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de genes. 
As 16 principais detentoras de patentes de genes humanos somavam algo em torno de duas mil propriedades em 
maio deste ano. Outras 20 mil novas seqüências de DNA aguardam na fila do Escritório de Patentes do governo 
norte-americano. Estas patentes representam um mercado multimilionário. Uma vez aceitas e reconhecidas, essas 
patentes fazem com que toda e qualquer pesquisa e/ou produto derivado do conhecimento da seqüência de 
nucleotídeos de um gene também seja, de certo modo. propriedade da empresa detentora do gene. Isso não 
significa que o ritmo das pesquisas se tornará mais lento, apenas ficará mais caro, pois para estudar os genes 
patenteados será necessário pagar para as empresas detentoras da patente. 
 
 
TTRRAANNSSCCRRIIPPTTOOMMAA EE PPRROOTTEEOOMMAASS 
Devemos ter claro que a obtenção da seqüência completa de nucleotídeos que compõem o genoma 
humano é apenas um passo no caminho para um melhor entendimento da biologia do ser humano. Estamos agora 
encontrando os genes (o texto com informações) dentro de páginas e páginas ocupadas por A. T, C, e Gs. Para isto 
contamos com programas de computador que estão auxiliando a localizar dentro das grandes seqüências de 
nucleotídeos. onde podem estar regiões reguladoras, onde iniciam as possíveis regiões codificantes, etc... Ao 
mesmo tempo que as informações sobre novos genes vão sendo acumuladas, grupos de pesquisa avançam para 
as fases seguintes: saber quando, como e onde estes genes são expressos. A próxima fase nessa busca é a 
compreensão do funcionamento do genoma humano como um todo, de modo integrado — o genoma funcional. 
A descrição que fizemos da relação entre gene e proteína é uma simplificação. Dissemos que a um gene 
corresponde um mRNA e que contém a informação para a construção de uma proteína. Às vezes, a realidade é um 
pouco mais complexa. Um gene pode dar origem a mais de um mRNA, utilizando para isso regiões codificantes 
(exons) diferentes. Da mesma forma, uma mesma cadeia polipeptídica recém-sintetizada pode ser processada de 
diferentes maneiras, sofrendo modificações que podem conferir capacidades ou funções diferentes para o produto 
de um único gene. Algumas cadeias polipeptídicas podem ser clivadas em pontos diferentes, dependendo do tipo de 
protease que esteja presente na célula; a adição de grupamentos especiais (glicídios, lipídios, fosfatos) também 
pode ser diferente de acordo com o momento ou com o tecido e assim a partir de um mesmo gene pode-se obter 
mais de um produto final. 
O termo transcriptoma foi criado para designar o conjunto de RNAs que uma célula apresenta em um 
determinado momento e o conjunto de proteínas recebe o nome de proteoma. Entender o funcionamento dos seres 
vivos implica em saber quando e porque os genes são expressos (transcritos), o que o produto codificado por eles 
faz dentro das células e como essas proteínas realizam suas funções. Muitas propriedades dos seres vivos 
dependem da interação de múltiplas proteínas entre si e com outras moléculas. Por isso, para o entendimento dos 
seres vivos, os projetos de pesquisa em trascriptomas e proteomas são a seqüência natural aos estudos 
genômicos,. 
Uma das principais ferramentas para os estudos de transcriptomas e proteomas são os BioChips ou Chips 
de DNA - pequenas lâminas de vidro (quartzo), que. em posições fixas, contém seqüências de DNAs que 
correspondem aos genes (96.000 diferentes genes podem ser ligados em posições pré-determinadas em urna 
lâmina de 2 cm2). Os RNAs extraídos de um determinado tecido são marcados com moléculas fluorescentes e 
aplicados sobre o BioChip. Nos locais onde ocorrer correspondência do RNA com o DNA preso à lâmina. ou seja, 
quando um RNA localizar no BioChip uma seqüência de nucleotídeos que seja complementar às suas bases, 
haverá a formação de ligações pontes de hidrogênio (pareamento) entre RNA e DNA. Quando o BioChip for 
observado em um microscópio. aparecerão regiões ‘brilhantes”. marcando a presença de RNAs ligados aos genes 
presos na lâmina de quartzo. Essa técnica permite portanto identificar quais os genes que estavam ativos (ou seja. 
estavam sendo transcritos) nas células de onde o RNA foi extraído. 
