Estatais
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e oportunidade. Quando motivo e objeto são discricionários, o ato será discricionário; quando são vinculados, o ato será vinculado.
Os atos discricionários são aqueles nos quais a lei viabiliza para o administrador a oportunidade de avaliação dos critérios de conveniência e oportunidade, havendo 2 ou mais alternativas legítimas a serem adotadas, mediante a valoração dos elementos motivo e objeto. Assim quando o administrador ultrapassar o limite fixado em lei, o ato discricionário será nulo, passível de controle judicial.
No caso de ato vinculado, qualquer outro motivo que não o previsto em lei acarreta a nulidade do ato, inclusive o insuficiente, o inadequado e o falso.
Cumpre ressaltar que, em princípio, não se admite o controle judicial dos motivos dos atos discricionários (o \u201cmérito administrativo\u201d), sob pena de violação ao princípio da separação entre os poderes, na medida em que o Judiciário não pode pretender substituir a sua análise de mérito ao mérito administrativo.
Entretanto, segundo Diogo de Figueiredo, o motivo discricionário deve ser sempre razoável para justificar a atuação administrativa, relativamente aos objetivos pretendidos. Logo, também anulará o ato, embora discricionário quanto aos motivos, uma evidente inoportunidade ou uma manifesta inconveniência, das quais possam resultar graves danos ao interesse público. Assim como, ainda que discricionários, os motivos não poderão ser falsos, insuficientes ou inadequados, sendo certo que, uma vez comprovados tais vícios, o ato administrativo também deverá ser declarado nulo.
Alienação de bens públicos. Afetação, desafetação.
Chama-se afetação a destinação fática ou jurídica de um bem a uma utilização de interesse público, o que o caracterizará como bem público de uso comum ou de uso especial.
Assim, podem ser afetados os bens particulares, os bens dominicais e as coisas de ninguém apropriáveis, sendo que os bens de uso especial admitem mais um grau de afetação, ao uso comum de todos.
Por desafetação entende-se a redução ou extinção, fática ou jurídica, da utilização de interesse público de um determinado bem.
A afetação se dá em 2 graus: num 1o grau, alça-se o bem desafetado a bem público de uso especial; num 2o grau, a bem público de uso comum. Assim como a desafetação também se dá em 2 graus: a bem de uso especial e a bem dominical.
Observe-se que tanto a afetação, quanto a desafetação podem se efetivar por um fato jurígeno ou por um ato jurídico. Ex: construção de obra pública em terreno particular: há ilicitude, em razão da desapropriação irregular, porém a afetação prevalece; fenômeno da natureza que retirasse totalmente a serventia de um edifício público: desafetação por fato jurígeno.
Alienação de bens públicos:
A alienação é o gênero que engloba todas as formas de disposição extrema do domínio, transferindo um bem, definitivamente ou por um lapso de tempo, a terceiros, neste caso, com sujeição a termo ou condição (domínio resolúvel).
De acordo com o art 101 do CC/02, apenas os bens públicos dominicais podem ser alienados.
A alienação dos bens imóveis da União, dos Estados e dos Municípios se rege pela Lei 9253/95, disciplinando as condições em que se flexibiliza o princípio da inalienabilidade diante do interesse público caracterizado.
Em princípio, somente os bens desafetados, fática ou juridicamente, podem ser alienados.
Atenção: Enquanto afetado a um interesse público específico, o bem é inalienável sob o regime privado, embora possa sê-lo sob o regime público, desde que ocorra mutação de um interesse público específico por outro, inclusive admitindo a imposição de ônus reais administrativos, que resultem no atendimento concomitante de outro interesse público específico.
A outorga legislativa de autorização consiste no reconhecimento da legitimidade da desafetação do bem público imóvel, e é condição para a sua alienação. Essa outorga pode ser dispensada quando se tratar de bens dominicais, já que são, por definição, inafetados a um uso público.
É necessário que a execução da alienação atenda à isonomia dos administrados interessados na aquisição de bens públicos desafetados, o que se faz pela avaliação do bem e pela abertura de um processo licitatório, compatível com o valor estimado do bem (art 37, XXI CF).
Modalidades de alienação de bens públicos:
A alienação pode se dar pelas seguintes formas contratuais:
venda: transfere o domínio por via contratual, que é o contrato de compra e venda, na forma do direito privado;
doação: também vem do direito privado. Hoje foi substituída, com vantagem, pela concessão de direito real de uso;
permuta: também vem do direito privado. Pode ser feita por valor total ou com torna, prescindindo de licitação;
dação em pagamento: modalidade de extinção de obrigações que, com o consentimento do credor, pode ser usada pela Adm desde que autorizada por lei. O consentimento do credor dispensa a necessidade de licitação;
investidura: é modalidade pública de acessão de um bem público imóvel a outro bem, privado ou público. Para o Dto Adm, são acessíveis compulsoriamente os terrenos remanescentes de obra pública que se tornem inaproveitáveis isoladamente. Também são desnecessárias a autorização legislativa e a licitação, sendo obrigatória apenas a avaliação para fixar a indenização devida ao Poder Público pelo proprietário do bem que recebe a investidura;
incorporação: é modalidade de transferência de domínio através da qual bens públicos são destinados à constituição de patrimônio de empresas estatais, com ou sem desafetação. É suficiente a autorização legal (art 37 XIX e XX da CF).
Além dessas, devem ser consideradas as transferências de domínio causadas por fenômenos naturais, compatíveis com o princípio da inalienabilidade, como a avulsão e o álveo abandonado.
A CF veda a aquisição de bens públicos por usucapião, quer se trate de imóveis urbanos (art 183 §3o), quer de rurais (art 191, p. único).