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Behaviorismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Behaviorismo (Behaviorism em inglês, de behaviour (RU) ou behavior (EUA): comportamento, conduta),
também designado de comportamentalismo, ou às vezes comportamentismo , é o conjunto das teorias
psicológicas que postulam o comportamento como o mais adequado objeto de estudo da Psicologia. O
comportamento geralmente é definido por meio das unidades analíticas respostas e estímulos investigadas pelos
métodos utilizados pela ciência natural chamada Análise do Comportamento. Historicamente, a observação e
descrição do comportamento fez oposição ao uso do método de introspecção.
Índice
1 Tipos de Behaviorismo
1.1 Behaviorismo Clássico
1.2 Neobehaviorismo Mediacional
1.2.1 Edward C. Tolman
1.2.2 Clark L. Hull
1.3 Behaviorismo Filosófico
1.4 Behaviorismo Metodológico
1.5 Behaviorismo Radical
2 Argumentos behavioristas
3 Críticas
4 Behavioristas famosos
5 Referências
6 Ver também
7 Ligações externas
Tipos de Behaviorismo
Como precedentes do Comportamentismo podem ser considerados
os fisiólogos russos Vladimir Mikhailovich Bechterev e Ivan
Petrovich Pavlov . Bechterev, grande estudioso de neurologia e
psicofisiologia, foi o primeiro a propor uma Psicologia cuja pesquisa
se basea no comportamento, em sua Psicologia Objetiva . Pavlov,
por sua vez, foi o primeiro a propor o modelo de condicionamento do
comportamento conhecido como reflexo condicionado, e tornou-se
conceituado com suas experiências de condicionamento com cães.
Sua obra inspirou a publicação, em 1913, do artigo Psychology as
the Behaviorist views it, de John B. Watson. Este artigo apresenta
uma contraposição à tendência até então mentalista (isto é,
internalista, focada nos processos psicologicos internos, como
memória ou emoção) da Psicologia do início do século XX, além de
ser o primeiro texto a usar o termo Behaviorismo. Também é o
primeiro artigo da vertente denominada Behaviorismo Clássico.
PB
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Ivan P. Pavlov
Behaviorismo Clássico
O Behaviorismo Clássico (também conhecido como Behaviorismo
Watsoniano, menos comumente Psicologia S-R e Psicologia da
Contração Muscular ) apresenta a Psicologia como um ramo
puramente objetivo e experimental das ciências naturais. A finalidade
da Psicologia seria, então, prever e controlar o comportamento de
todo e qualquer indivíduo.
A proposta de Watson era abandonar, ao menos provisoriamente, o
estudo dos processos mentais, como pensamento ou sentimentos,
mudando o foco da Psicologia, até então mentalista, para o
comportamento observável . Para Watson, a pesquisa dos
processos mentais era pouco produtiva, de modo que seria
conveniente concentrar-se no que é observável, o comportamento.
No caso, comportamento seria qualquer mudança observada, em um
organismo, que fossem consequência de algum estímulo ambiental
anterior, especialmente alterações nos sistemas glandular e motor. Por
esta ênfase no movimento muscular, alguns autores referem-se ao
Behaviorismo Clássico como Psicologia da Contração Muscular .
O Behaviorismo Clássico partia do princípio de que o comportamento era modelado pelo paradigma
pavloviano de estímulo e resposta conhecido como condicionamento clássico. Em outras palavras, para o
Behaviorista Clássico, um comportamento é sempre uma resposta a um estímulo específico. Esta proposta viria
a ser superada por comportamentalistas posteriores, porém. Ocorre de se referirem ao Comportamentismo
Clássico como Psicologia S-R (sendo S-R a sigla de Stimulus-Response (estímulo-resposta), em inglês).
É importante notar, porém, que Watson em momento algum nega a existência de processos mentais. Para
Watson, o problema no uso destes conceitos não é tanto o conceito em si, mas a inviabilidade de, à época,
poder analisar os processos mentais de maneira objetiva. De fato, Watson não propôs que os processos
mentais não existam, mas sim que seu estudo fosse abandonado, mesmo que provisoriamente, em favor do
estudo do comportamento observável. Uma vez que, para Watson, os processos mentais devem ser ignorados
por uma questão de método (e não porque não existissem), o Comportamentismo Clássico também ficou
conhecido pela alcunha de Behaviorismo Metodológico.
