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Redes e Sistemas de Telecomunicações

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de Serviço (SCE)
O SCO é tipicamente uma interface gráfica que permite que as carriers
desenvolvam, detalhem e ofereçam o serviço aos seus clientes. Dentro
desse novo conceito de next-generation, as carriers não mais necessitarão
esperar por novas releases ou novas features de software vindas dos fa-
bricantes. Ao invés disso, poderão desenvolver suas próprias aplicações
(vide figura 3.27).
Figura 3.27
Gerenciamento Remoto e Diagnósticos
Essa nova arquitetura permite que as carriers se conectem em uma rede
distribuída de comutadores inteligentes e os gerencie como um grande e
único comutador virtual. Essas plataformas vêm equipadas com módulos
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de software em interface gráfica que permitem que as carriers gerenciem e
provisionem suas redes remotamente.
Alta disponibilidade
Essas plataformas conseguem oferecer um downtime igual a zero através
de software hot-swappable* e tolerante a falhas. Nunca são paradas para
upgrade de software que pode ser carregado (upload) e ativado enquanto
estão em serviço.
Mesmo as chamadas em progresso são atualizadas para o novo software
de forma transparente.
ATM (Asyncronous Transfer Mode)
Definição
ATM é uma tecnologia de multiplexação que enfoca alta performance com
orientação para célula e que utiliza pacotes de tamanho fixo para trans-
portar diferentes tipos de tráfego.
O ATM pode ser visto como uma evolução da tecnologia que enfoca a co-
mutação de pacotes.
No tocante à comutação de pacotes de dados (ex.: x 25, frame relay,
TCP/IP) o ATM integra as funções de multiplexação e de comutação, sen-
do bastante adequado ao tráfego do tipo rajada (em contraste à comutação
de circuitos) e permitindo inclusive comunicação entre dispositivos com
diferentes velocidades. O ATM foi desenvolvido para atender à formação
de redes multimídia de alta performance e sua tecnologia foi implementada
em uma grande variedade de dispositivos de rede:
" PC, workstation e cartões de interface de rede.
" Hubs Ethernet e token-ring.
" Switches.
" Multiplexers.
" Edge switches.
 
* É um termo que denota substituição de componentes "a quente", ou seja, não é necessá-
rio desligar o sistema.
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O ATM pode ser oferecido como um serviço de usuário final entregue por
provedores de serviços (serviços tarifados) ou como uma infra-estrutura de
rede. O serviço mais comum é o circuito virtual ATM que é uma conexão
fim-a-fim com pontos finais e com rotas definidas, mas não tem largura de
banda dedicada. A largura de banda é alocada pela demanda da rede.
O ATM também define uma série de classes de serviços com o fim de
atender uma grande variedade de aplicações.
Em redes ATM, toda a informação é formatada em células de tamanho fixo
de 48 bytes (8 bits por byte) de carga útil (payload) e 5 bytes de cabeçalho
de célula.
O tamanho fixo da célula garante que toda a informação crítica no tempo
(como voz e vídeo) não será afetada por longos frames de dados ou pa-
cotes. O cabeçalho é organizado para uma eficiente comutação em dispo-
sitivos de hardware de alta velocidade e carrega a informação de payload,
identificadores de circuitos virtuais e check de erro de cabeçalho.
A seguir, uma figura representativa da célula ATM:
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Figura 3.28
O ATM é orientado à conexão, o que leva a organizar diferentes streams
de tráfego em chamadas separadas, permitindo ao usuário especificar os
recursos requeridos e permitindo que a rede aloque os recursos com base
nessas necessidades do usuário.
O padrão ATM define dois tipos de conexões: conexões de caminho virtual
(Virtual Path Connections (VPCs)), que contêm as conexões de canal vir-
tual (Virtual Channel Connections (VCCs)).
Uma VCC é a unidade básica que carrega um simples stream de células
de usuário para usuário. Uma coleção de VCC's pode ser formada dentro
de uma VPC. Uma VPC pode ser criada fim-a-fim através de uma rede
ATM e nesse caso a rede não roteia células pertencentes a um VCC em
particular.
