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fisiopatologia das lesões por esforços repetitivos

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ganglionares. Lesıes
traumÆticas perifØricas podem pro-
duzir danos, que precisam do
comando de unidade controladoras
do SNC para serem reparados. A
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FA˝SCAS
NERVOS
SISTEMA NERVOSO
CENTRAL E ESTIMULA˙ˆO
PERIFÉRICA
A anôxia produzida por compressªo
local produz edema e, se prolongado
o tempo de estímulo, causa dano
irreversível com a produçªo de
fibrose intraneural local. Causa
tambØm alteraçıes no transporte
anterógrado e retrógrado de materi-
ais vitais para a funçªo do neurônio.
Esses fatores sªo muito importantes
porque, atravØs deles o neurônio se
mantØm informado sobre o que
acontece na periferia e modifica seu
metabolismo de acordo com as
necessidades locais. É importante
lembrar que a conduçªo do estímulo
nervoso depende das condiçıes
locais e que, quando estas sªo desfa-
vorÆveis, como ocorre nas situaçıes
clínicas que induzem a isquemia e
edema localizado, como na
Síndrome do Tœnel do Carpo23, os
estímulos podem ser interrompidos.
Por exemplo, nos estÆgios iniciais da
Síndrome do Canal Carpiano, o
aumento das pressªo intracarpiana
ocorre principalmente à noite,
durante o sono, produzindo a
hipóxia e os sintomas conhecidos de
parestesia da mªo. Nesses casos, os
pacientes melhoram quando se le-
vantam, elevam o braço e movimen-
tam a mªo. Por outro lado, aumen-
tos pressóricos prolongados, de
magnitude importante, causam, blo-
queios definitivos do transporte
axonal retrógrado e induzem modi-
ficaçıes funcionais importantes no
corpos celulares correspondentes,
tornando mais difícil a regressªo dos
sintomas.
Dentre os tœneis que mais comu-
mente se associam com as sín-
dromes compressivas provocadas
pelos esforços repetitivos estªo o
desfiladeiro torÆcico, na transiçªo
exposiçªo prolongada aos movimentos
vibratórios tambØm produz efeitos
deletØrios sobre os nervos perifØricos.
Existem indícios que diferentes fre-
quŒncias vibratórias e tarefas com
características biomecânicas e
ergonômicas diferentes, podem pro-
duzir danos em regiıes diferentes do
sistema nervoso perifØrico39.
Assim, pesquisas vibratórias em ani-
mais, utilizando frequŒncias seme-
lhantes às utilizadas nas tarefas mais
conhecidas, podem produzir danos
aos troncos nervosos. Exames da
ultra-estrutura dos nervos mostrou a
presença de modificaçıes das estru-
turas axoplasmÆticas e/ou acœmulo
de retículo endoplasmÆtico liso em
fibras amielínicas, responsÆveis pelos
distœrbios autônomos do sistema
vascular. Foi observado que essas
alteraçıes sªo totalmente rever-
síveis nas primeiras duas semanas
de estímulo e parcialmente
reversíveis após 4 semanas39.
Por outro lado, estudos realizados
em profissionais que manipulam fer-
ramentas que vibram com frequŒn-
cias muito alta, permitiram obser-
var que, nesses profissionais, exis-
tem lesıes nos receptores perifØricos
ou distœrbios de conduçªo nos seg-
mentos nervosos distais.
Os receptores perifØricos habilitam
nosso corpo a se comunicar com o
cerØbro e criar modificaçıes físicas e
comportamentais que tenham como
alvo o próprio corpo08.
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cerebral e no prosencØfalo basal,
fazendo com que haja liberaçªo de
neurotransmissores e se produzam,
no Sistema Nervoso Central,
estados de depressªo, euforia ou atØ
maníacos”.
Os quadros de fadiga crônica, asso-
ciados às infecçıes virais e ao
estresse, tambØm podem produzir
modificaçıes comportamentais do
tipo depressªo, provavelmente
decorrentes de estimulaçªo anormal
antidrômica induzida pelo vírus,
por anormalidades nos sistemas
imunológicos e por vÆrios outros
distœrbios34.
A inflamaçªo foi descrita, pela
primeira vez, por CØlsius, que viveu
entre os anos 30 AC e 30 DC e
que observou que os sinais cardinais
da inflamaçªo eram o calor, o rubor,
o turgor e a dor aos quais, Virchov
acrescentou depois a perda da
funçªo33.
