Apostila Contabilidade Geral Completa
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Apostila Contabilidade Geral Completa


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compra, consumo, investimen-
tos etc. 
 
11.3 PRINCÍPIOS 
 
Os princípios são regras e normas geralmente aceitas, sujeitas a mutações ao longo do 
tempo, de acordo com as novas exigências do mercado. São reconhecidos pela ONU e 
possuem aceitação universal. 
 
11.3.1 Denominador Comum Monetário 
 
Sendo os componentes do Patrimônio de natureza diversa, é fundamental que todos 
sejam quantificados numa mesma unidade monetária, para que possam fazer parte de 
um mesmo relatório. A Contabilidade tem como princípio, a quantificação por valor, na 
moeda do país do local da entidade. Assim, se uma empresa brasileira contrai uma 
dívida em dólares, deverá contabilizá-la em reais na escrituração comercial, apesar de 
manter um controle extra-contábil em dólares. 
 
11.3.2 Competência 
 
Consiste no fato de que as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do 
resultado da empresa do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando 
se relacionarem, independentemente de pagamento ou recebimento. Uma receita é 
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considerada realizada no momento em que os bens ou serviços são fornecidos pela 
empresa a seu cliente, independente do recebimento do valor correspondente à venda. 
Uma despesa é considerada incorrida no momento em que ocorra o consumo de bens 
ou a utilização de serviços, independentemente do pagamento do valor devido. 
 
11.3.3 Custo Histórico como Base de Valor 
 
Determina que componentes do Patrimônio devam ser registrados pelos valores origi-
nais das transações, ou seja, pelo valor da aquisição (valor de entrada dos bens, direi-
tos e obrigações), evitando eventuais subjetividades de avaliações dos itens movimen-
tados. 
 
11.4 CONVENÇÕES 
 
Reconhecidas pela ONU e aceitas universalmente, as convenções são restrições aos 
princípios, sujeitas a mutações, objetos de inúmeros estudos, que visam averiguar sua 
validade prática no campo contábil. 
 
11.4.1 Objetividade 
 
O contador deve ser objetivo. Quando efetuar uma escrituração de um fato, ele precisa 
alicerçar-se de elementos objetivos, visando tirar o máximo possível de subjetividade 
no lançamento contábil. O valor deve ter um documento hábil que avalize o lançamen-
to. O objeto deve ser passível de mensuração, e o contador não deve imprimir marca 
pessoal na avaliação do objeto. 
 
11.4.2 Conservadorismo ou Prudência 
 
Determina a adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os 
do Passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para o registro 
contábil. Isto, é claro, resulta na obtenção do menor Patrimônio Líquido. A aplicação 
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desta convenção não deve, todavia, levar a excessos ou a situações classificáveis co-
mo manipulações do resultado. 
 
11.4.3 Materialidade 
 
Esta convenção está ligada basicamente à análise do custo/benefício da informação. O 
contador deve sempre buscar a exatidão numérica no lançamento, desde que o custo 
dessa exatidão não seja prejudicial a empresa. Valores grandes e relevantes devem ter 
análise muito mais acurada do que os valores pequenos, que podem ser tratados de 
forma mais simples e resumida. De nada adianta, por exemplo, detalhar na Contabili-
dade as despesas de cafezinho, quando às vezes tenho a mensuração do estoque feita 
de forma inadequada. 
 
11.4.4 Consistência ou Uniformidade 
 
Esta convenção diz que, depois que o contador adotou determinado critério de avalia-
ção de um ativo ou passivo, ele deverá adotar esse critério consistentemente ao longo 
dos anos. Deve aplicar esse critério uniformemente no tempo. A possibilidade de mu-
dança de critério adotado é possível, desde que seja evidenciado em nota explicativa e 
que as mudanças efetuadas não sejam de forma nitidamente repetitiva. 
 