Os chips de DNA também podem ser empregados no diagnóstico molecular de vírus ou doenças 
genéticas. Para o diagnóstico de doenças genéticas. por exemplo, será possível “enfileirar” em um pequeno espaço, 
as várias versões que um gene pode apresentar (alelos normais e mutantes). Ao colocar sobre esse chip uma 
amostra do DNA do indivíduo que esta sendo investigado, haverá o “pareamento” das bases do DNA da amostra 
com o DNA do chip, indicando qual o tipo de alelo que está presente nas células do indivíduo. 
Os chips de proteínas têm aplicação similar aos chips de DNA. e servem para se estudar a presença e a 
interação de diversas proteínas. Uma das primeiras aplicações médica dos chips de proteína foi para o diagnóstico 
inicial do câncer de próstata. que se mostrou mais eficiente que o tradicional que utiliza o nível de PSA (antígeno 
prostático específico, antígeno que geralmente está em níveis elevados no plasma de pessoas com tumor de 
próstata). 
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A meta final dos projetos proteoma seria conhecer a forma estrutural exata de todas as proteínas do corpo 
humano, e a interação dessas proteínas para formar as estruturas e processos celulares. Estes conhecimentos têm 
aplicação garantida, por exemplo, na criação de novas drogas. que tenham ação específica sobre um determinado 
processo celular. 
 
 
OOSS OORRGGAANNIISSMMOOSS MMOODDEELLOOSS 
Não só o genoma humano foi decodificado. Alguns milhares de dólares foram gastos para se decifrar os 
genomas de outros organismos. Foram eles: 1) a levedura usada como fermento para o pão (Saccharo,nvces 
cerevisae ) que é formada por uma única célula; 2) um pequeno verme de solo, que mede aproximadamente um 
milímetro e não causa danos a ninguém, chamado de C’aenorhahditis elegans; 3) a também inócua Drosophila 
(moscas-das— frutas). Também o genoma de uma planta a Arabidopsis ilha/lana foi sequenciado, e o outros 
genomas já se encontram em fase avançada de determinação (por exemplo, o genoma do arroz, do camundongo) 
A importância do estudo genômico desses organismos reside no fato de que são organismos modelos,, de 
fácil manutenção em laboratório, são estudados a muito tempo e com eles podemos fazer experiências que não 
seriam possíveis com humanos. Como muitos de nossos genes são similares aos desses organismos, muitas 
conclusões obtidas a partir de estudos com eles podem ser úteis para a compreensão de fenômenos que não 
podem ser pesquisados em seres humanos. 
O conhecimento completo do genoma da levedura evidenciou a presença de 6000 genes e 38% das 
proteínas produzidas por esse microrganismo são similares às proteínas encontradas em mamíferos. Em especial, 
às proteínas do sistema de reparo do DNA são muito semelhantes. Como estas proteínas estão envolvidas no 
processo de desenvolvimento do câncer, as leveduras se mostram bons modelos para se estudar alguns aspectos 
da origem dessa doença. Um exemplo dessa aplicabilidade, foi a descoberta de que o quimioterápico cisplatina é 
efetivo em destruir células cancerosas que tenham um defeito específico no sistema de reparo do DNA. O modo de 
ação dessa droga só foi elucidado graças à facilidade de se estudar as leveduras e ao fato do genoma dessa 
espécie já ser conhecido. 
Caenorhahditis elegans. é um organismo modelo muito útil para o estudo de desenvolvimento 
embriológico. Para esse verme, sabe-se qual será a função de cada célula formada - desde o momento da 
fecundação, até a formação de um organismo adulto (que tem exatamente 959 células). Um terço dos 19.000 genes 
de caenorhahditis são similares aos