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Todas as células pertencentes a um VCC em particular (ou circuito virtual)
são roteadas do mesmo modo através da rede ATM, resultando em rápida
recuperação em caso de falha.
Uma rede ATM também usa VPC's internamente com o propósito de em-
pacotar VCC's entre comutadores (switches). Dois switches ATM podem
ter muitas conexões VCC's diferentes entre eles e pertencentes a usuários
diferentes, que podem ser empacotadas pelos dois switches ATM dentro
de uma conexão VPC e que pode servir ao propósito de tronco virtual.
Os VPC's podem ser configurados estaticamente como circuitos perma-
nentes ou dinamicamente como circuitos virtuais comutados (switched vir-
tual circuits – SVCs). Podem ser ponto-a-ponto ou ponto-multiponto e des-
sa forma provendo uma vasta gama de serviços.
Classes de serviços
Existem cinco classes de serviços definidos pela especificação UNI 4.0 do
ATM Forum.
Os parâmetros de Qualidade de Serviço (QoS) estão sumarizados na ta-
bela a seguir:
Taxa a bit constante
(Constant Bit Rate – CBR)
Esta classe é usada para emular comuta-
ção de circuito. A taxa é constante para o
caso de aplicações que são muito sensíveis
à variação do delay de células. Exemplos
de aplicações que usam CBR:
! Tráfego telefônico.
! Videoconferência.
! Televisão.
Taxa a bit variável e a
tempo não real
(Variable Bit Rate–Non-
Real Time VBR–NRT)
Esta classe permite que os usuários enviem
tráfego a taxas que variem com o tempo,
dependendo da disponibilidade da informa-
ção a ser transmitida. Multiplexação estatís-
tica é provida para otimizar o uso dos recur-
sos da rede. Multimídia e e-mail são exem-
plos de aplicações que podem usar VBR–
NRT.
Taxa a bit variável e a
tempo real
Esta classe é similar a VBR–NRT, mas foi
projetada para aplicações que são sensíveis
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(Variable Bit Rate–Real
Time – VBR–RT)
à variação de delay de célula. Exemplos:
! Voz com detecção da atividade de con-
versação (Speech Activity Detection –
SAD).
! Vídeo com compressão interativo.
Taxa a bit disponível
(Available Bit Rate – ABR)
Esta classe provê uma taxa com base no
controle de fluxo e é direcionada para tráfe-
go de dados tais como transferência de ar-
quivos e e-mail. Embora o padrão não re-
queira que o delay de transferência de cé-
lulas e taxa de perda de células sejam ga-
rantidos ou minimizados, é desejável que
para os switches sejam minimizados o delay
e a perda tanto quanto possível. Dependen-
do do estado de congestionamento da rede,
a fonte dos dados é solicitada a controlar
sua taxa. Aos usuários é permitido declarar
o mínimo de taxa de células que é garantido
na conexão com a rede.
Taxa a bit não especificado
(unspecified bit rate – UBR)
Esta classe é definida como a "pega tudo"
(the catch-all) e é amplamente usada para
TCP/IP.
O ATM Forum identificou os seguintes parâmetros técnicos a serem asso-
ciados com a conexão. Eles estão sumarizados na tabela abaixo:
Taxa de perda de célula
(Cell Loss Ratio – CLR)
É a percentagem de células não en-
tregues no destino, pelo fato delas
terem se perdido em função de con-
gestionamento e sobrecarga de buffer.
Atraso de transferência de célula
(Cell Transfer Delay – CTD)
O atraso experimentado pela célula
entre a entrada na rede e o ponto de
saída, incluindo atrasos de propaga-
ção, atrasos de enfileiramento nos
vários switches intermediários e tem-
pos de serviço nos pontos de enfilei-
ramento.
Variação de atraso de célula É a medida da variância do atraso de
transferência da célula. Uma alta vari-
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(Cell Delay Variation – CDV) ação implica em maior buferização
para tráfego sensível a atraso, tais
como voz e vídeo.
Taxa de pico de célula
(Peak Cell Rate