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Curso Via Satélite Damásio de Jesus 
 
PRÁTICA TRABALHISTA 
Prof. André Veneziano 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agosto/2007 
 
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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 
 
Conceito 
O Direito Processual é o conjunto de princípios, regras e instituições destinadas 
a regular as atividades dos órgãos jurisdicionais nas soluções dos litígios 
trabalhistas, individuais ou coletivos. 
 
 
Fontes 
As normas de Direito Processual do Trabalho estão na Constituição Federal em 
seus artigos 111 a 116 e na Consolidação das Leis do Trabalho em seus 
artigos 643 a 910, além da aplicação subsidiária do Processo Civil no que for 
compatível e leis esparsas sobre o processo trabalhista, como a Lei 
5.584/1970, que trata da assistência judiciária, o Decreto-Lei 779/1969, que 
trata das normas processuais para entidades de Direito Público, a Lei 
7.701/1988, que trata da competência do Tribunal Superior do Trabalho para 
recursos e funcional. 
 
Também representam importante papel a Jurisprudência (decisões reiteradas 
dos Juízes e Ministros dos diversos Tribunais do Trabalho). 
 
Classificação dos conflitos trabalhistas (dissídios) 
 
1) Quanto às partes: 
- individuais: conflitos existentes entre uma ou mais pessoas de um lado e uma 
ou mais pessoas de outro, postulando direitos relativos ao próprio indivíduo. 
Nos dissídios individuais discutem-se direitos concretos decorrentes de normas 
jurídicas ou convencionais já existentes. Exemplos: reclamações trabalhistas, 
inquérito para apuração de falta grave, ação rescisória etc. 
- coletivos: conflitos existentes entre sindicatos, ou entre sindicatos e empresas 
ou grupos de empresas. Nos dissídios coletivos discutem-se direitos abstrato, 
pertinentes a toda uma categoria. 
 
 
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2) Quanto aos efeitos da sentença: 
- declaratórios: apreciação da existência ou inexistência de relação jurídica; 
- constitutivos: criam, modificam ou extinguem determinado direito; 
- condenatórios: que envolvem obrigações de dar, de fazer ou de não fazer. 
 
Competência da Justiça do Trabalho 
O estudo da competência é de cabal importância para que se saiba endereçar 
corretamente uma peça jurídica à Vara ou ao Tribunal. Mas previamente é 
preciso analisar o que vem a ser jurisdição e competência: 
- Jurisdição: a palavra vem do latim juris (direito) e dictio (dizer). Jurisdição, 
portanto, é o poder-dever do Estado de dizer o direito através do magistrado, 
ou seja, é o poder do magistrado de dizer o direito nos casos concretos a ele 
submetidos. É a atuação do juiz. 
- Competência: é a parcela da jurisdição que é dada a cada magistrado, seja 
por decorrência da área geográfica, seja em decorrência da matéria que a ele é 
submetida. É a delimitação do poder jurisdicional. 
 
Através do julgamento de dissídios coletivos, a Justiça do Trabalho tem o poder 
de estabelecer regras e condições de trabalho. Com isso, detém verdadeiro 
poder legislativo, neste caso chamado de Competência Normativa e, que é 
excepcionalmente atribuído ao Judiciário Trabalhista. 
 
Competência da Justiça do Trabalho após a EC 45/2004: 
Com o advento da Emenda Constitucional nº 45, de 08/12/2004, a competência 
da Justiça do Trabalho foi ampliada, passando o artigo 114 da CF/88 a ter a 
seguinte redação: 
 
- Competência em razão da matéria: é delimitada em razão da natureza 
jurídica material deduzida em juízo, ou seja, é fixada em decorrência da causa 
de pedir e do pedido, mesmo que a decisão de mérito prolatada envolver a 
aplicação de normas de direito civil ou de outros ramos jurídicos. 
Portanto será competente em razão da matéria a Justiça do Trabalho quando a 
lide versar sobre: 
 
