimento da possibilidade da Administração instabilizar a relação jurídica.
 
 No Direito Privado, o que foi pactuado não se pode modificar, a não ser advindo circunstâncias especiais (rebus sic stantibus). Já nos Contratos Administrativos, pode o Poder Público alterar aquilo que foi pactuado, de modo unilateral, podendo até determinar a extinção do contrato antecipadamente por motivo de interesse público.
 
 
CLÁUSULAS EXORBITANTES
 
1.      Possibilidade de Alteração Unilateral por parte da Administração:
 A Administração Pública tem o dever de zelar pela eficiência dos serviços públicos e, muitas vezes, celebrado um contrato de acordo com determinados padrões, posteriormente, observa-se que estes não mais servem ao interesse público, quer no plano dos próprios interesses, quer no plano das técnicas empregadas. Essa alteração não pode sofrer resistência do particular contratado, desde que o Poder Público observe uma cláusula correlata, qual seja, o equilíbrio econômico e financeiro do contrato.
 
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