ME - Apostila geral
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DisciplinaMateriais Elétricos para Engenharia Elétrica78 materiais193 seguidores
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em que a corrente elétrica deve circular com as menores perdas de energia possíveis (tal 
como em elementos de ligação entre aparelhos, dispositivos, etc.), ou ainda, como elementos de circuitos que devem 
dar origem a uma segunda forma de energia por transformação elétrica (tal como em bobinas eletromagnéticas). 
 Os materiais do segundo grupo destinam-se, por um lado, à transformação de energia elétrica em térmica (tal 
como em fornos elétricos) e, por outro lado, para criar certas condições num circuito elétrico, destinadas a provocar 
quedas de tensão e limitação de corrente para se obter um ajuste às condições mais adequadas ao circuito. Estes dois 
últimos casos são desempenhados por componentes de circuitos chamados resistores. 
Resistor é o componente eletrônico mais simples, mais comum e mais barato de um circuito. Este componente 
não armazena energia, apenas a dissipa na forma de calor. Dependendo de como estão conectados a um circuito, são 
elementos destinados à queda de tensão ou ao desvio de corrente. O valor de sua resistência, dado em Ohms (\u2126), e 
sua tolerância (erro percentual mínimo e máximo) são indicados no seu corpo através de duas maneiras: 
1) Código de cores: este sistema utiliza faixas pintadas no corpo do resistor a partir de uma extremidade, com as 
equivalências numéricas dadas na Tab. 1.2.1. As duas primeiras faixas (X e Y na Tab. 1.2.1) formam uma 
dezena, sendo a primeira (X) correspondente ao algarismo de maior ordem do valor ôhmico (1o dígito da dezena) e 
a segunda (Y) correspondendo ao 2o dígito da dezena. A terceira faixa indica o número de zeros, isto é, 
corresponde a multiplicar a dezena formada pelas duas primeiras cores por 10Z, sendo Z o número correspondente 
à cor dada na Tab. 1.2.1. Desse modo, o valor ôhmico do resistor será dado por: XY x 10Z \u2126. A quarta cor 
corresponde à tolerância do resistor: cor ouro para 5%, cor prata para 10% e incolor para 20%, sendo que os de 
maior precisão, de 1% ou menos, vem geralmente impresso. A potência destes tipos de resistores refere-se ao 
tamanho físico dos mesmos (maior tamanho, maior potência), variando de 1/8 a 2 W. 
Exemplo: para a seqüência de cores a partir de uma extremidade: amarela-violeta-laranja-prata, corresponde 
ao valor ôhmico 47 k\u2126, com tolerância de 10% (para se saber sua potência, deve-se observar o seu tamanho e 
determiná-la com auxílio de uma tabela que descreva a relação tamanho-potência). 
CAPÍTULO 1: Materiais condutores 
8 
 
Cores X,Y Z Cores X,Y Z Cores X,Y Z 
preto 0 0 amarelo 4 4 cinza 8 - 
marrom 1 1 verde 5 5 branco 9 - 
vermelho 2 2 azul 6 6 ouro - -1 
laranja 3 3 violeta 7 7 prata - -2 
Tab. 1.2.1: Código de cores para leitura do valor de resistores 
 
2) Diretamente impresso: este sistema utiliza a impressão direta do valor ôhmico no corpo do resistor e é usado 
geralmente em resistores de maior potência (>2W). Consiste na impressão de dígitos numéricos combinados com 
uma letra (R para ohms, K para quiloohms, e M para megaohms) para indicar um multiplicador, sendo que a 
posição da letra pode indicar a posição da vírgula no valor ôhmico. Exemplos: 470R = resistor de 470\u2126; 4K7 = 
resistor de 4,7 k\u2126; 47K = resistor de 47 k\u2126. A potência (até 50 W) e a tolerância (até 20%) deste tipo também vem 
impressa no corpo do resistor. São geralmente fabricados com fios de ligas metálicas resistivas. 
Os resistores são produzidos comercialmente nas especificações de 1/20, 1/10, 1/8, 1/4, 1/2, 1, 2, 3, 5, 10, 15, 
20, 25 e 50 W. As tensões máximas de trabalho são geralmente 250, 450, 600, 750 e 1000 V ou mais, dependendo das 
características dos isolamentos utilizados. 