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I- relação de trabalho (ou seja, não é preciso ser empregado, basta ter 
efetuado um trabalho para alguma pessoa física ou jurídica que estará 
configurada a competência da Justiça do Trabalho para decidir a lide) 
ressalvados os conflitos em que figure como parte servidores públicos 
estatutários (ADIn nº 3.395); 
II - ações que envolvam exercício do direito de greve (desde o dano provocado 
ao patrimônio de terceiros até a honra e a vida se decorreu do exercício de 
greve); 
III - representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e 
entre sindicatos e empregadores (mesmo conflitos entre sindicatos pela base 
territorial que antes eram discutidos na Justiça Comum agora são de 
competência da Justiça do Trabalho); 
IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato 
questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição (se a autoridade coatora 
for o magistrado essas peças devem ser encaminhadas para o Tribunal 
Regional do Trabalho); 
V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, exceto 
os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer 
tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal, 
que são de competência do STF segundo o artigo 102, I, \u201co\u201d da CF); 
VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da 
relação de trabalho (neste inciso consolidou-se o posicionamento a respeito da 
Justiça do Trabalho ser competente para julgar pedido de dano moral); 
VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos 
empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho (agora 
caso o empregador queira discutir sobre eventuais multas aplicadas por 
exemplo pelas Delegacias Regionais do Trabalho terá que fazê-lo na Justiça do 
Trabalho); 
VIII - execução, de ofício, das contribuições sociais decorrentes das sentenças 
que proferir (novamente a emenda buscou consolidar o que vinha sendo 
empregado na Justiça Laboral com relação à execução das contribuições 
devidas ao INSS); e 
 
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IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei 
(esse inciso demonstra a quão ampla ficou a competência material da Justiça 
do Trabalho depois da EC 45, pois qualquer outro tipo de relação de trabalho 
que não estiver englobada no oito incisos anteriores será fundamentado neste 
aqui). 
 
- Competência em razão das pessoas: é fixada em virtude da qualidade da 
parte que figura na relação jurídica processual. Competência que também foi 
ampliada pela EC 45, pois podem demandar na Justiça do Trabalho além dos 
trabalhadores tutelados pelo direito material do trabalho, ou seja, aqueles que 
são alcançados pelo artigo 7º, \u201ccaput\u201d da CF, os sindicatos, os entes de direito 
público externo (empregados de embaixadas), os órgãos Administração 
Pública Direta, Autárquica ou Fundacional da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, e a União quando ajuizar ações relativas às 
penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de 
fiscalização das relações de trabalho. 
 
- Competência territorial ou em razão do lugar: é a competência 
determinada: 
a) regra geral: pelo último local onde o trabalhador prestou serviços ao 
empregador (artigo 651, \u201ccaput\u201d, CLT) ainda que tenha sido contratado em 
outro local ou no estrangeiro; ou 
b) quando for parte no dissídio agente ou viajante comercial: pela localidade 
onde a empresa tenha agência ou filial desde que a esta o empregado esteja 
subordinado (artigo 651, § 1º); ou 
c) se na falta de agência ou filial: pela localidade onde o empregado tenha 
domicílio ou pela localidade mais próxima (artigo 651, § 1º, parte final); ou 
d) quando o empregado for brasileiro e prestar serviços em agências ou filiais 
no estrangeiro: pelas localidades mencionadas nas letras \u201cb\u201d e \u201cc\u201d acima, caso 
não haja convenção internacional dispondo em contrário (artigo 651, § 2º) 
(neste caso, embora a ação seja processada e julgada na Vara do Trabalho, 
terá como direito material a legislação aplicada no país da prestação dos 
serviços); ou 
 
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e) quando o empregador promover a realização de atividades fora do local do 
contrato
Marcius
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conceção coletiva onde a categoria econômica não são filiadas ao sindicato envolvido na negociação
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