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Direito Internacional Privado - Resumo

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sedes da ONU em Nova Iorque → por isso que o presidente do Irã pode comparecer na assembleia da ONU e lá discursar > se não houvesse esse tratado não se daria autorização a ele); 
- existe também uma classificação quanto às normas: contratuais e normativos; um tratado que disponha, por exemplo, sobre compra e venda, é normativo (dispõe normas); um contratual estabelece direitos e obrigações recíprocos: tipicamente comercial é, por exemplo, o Mercosul; outro caso típico de tratados contratuais são os tratados tributários: se não houver acordo, pode acontecer bi-tributação → é necessário que exista um acordo o Brasil e o país de origem da renda; 
- os tratados se submetem a alguma etapas de internalização no direito brasileiro:
- dependem da vontade soberana do Poder Executivo e do Poder Legislativo;
- a 1ª e a 2ª fase compete somente ao Presidente da República ou por delegação ao MRE para negociar tratados; o Presidente resolve quanto à conveniência e oportunidade de adesão ao tratado → não há quem possa força-lo a aderir, tampouco existe competência dos Estados federados ou dos demais entes da federação para assumir obrigações no plano internacional; o que eventualmente o Estado do Rio (exemplo) possa acordar para finalidade culturais etc não se traduz em tratado internacional, porque o Estado não tem capacidade de direito internacional público; 
- emitida a vontade do Presidente na assinatura do tratado, o tratado precisa se submeter ao crivo do Congresso Nacional (art. 49,I da CR); o Congresso examina o texto do tratado nas comissões de relações exteriores, de constituição e justiça ou comissão que tenha pertinência temática, e o aprova ou por maioria simples (tratados ordinários) ou pelo quórum de 3/5 de cada casa legislativa em dois turnos quando o tratado versar sobre matéria de direitos humanos e tiver sido enviado ao Congresso como proposta de EC (art. 5º, § 3º da CF); os tratados aprovados por maioria simples tem status de lei ordinária, o tratado em matéria de direitos humanos que tenha sido aprovado pelo quórum qualificado para EC se elevará ao status de norma constitucional; 
- o Pacto de S. José da Costa Rica foi internalizado numa época que não havia essa possibilidade de internalização com status de EC; com a EC 45/04, de acordo com o STF, em voto do Min. Gilmar Mendes, criou o conceito de norma legal; a única convenção internalizada com esse ranking é a convenção sobre deficientes físicos; 
29/08/11
- Processo de internalização da norma internacional no ordenamento jurídico brasileiro (cont.):
- o presidente negocia e assina o tratado, ou delegado plenipotenciário (uma espécie de procurador); durante a convenção o tratado é negociado e o presidente firma o tratado, declarando que desde logo, conforme a constituição, o tratado é submetido ao Congresso Nacional (antes de ser enviado ao Congresso o tratado é traduzido no MRE); 
- depois da tradução no MRE é elaborado um projeto de mensagem do presidente com a exposição de motivos por meio da qual o presidente encaminhará aquele diploma para apreciação do Congresso; 
- nada impede que no plano internacional outros países tenham cumprido os trâmites e por isso já esteja em vigor, embora o Brasil ainda não;
- a mensagem quando chega ao congresso se transforma em projeto de decreto legislativo, sendo enviado às comissões existentes no âmbito das comissões do congresso que se ocupam de tratados (comissão de relações exteriores e comissão de constituição e justiça, e depois a alguma outra comissão); há uma discussão no congresso, que ratifica através de decreto legislativo firmado pelo presidente do Senado;
- o tratado é firmado pela convergência de duas vontades: a do presidente e a do congresso; se faltar a primeira não há a segunda; se não houver a segunda fica prejudicada a primeira e o tratado não entra em vigor;