Watson era um defensor da importância do meio na construção e desenvolvimento do indivíduo. Ele acreditava
que todo comportamento era consequência da influência do meio, a ponto de afirmar que, dado algumas
crianças recém-nascidas arbitrárias e um ambiente totalmente controlado, seria possível determinar qual a
profissão e o caráter de cada uma delas. Embora não tenha executado algum experimento do tipo, por razões
óbvias, Watson executou o clássico e controvertido experimento do Pequeno Albert, demonstrando o
condicionamento dos sentimentos humanos através do condicionamento responsivo.
Neobehaviorismo Mediacional
O Behaviorismo Clássico postulava que todo comportamento poderia ser modelado por conexões S-R;
entretanto, vários comportamentos não puderam ser modelados desta maneira. Em resposta a isso, vários
psicólogos propuseram modelos behavioristas diferentes em complemento ao Behaviorismo Watsoniano.
Destes podemos destacar Edward C. Tolman, primeiro psicólogo do comportamentalismo tradicionalmente
chamado Neobehaviorismo Mediacional.
Edward C. Tolman
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Tolman publicou, em 1932, o livro Purposive behavior in animal and men. Nessa obra, Tolman propõe um
novo modelo behaviorista se baseando em alguns princípios dissoantes perante a teoria watsoriana. Esse
modelo apresentava um esquema S-O-R (estímulo-organismo-resposta) onde, entre o estímulo e a resposta, o
organismo passa por eventos mediacionais, que Tolman chama de variáveis intervenientes (em oposição às
variáveis independentes, i. e. os estímulos, e às variáveis dependentes, i. e. as respostas). As variáveis
intervenientes seriam, então, um componente do processo comportamental que conectaria os estímulos e as
respostas, sendo os eventos mediacionais processos internos.
Baseado nesses princípios, Tolman apresenta uma teoria do processo de aprendizagem sustentada pelo
conceito de mapas cognitivos, i. e., relações estímulo-estímulo, ou S-S, formadas nos cérebros dos
organismos. Essas relações S-S gerariam espectativas no organismo, fazendo com que ele adote
comportamentos diferentes e mais ou menos previsíveis para diversos conjuntos de estímulos. Esses mapas
seriam construídos através do relacionamento do organismo com o meio, quando observa a relação entre vários
estímulos. Os processos internos que permitem a criação de um mapa mental entre um estímulo e outro são
usualmente chamados gestalt-sinais.
Como se vê, Tolman aceitava os processos mentais, assim como Watson, mas, ao contrário desse,
efetivamente os utilizava no estudo do comportamento. O próprio Tolman viria a declarar que sua proposta
behaviorista seria uma reescrita da Psicologia mentalista em termos comportamentalistas. Tolman também
acreditava no caráter intencional do comportamento: para ele, todo comportamento visa alcançar algum
objetivo do organismo, e o organismo persiste no comportamento até o objetivo ser alcançado. Por essas duas
características de sua teoria (aceitação dos processos mentais e proposição da intencionalidade do
comportamento como objeto de estudo), Tolman é considerado um precursor da Psicologia Cognitiva.
Clark L. Hull
Em 1943, a publicação, por Clark L. Hull, do livro Principles of Behavior marca o surgimento de um novo
pensamento comportamentalista, ainda baseada o paradigma S-O-R, que viria a se opor ao behaviorismo de
Tolman.
Hull, assim como Tolman, defendia a idéia de uma análise do comportamento baseada na idéia de variáveis
mediacionais; entretanto, para Hull, essas variáveis mediacionais eram caracterizadamente intra-organísmicas,
i. e., neurofisiológicas. Esse é o principal ponto de discordância entre os dois autores: enquanto Tolman
efetivamente trabalhava com conceitos mentalistas como memória, cognição etc., Hull rejeitava os conceitos
cognitivistas em nome de variáveis mediacionais