 
 
 
 
Capítulo 12 \u2013 Plano de Contas  Prof. Moreira 
 
 
 
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CAPÍTULO 12 
PLANO DE CONTAS 
 
12.1 INTRODUÇÃO 
 
O Plano de Contas é o agrupamento ordenado de todas as contas que serão utiliza-
das pela Contabilidade de uma empresa, sendo indispensável para o registro de todos 
os fatos contábeis e servindo como parâmetro para a elaboração das demonstrações 
contábeis. 
 
Em outras palavras, o Plano de Contas é o instrumento que o profissional consulta 
quando vai fazer o lançamento contábil, pois indica qual conta deve ser utilizada. 
 
O Plano de Contas constitui-se num conjunto de normas, do qual deve fazer parte ain-
da, o Manual de Contas (descrição do funcionamento de cada conta, com comentários 
e indicações gerais sobre a aplicação e o uso de cada uma delas). 
 
Cada empresa terá seu próprio Plano de Contas, de acordo com sua atividade e seu 
tamanho (micro, pequena, média ou grande). Não há razão, por exemplo, para uma 
empresa prestadora de serviços ter uma conta de Estoque em seu Ativo Circulante, 
pois, normalmente, ela não realizará operações com mercadorias. Portanto, na elabo-
ração do Plano de Contas, o contador deverá fazer constar as contas que serão movi-
mentadas pela contabilidade em decorrência das operações da empresa ou, ainda, 
contas que, embora não movimentadas no presente, possuem perspectiva de serem 
utilizadas no futuro. 
 
O Plano de Contas não deve ser inflexível, mas sim permitir alterações ao longo do 
tempo, de acordo com a evolução da empresa. Esta flexibilidade é a capacidade de o 
Plano de Contas poder absorver novas contas durante o exercício social. Isto se faz 
Capítulo 12 \u2013 Plano de Contas  Prof. Moreira 
 
 
 
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necessário porque, muitas vezes, ocorrem fatos não-previstos por ocasião da sua ela-
boração, tais como: criação de novos tributos, lançamentos de novos produtos etc. 
 
Na elaboração do Plano de Contas, devem ser levados em conta três objetivos: 
 
\u2022 Atender as necessidades de informação da administração; 
\u2022 Observar a Lei 6.404/76, que regula a elaboração do Balanço Patrimonial e das 
demais demonstrações contábeis; 
\u2022 Não ser excessivamente diferente dos modelos usualmente utilizados, visando 
adaptar-se às exigências dos agentes externos à empresa e particularmente, às 
regras da legislação do Imposto de Renda. 
 
12.2 CODIFICAÇÃO DAS CONTAS 
 
O Plano de Contas é numerado ou codificado de forma racional. A codificação das con-
tas é elemento indispensável para contabilização através de processos eletrônicos. O 
critério que iremos utilizar é o seguinte: 
 
X. X. X. XX 
 
 
 
 
 
 
Conta: 1.3.2.01 \u2013 Terrenos 
 
1. 3. 2. 01 
 
 
 
 
 
4º Grau: (dois dígitos que indicam a conta objeto de lançamento) 
3º Grau: (um dígito que indica o subgrupo) 
2º Grau: (um dígito que indica o grupo) 
1º Grau: (um dígito que indica a estrutura) 
4º Grau: Terrenos 
3º Grau: Imobilizado 
2º Grau: Ativo Permanente 
1º Grau: Ativo 
Capítulo 12 \u2013 Plano de Contas  Prof. Moreira 
 
 
 
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12.3 DENOMINAÇÃO DAS CONTAS 
 
A denominação de uma conta deve ser adaptada à atividade específica de cada em-
presa. Entretanto, torna-se imprescindível a adequada denominação das mesmas, pelo 
fato de que as demonstrações contábeis não são de utilização apenas da própria em-
presa; são também analisadas por auditores, fornecedores, instituições financeiras, 
Fisco etc. 
 
Denominações do tipo \u201cDespesas Gerais\u201d ou \u201cDespesas Diversas\u201d devem ser evitadas 
tanto quanto possível, pois geram o agrupamento em uma só conta de fatos diversos 
que deveriam estar registrados em contas específicas.