- ratificado pelo congresso nacional o MRE ordena ao embaixador brasileiro no pais depositário das ratificações que informe a ratificação do Brasil; depois disso o Brasil fica vinculado aos demais países, mas é preciso um decreto para dar publicidade ao tratado no âmbito interno → decreto de promulgação;
- outras questões: 
- convenção da ONU sobre pessoas com deficiência, de 2006 → único tratado aprovado com status de EC; 
- convenção da ONU sobre desaparecimentos forçados foi aprovada/ratificado pelo Brasil, mas o Brasil não se valeu do instrumento para torná-la com status de EC, pois foi aprovada por maioria simples, mas como é matéria de direitos humanos, terá status “supralegal”; 
- pra se desvincular é preciso: não pode promulgar apenas uma lei nova, porque aí vale só no âmbito interno; no plano internacional há também um rito a ser observado pelos estados no que tange à sua desvinculação de tratados ou convenções, trata-se da “denúncia do tratado”; 
- a denúncia dependerá das normas do próprio tratado; nenhum país é obrigado a permanecer no tratado, mas em regra há o estabelecimento de um prazo de vacatio após a denúncia;
- para internalizar um tratado é necessária a concorrência de duas vontades: pra denúncia devem participar que executivo e legislativo? A constituição estabelece a competência do presidente para ratificar, mas é silente quanto à participação do congresso; os que pensam que é preciso a participação do congresso se alinham com uma posição do stf de que seria preciso o congresso, mas a prática brasileira era de que a denúncia ser ato privativo do poder executivo; essa prática surgiu a partir de um parecer de Clóvis Beviláqua, e depois da denúncia do Tratado de Versalhes (da 1ª Guerra); uma das ideias vitoriosas trazida foi a Liga das Nações, antecessora da ONU, para lidar com as questões internacionais, daí que veio à ONU; com as pessoas sanções a Alemanha entrou em recessão, extremismos e o rearmamento; o Brasil queria assento permanente na Liga das Nações, mas veio a Alemanha, e aí o Brasil saiu do tratado de Versalhes; 
- o raciocínio de Beviláqua foi que se é da competência do presidente aceitar esses tratados, deveria se ele a denunciar, o que prevaleceu da década de 20 até o início do século XXI; 
- a denúncia segundo a posição prevalente é a de que a denúncia é juízo discricionário do presidente, que afere conveniência e oportunidade de o Brasil se desvincular do tratado a cujas normas se obrigou; 
- em 1996 o Brasil internalizou uma convenção, 158 da OIT, que estabeleceu, entre outros, a necessidade de se estabelecer uma justa causa ao rompimento do contrato de trabalho – segundo a ONU, o direito potestativo do empregador de demitir tem que ser fundamentada, deixando de ser potestativo; surgiram liminares de reintregração; confederações de trabalhadores ingressaram com ADI contra o ato de denúncia da convenção 158; 
- a convenção 158 foi esvaziada de sentido pela interpretação do STF, e aí o governo brasileiro denunciou a convenção;
- entraram com ADI contra o decreto, dizendo que a denúncia tinha que conta com a participação do congresso (ADI 1625) → a questão está inconclusa no STF → prevalece a praxe de que cabe ao poder executivo exclusivamente se manifestar em denúncia de tratado;
- o presidente em tratados de DH denunciar o tratado é algo mais gravo; ç
- protocolo de Genebra de 23 e de 25 conferiam eficácia às convenções de arbitragem; esse sistema foi substituído pela Convenção de Nova Iorque de 58, que estabelecia que ao aderir à convenção estaria automaticamente “denunciando” outros tratados;
- Teorias acerca da incorporação/denúncia:
- Dualista (Trippel): necessidade de fazer editar uma lei no plano interno idêntica à internacional para que incida sobre as relações internas → nesse caso não basta denunciar, teria que revogar a lei; no caso do Brasil, que segue a teoria monista, basta denunciar; 
- os problemas que surgem a partir da incorporação são essencialmente quanto aos conflitos da norma incorporada e a norma que anteriormente existia; entre a norma incorporada e uma nova norma com disposições contrárias; 
- Critérios de solução: hierárquico, da especialização e lei posterior;