CAPÍTULO 3 - MODOS DE TRANSMISSÃO
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CAPÍTULO 3 - MODOS DE TRANSMISSÃO


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CAPÍTULO III - MODOS DE TRANSMISSÃO
1. INTRODUÇÃO
	A linha de comunicação é o meio que transporta a mensagem em um sistema de comunicação de dados. Freqüentemente, o meio utilizado é uma linha telefônica (discada ou dedicada). Ou seja, na maioria dos casos, utilizamos a Rede Telefônica - aproveitando seu alcance e flexibilidade - como meio de transmissão para a rede de comunicação de dados.
	No design de um sistema de processamento de dados devemos definir se a linha deve transmitir os dados em uma direção apenas ou em ambas. Se a transmissão for em ambas direções, precisamos definir se a transmissão pode ser feita simultaneamente nas duas direções. Ainda, temos outras considerações a fazer no tocante a:
	- Transmissão serial/paralela;
	- Transmissão síncrona/assíncrona;
	
	Neste item, definiremos as várias opções de definição do tipo de transmissão.
2. TRANSMISSÃO SIMPLEX
	Um canal simplex é aquele em que as transmissões de dados são unidirecionais; ou seja, as informações podem ser enviadas somente em uma direção (note que uma linha de comunicação pode possuir um ou mais canais de comunicação). Transmissões de emissoras de rádio e TV são um exemplo de transmissão simplex, a informação sempre flui no sentido emissora ( receptor. As figuras 3.1 e 3.2 ilustram a idéia de um sistema simplex.
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Figura 3.1 - Exemplo de Transmissão Simplex.
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Figura 3.2 - Exemplo de Transmissão Simplex.
3. TRANSMISSÃO HALF-DUPLEX
	No modo half-duplex podemos ter transmissão de dados em ambos os sentidos, porém não simultaneamente. Ou seja, teremos informações sendo transmitidas ora em um sentido ora em outro. Assim, neste sistema, os equipamentos envolvidos devem ser capazes tanto de transmitir quanto de receber.
	Um exemplo bastante simples de um sistema half-duplex é uma conversa entre duas pessoas educadas, onde um fala de cada vez. As figuras 3.3 e 3.4 mostram outros exemplos de sistemas half-duplex.
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Figura 3.3 - Exemplo de Sistema Half-Duplex.
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Figura 3.4 - Exemplo de Sistema Half-Duplex.
	Uma característica importante no sistema half-duplex é o tempo de reversão do sentido de transmissão (system turnaround time). O turnaround time do sistema é a combinação do tempo de reação, tempo que o operador (ou equipamento) leva para reconhecer o fim da transmissão, e o tempo de reversão da linha, tempo gasto para chavear o sistema de forma a permitir a transmissão em sentido reverso (tempo de mudança das chaves da figura 3.4 para as posições R - sala A - e T - sala B). O tempo de reversão do sistema (system turnaround time) pode influir no desempenho global do sistema, dependendo das características do mesmo; devendo, neste caso, ser considerado nos cálculos.
4. TRANSMISSÃO FULL-DUPLEX
	No modo de transmissão full-duplex podemos ter fluxo de informações em ambos os sentidos simultaneamente. Usualmente, um canal transporta informação em um sentido enquanto o outro transporta informação em sentido reverso. Desta forma, os equipamentos envolvidos devem ser capazes de receber e transmitir dados simultaneamente. As figuras 3.5 e 3.6 ilustram a idéia de sistemas full-duplex.
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Figura 3.5 - Exemplo de Sistema Full-Duplex.
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Figura 3.6 - Exemplo de Sistema Full-Duplex.
	Vale a pena comentar que, as vezes, os equipamentos do sistema permitem a implantação de um modo full-duplex; mas, por limitação dos operadores, a transmissão não é efetivamente full-duplex. Isto acontece pois, possivelmente, o operador não conseguirá interpretar a mensagem que está chegando e transmitir sua mensagem simultaneamente. Neste caso, o tempo de reação (definido anteriormente) continua existindo. No entanto, o tempo total de reversão do sistema é sensivelmente reduzido, uma vez que o tempo de reversão da linha é eliminado.