O processo inflamatório pode ser
desencadeado por traumatismos,
produzidos por diversos agentes físicos
e químicos, pode ser iniciado por
invasªo dos tecidos por microorganis-
mos, e pode ser iniciado por estresse.
Na verdade, a reparaçªo dos tecidos
gastos pelas atividades diÆrias que
executamos ao longo de toda a
nossa vida, Ø feita por um processo
biológico celular que envolve os
mesmos elementos que participam
da inflamaçªo. Assim, as fibras de
colÆgeno perdidas pelo desgaste
O PROCESSO INFLA-
MATÓRIO E A PRODU˙ˆO
DE LESÕES TISSULARES
Sªo esses mecanismos que nos
levam a sentir fome, quando a glicose
sanguínea estÆ baixa, provocam
transformaçıes sistŒmicas impor-
tantes no aparelho circulatório, res-
piratório e mœsculoesquelØtico
quando nos vemos diante de algo
julgado perigoso, etc.. Esses
mecanismos sªo prØ-organizados em
nosso cØrebro, comandam o sistema
glandular e mobilizam hormônios e
mediadores químicos necessÆrios
para acionar os orgªos efetores
recrutados para salvar o corpo. Suas
respostas podem ser imediatas,
instintivas e pouco duradoras, nas
situaçıes agudas de risco iminente
para o corpo, ou podem ser crôni-
cas, de menor intensidade e produ-
tora de modificaçıes somÆticas
importantes, julgadas necessÆrias
para atender aos estímulos recebidos
da periferia do corpo.
DamÆsio08 assim se expressa sobre
as correlaçıes entre o SNC e os estí-
mulos perifØricos: “Considere-se o
seguinte exemplo: a tensªo mental
crônica, um estado relacionado com
à atividade de numerosos sistemas
cerebrais no nível do neocórtex, do
sistema límbico e do hipotÆlamo,
parece fazer com que as terminaçıes
nervosas perifØricas produzam quan-
tidades excessivas de uma substân-
cias química chamada peptídeo, rela-
cionado com o gen da calcitonina
que neutraliza as defesas perifØricas
e favorecem o aparecimento de
infecçıes virais. Tem sido obser-
vadas tambØm, influŒncias no senti-
do inverso, ou seja, a de substâncias
químicas do corpo influenciando a
mente. O tabaco, o Ælcool e as drogas
produzem modificaçıes nos neurô-
nios e nos seus sistemas de apoio,
alguns deles localizados no tronco
natural dos nossos tendıes, por
exemplo, sªo removidas por fagoci-
tose enquanto suas substituiçªo Ø
provida pelos fibroblastos encarrega-
dos de reparar o “dano” causado
pelo uso das articulaçıes que os
tendıes controlam.
O papel de “limpeza” dos restos tis-
sulares, feita pelos fibroblastos,
sinoviocitos e condrocitos Ø desen-
cadeado pela Interleucina 1 (IL1) e
pela Linfotoxina (TNF) que os
fazem produzir proteoglicanases,
colagenases e gelatinases02. Do
ponto de vista geral, ambos mediam
muito dos eventos importantes
necessÆrios para a proteçªo contra
os invasores e tambØm a regeneraçªo
posterior dos tecidos lesados. Por
outro lado, em condiçıes especiais,
o mesmo mecanismo pode mediar a
destruiçªo do tecido sadio.
Por exemplo, a administraçªo de
Interleucina 2 - um dos mediadores
do processo inflamatório - para o
tratamento de neoplasias malígnas,
pode causar compressªo ao nível do
tœnel do carpo28, provavelmente pelo
edema intersticial generalizado que
provoca.
Desde que mantido em rítmo nor-
mal, o processo de reparaçªo das
perdas tissulares fisiológicas refaz às
estruturas perdidas sem deixar cica-
trizes, sem modificar as propriedades
mecânicas dos tendıes e sem produzir
o quadro clínico de inflamaçªo.
Num estudo recente, Oppenheim,
citado por BILLINGHAN02
mostrou que virtualmente todas as
cØlulas nucleadas podem produzir
osteoblastos, os monócitos/macrófa-
gos, os linfócitos B, as cØlulas den-
dríticas, etc. É interessante notar
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que essa “universalidade