A Fig. 1.2.2 mostra esquematicamente o corpo de um resistor 
em corte. Os resistores são compostos de uma base cilíndrica de 
material cerâmico, que recebe a cobertura resistiva que determinará 
o valor do resistor. Este conjunto é solidamente ligado a terminais 
metálicos e a cobertura recebe ainda uma metalização para a 
realização de uma solda de alto ponto de fusão (~300 oC) com os 
terminais do resistor (isto para que os ferros de soldar comuns, que 
têm pontos de fusão de 180 oC, não provoquem qualquer abalo 
nesta ligação). O conjunto é coberto externamente por um material 
isolante (esmalte, material epoxi, cimento, silicone, etc.) para 
acabamento e proteção do usuário. 
Os resistores são normalmente construídos pelas seguintes tecnologias: 
1) Pela variação da densidade de um composto de carbono e grafite (resistor de composição): são resistores baratos, 
comuns, pequenos, de valor até megaohms, com potência de dissipação até 3W, faixa de operação até 70 oC, baixo 
Efeito Pelicular (visto mais adiante) e com tensão de ruído elevada. 
2) Pela deposição de película de carbono (resistor de extrato de carbono): são resistores mais precisos e menos 
ruidosos que os de composição e são obtidos com dissipação também superior. São fabricados em tolerância de 
1%, de kiloohms até megaohms, e limitados para uso abaixo de 10 MHz. Apresentam Efeito Pelicular desprezível. 
3) Pela deposição de película de óxido metálico: são fabricados com precisão de até 1%, em valores até megaohms, 
com faixa de uso até 70 oC (ou mais com uso de dissipadores). São bastante precisos e estáveis, apresentam Efeito 
Pelicular desprezível e são pouco indutivos. São obtidos em todos os valores comerciais, com dissipações até 7 W . 
4) Pela deposição de película metálica (resistores metalizados): são altamente estáveis, precisos, de baixo ruído e alta 
dissipação térmica. São indicados para altas freqüências e para circuitos de alta confiabilidade. 
5) Pela utilização de fio ou fita metálica resistivos: usos: construção de reostatos e potenciômetros de fio precisos, 
possuem dissipações até 1000 W. Apresentam grande efeito indutivo, sendo usados apenas em baixas freqüências. 
Quanto à estabilidade térmica, os resistores de fios ou película metálica aumentam sua resistência com a 
aumento da temperatura, enquanto que os de composição e película de carbono ou grafite diminuem a resistência com 
o aumento da temperatura. Os metais puros e ligas resistivas apresentam estas variações de resistência com a 
temperatura de forma praticamente linear, mas esta pode se dar de forma quadrática nos resistores. 
Os resistores se dividem basicamente em três tipos: 
1) Resistor fixo: é o resistor com dois terminais, de valor ôhmico fixo, cujo valor é dado pelo código de cores ou 
escrito no corpo do resistor, vistos anteriormente. 
2) Resistor variável: possui três terminais, dois fixos e um móvel (cursor) ajustado por botão, o que permite um 
ajuste da resistência entre o terminal móvel e um ou os dois terminais fixos. Os resistores variáveis são utilizados 
para controle externo de um determinado parâmetro do circuito. São conhecidos como potenciômetros e reostatos 
(reostatos são potenciômetros de potência usados para altas dissipações). Exemplos: potenciômetros de carbono, 
de fio e reostatos de fio ou fita. Dependendo das características do circuito em que será aplicado, existem diversos 
tipos, formatos, tamanhos, dissipação máxima permissível, etc. Podem ser lineares e não lineares (logarítmicos). 
Usos: circuitos divisores de tensão, limitadores de corrente, atenuadores resistivos, acopladores resistivos, carga de 
circuitos amplificadores de sinal e de aquecimento, etc. 
3) Resistor ajustável: possui três terminais, dois fixos e um terminal central móvel (cursor) por parafuso ou 
dispositivo semelhante, o que permite o ajuste da resistência entre um terminal fixo e o móvel. São normalmente 
utilizados para fazer certos ajustes finais na operação dos circuitos (ajuste do ponto de funcionamento do circuito), 
ajustes estes que não sofrem controle externo ao circuito. São conhecidos como trimpots. 
 isolação metalização 
solda terminal 
 suporte cerâmico camada de material resistivo 
Fig. 1.2.2: Corte axial de um resistor. 
CAPÍTULO 1: Materiais condutores 
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Comentário: tensão de ruído é um ruído elétrico