	Em muitas aplicações temos dados fluindo em uma determinada direção e sinais de controle fluindo em outra. Ainda, muitas vezes, temos capacidades de transmissão diferentes para cada um dos canais (por exemplo, podemos ter uma taxa de 1.200 BPS em uma direção e uma taxa de 75 BPS em outra).
5. OPERAÇÃO A DOIS FIOS E QUATRO FIOS
	Operação a dois fios, como o próprio nome indica, envolve um meio de transmissão com dois fios (um sinal e uma referência) ou uma configuração que seja equivalente a termos somente dois fios (vide figura 3.4). Da mesma forma, uma operação a 4 fios envolve um meio de transmissão com 4 fios (vide figura 3.6) ou alguma configuração equivalente.
	Na operação a dois fios podemos ter transmissões half-duplex ou full-duplex. Para operações full-duplex, os sinais trafegando em direções opostas devem ocupar \u201cespaços\u201d diferentes no espectro de freqüência, de forma que não haja interferência de um sinal no outro. Em se utilizando a Rede Pública de Telefonia, a operação full-duplex a dois fios só é possível para transmissões a baixas velocidades (1200 bps, 2400 bps, por exemplo). Assim, para trabalharmos a altas velocidades no modo full-duplex necessitamos, geralmente, de um circuito a 4 fios (OBS: Hoje, já começam a surgir MODEMs nacionais trabalhando no padrão CCITT V.32, que opera a 9600 bps full-duplex a dois fios).
	Com operação a 4 fios, os sinais que propagam em direções opostas utilizam-se de meios físicos separados. Desta forma, eles podem ocupar o mesmo \u201cespaço\u201d no espectro de freqüência. Por termos meios físicos independentes, a operação a quatro fios provê um maior grau de isolação entre as informações, mas, também, possuem um custo mais elevado.
6. TRANSMISSÃO PARALELA E TRANSMISSÃO SERIAL
	Dados digitais podem ser enviados sobre linhas de comunicação no modo serial ou no modo paralelo. O fluxo de dados, normalmente, é dividido em caracteres, que por sua vez são compostos de bits. Os dados podem ser transmitidos de forma serial por caracter e serial por bit (denominado transmissão serial) ou de forma serial por caracter e paralela por bit (denominado transmissão paralela).
6.1. TRANSMISSÃO PARALELA
	Para exemplificar, suponha que os caracteres da mensagem são compostos de 8 bits. Em uma transmissão paralela, os 8 bits de cada caracter são transmitidos simultaneamente. A figura 3.7 ilustra esta transmissão.
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Figura 3.7 - Transmissão Paralela.
	Este tipo de transmissão, se por um lado possui a vantagem de não necessitar de um circuito para decidir a que caracter pertence cada bit que chega, por outro tem a desvantagem de necessitar de vários caminhos de comunicação (OBS: existem sistemas em que cada bit é representado por um tom, e a transmissão paralela pode ser feita sobre uma única linha).
	A transmissão paralela é freqüentemente utilizada para comunicação entre um computador e seus periféricos, uma vez que este tipo de transmissão permite que se faça transferência de dados a altas taxas. Em comunicações onde distâncias maiores são envolvidas, normalmente utiliza-se a comunicação serial.
6.2. TRANSMISSÃO SERIAL
	Este é o método de transmissão mais comumente utilizado em Redes de Comunicação de Dados. Aqui, os bits de cada caracter são transmitidos um a um, como mostrado na figura 3.8.
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Figura 3.8 - Transmissão Serial.
	Note que, neste caso, o receptor deve ser capaz de remontar os caracteres.
	O receptor de uma transmissão serial apresenta dois problemas no tocante a sincronismo: alcançar o sincronismo a nível de bit e a nível de caracter.
6.3. SINCRONISMO A NÍVEL DE BIT
	O receptor deve ser capaz de interpretar corretamente o padrão de bits gerado pela fonte. Assim, o receptor deve saber em que instantes ele deve \u201colhar\u201d para a linha, de forma a pode \u201cler\u201d os bits que estão chegando. Para superar este problema podemos colocar um circuito de clock em cada extremidade da linha, como mostra a figura 3.9.
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Figura 3.9 - Circuito de clock para obter sincronismo de bit.
	O clock da fonte indica a freqüência com que os bits são colocados