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Emergência em Medicina Veterinária - Caderno Técnico 87

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mediante o controle da con-
centração de oxigênio inspirado, por 
ela manter abertos os alvéolos atelectá-
sicos e reduzir a quantidade de shunt 
pulmonar. Além disso, esse procedi-
mento tem como objetivo diminuir o 
trabalho da musculatura respiratória, 
reverter ou evitar o desconforto e a fa-
diga respiratória e diminuir o consumo 
de oxigênio (Carvalho et al., 2007).
Para reduzir os danos da ventilação 
mecânica ao epitélio e aos alvéolos pul-
monares, buscam-se utilizar estratégias 
de ventilação protetora, minimizando 
o barotrauma/ volutrauma, o colapso 
alveolar e a hiperdistensão do pulmão. 
Recomenda-se o uso de baixo volume 
corrente (6mL/kg), pois volumes altos 
estão associados ao aumento da injúria 
pulmonar. Pode ser necessário realizar 
recrutamento alveolar para reabrir os 
alvéolos atelectásicos e, uma vez recru-
tado, é indispensável o uso da pressão 
positiva expiratória final (PEEP) para 
evitar o colapso alveolar. Dependendo 
da gravidade do edema, há necessida-
de de aumentar a PEEP para que seja 
possível estabilizar e manter o alvéolo 
aberto. Pressões expiratórias muito al-
tas devem ser utilizadas com cautela, já 
que promovem efeitos hemodinâmicos 
significativos, como redução do retor-
no venoso e queda da pressão arterial 
(Slutsky e Ranieri, 2013; Brochard 
e Hedenstierna, 2016; Gattinoni e 
Quintel, 2016).
O animal mantido em ventilação 
mecânica deve ser monitorado cons-
16 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 87 - dezembro de 2017
tantemente para evitar qualquer alte-
ração grave. Esses pacientes necessitam 
de anestesia geral para permitir a venti-
lação e, por isso, estão propensos a al-
terações hemodinâmicas importantes. 
A hemogasometria seriada é necessária 
para acompanhar a oxigenação do pa-
ciente, permitindo avaliar a melhora do 
quadro do animal. 
O tratamento do edema pulmonar 
provocado pelo aumento da permeabi-
lidade vascular é de difícil tratamento. 
Em casos mais leves, apenas o repouso 
e a suplementação de oxigênio podem 
ser eficientes. Infelizmente, a maioria 
dos animais não responde de forma 
adequada à oxigenoterapia e à admi-
nistração de diuréticos, sendo essen-
cial o tratamento da doença primária 
(Hawkins, 2004).
A fluidoterapia conservadora é in-
dicada nos pacientes com edema pul-
monar agudo para evitar sobrecarga de 
fluido e piora do edema. No entanto, 
deve haver monitoração constante da 
pressão arterial, grau de desidratação, 
débito urinário e concentração de lac-
tato para evitar hipovolemia, injúria re-
nal e falência de órgãos (Adamantos e 
Hughes, 2008).
Considerações finais
Os cuidados após a resolução do 
edema pulmonar cardiogênico relacio-
nam-se com o tratamento da insufici-
ência cardíaca congestiva esquerda. O 
paciente deve ser acompanhado por 
um cardiologista para que seja insti-
tuído o melhor tratamento para a sua 
doença. Nos casos de edema pulmonar 
não cardiogênico, os cuidados relacio-
nam-se com tratamento da causa base e 
acompanhamento das possíveis reper-
cussões nos demais órgãos.
O prognóstico de um animal com 
edema pulmonar depende da gravida-
de do edema, da resposta à terapêuti-
ca empregada (oxigenoterapia e far-
macológica) e da doença primária. O 
atendimento, o diagnóstico e a rápida 
instituição do tratamento contribuem 
para melhora do prognóstico do ani-
mal. Mesmo com os avanços diagnósti-
cos e terapêuticos, o edema pulmonar 
agudo tem alto índice de óbito, apre-
sentando um prognóstico reservado a 
desfavorável.
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