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DJi - Erro Sobre Elementos do Tipo - Erro de Tipo

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em vez de furtar café, subtrai feijão. Responde pelo mesmo
crime, pois seu erro não o impediu de saber que cometia um ilícito contra
a propriedade.
- se a coisa estiver descrita como elementar do tipo, o erro será
essencial. No exemplo dado, tanto café quanto feijão constituem
elementares do crime de furto, ou seja, coisa alheia móvel, não tendo a
menor importância a distinção. É furto de qualquer maneira. Se o agente,
porém, confunde cocaína com talco, tal erro é essencial, pois, enquanto
aquela é elementar do crime de tráfico, este não é. No caso do furto, se
houvesse uma grande diferença de valor entre os produtos, o erro
também passaria a ser essencial, pois o pequeno valor da res furtiva é
considerado circunstância privilegiadora do crime de furto.
Erro sobre a pessoa: é o erro na representação mental do agente, que
olha um desconhecido e o confunde com a pessoa que quer atingir. Em
outras palavras, nessa espécie de erro acidental, o sujeito pensa que "A"
é "B".
Tal erro é tão irrelevante (exceto para quem sofreu a agressão, é claro)
que o legislador determina que o autor seja punido pelo crime que
efetivamente cometeu contra o terceiro inocente (chamado de vítima
efetiva), como se tivesse atingido a pessoa pretendida (vítima virtual), isto
é, considera-se, para fins de sanção penal, as qualidades da pessoa que o
agente queria atingir, e não as da efetivamente atingida (CP, art. 20, §
3º). Exemplo: o agente deseja matar o pequenino filho de sua amante,
para poder desfrutá-la com exclusividade. No dia dos fatos, à saída da
escolinha, do alto de um edifício, o perverso autor efetua um disparo
certeiro na cabeça da vítima, supondo tê-Ia matado. No entanto, ao
aproximar-se do local, constata que, na verdade, assassinou um
anãozinho que trabalhava no estabelecimento como bedel, confundindo-
o, portanto, com a criança que desejava eliminar. Responderá por
homicídio doloso qualificado, com a incidência da causa de aumento do §
4º do art. 121 (crime cometido contra menor de 14 anos), pois, para fins
de repressão criminal, levam-se em conta as características da vítima
virtual (como se o agente tivesse mesmo matado a criança).
Erro na execução do crime - "Aberratio Ictus": essa espécie de erro de
tipo acidental é também conhecida como desvio no golpe, uma vez que
ocorre um verdadeiro erro na execução do crime. O agente não se
confunde quanto à pessoa que pretende atingir, mas realiza o crime de
forma desastrada, errando o alvo e atingindo vítima diversa. O erro na
execução do crime pode dar-se de diversas maneiras: "por acidente ou
erro no uso dos meios de execução, como, p. ex., erro de pontaria,
desvio da trajetória do projétil por alguém haver esbarrado no braço do
agente no instante do disparo, movimento da vítima no momento do tiro,
desvio de golpe de faca pela vítima, defeito da arma de fogo etc."
(Damásio E. de Jesus, Direito Penal, cit., p. 319).
Formas
a) Com unidade simples ou resultado único: em face do erro na execução
do crime, o agente, em vez de atingir a vítima pretendida (virtual), acaba
por acertar um terceiro inocente (vítima efetiva). Denomina-se unidade
simples ou resultado único, porque somente é atingida a pessoa diversa
daquela visada, não sofrendo a vítima virtual qualquer lesão.
Conseqüência: o agente queria atingir a vítima virtual, mas não conseguiu,
por erro na execução, logo, deveria responder por tentativa de homicídio.
Além disso, acabou atingindo um terceiro inocente por culpa. Dessa
forma, em princípio, deveria responder por tentativa de homicídio (em
relação à vítima virtual) em concurso com lesões corporais ou homicídio
culposo. Mas, pela teoria da aberratio delicti, não é assim que funciona.
Segundo dispõe o art. 73 do Código Penal, o agente responde do
mesmo modo que no erro sobre a pessoa, ou seja, pelo crime
efetivamente cometido contra o terceiro inocente, como se este fosse a
vítima virtual. Faz-se uma presunção legal de que o agente atingiu a
pessoa que queria, levando-se em conta suas características. O erro é
acidental e, portanto, juridicamente irrelevante. Exemplo: voltemos à
hipótese do amante assassino que incidiu em erro sobre a pessoa e matou
o anão, em vez do filho de sua "amada". Em se tratando de aberratio
ictus, ocorre o seguinte: o agente visualiza a criança, sem confundi-Ia com
ninguém. É ela mesma, não havendo dúvida quanto à correta identidade
da vítima. Sem que haja erro na representação mental, portanto, o autor
efetua o disparo; porém, por erro na pontaria, o projétil desvia do alvo
desejado e atinge um terceiro que passava no local... por infeliz
coincidência, o anãozinho. Responderá da mesma forma que no erro
sobre a pessoa, como se tivesse atingido quem pretendia.
b) Com unidade complexa ou resultado duplo: nessa hipótese, o agente,
além de atingir a vítima visada, acerta terceira pessoa. Embora a
expressão "resultado duplo" possa, à primeira vista, sugerir que apenas
duas pessoas sejam atingidas (a vítima pretendida e o terceiro), significa,
na verdade, que dois resultados foram produzidos: o desejado e um outro
não querido. Pode ser, contudo, que este último compreenda mais de
uma pessoa atingida. É o caso do sujeito que, pretendendo pôr fim ao
seu devedor impontual, efetua diversos disparos de metralhadora em sua
direção, matando-o, mas também acertando outras quinze pessoas que
casualmente passavam no local. O resultado foi duplo: um querido e o
outro não previsto (lesão e morte de várias pessoas).
Conseqüência: aplica-se a regra do concurso formal, impondo-se a pena
do crime mais grave, aumentada de 116 até metade. O acréscimo varia
de acordo com o número de vítimas atingidas por erro.
Dolo Eventual: se houver dolo eventual em relação ao terceiro ou
terceiros inocentes, aplicar-se-á a regra do concurso formal imperfeito,
que ocorre quando os resultados diversos derivam de desígnios
autônomos. Há uma só conduta, que produz dois ou mais resultados,
todos queridos ou aceitos pelo agente (dolo eventual). Exemplo: o
carcereiro joga uma granada dentro de uma cela em que se amontoam
trinta presos, matando todos. Houve uma só conduta, com vários
resultados, todos pretendidos. Nessa hipótese, a lei manda somar as
penas, do mesmo modo que no concurso material. No entanto, é
importante frisar: quando houver dolo eventual com relação aos terceiros,
não se poderá falar em aberratio ictus. Como se pode afirmar ter havido
"erro na execução" quando o agente quis atingir todas as vítimas? Assim,
somente se cogita de aberratio ictus com unidade complexa quando os
terceiros forem atingidos por culpa, isto é, por erro. Nunca é demais
lembrar: ninguém "erra" por dolo ... se errou, é porque agiu com culpa.
Diferenças entre erro sobre a pessoa e "Aberratio Ictus"
a) No erro sobre a pessoa, o agente faz uma confusão mental: pensa que
a vítima efetiva é a vítima virtual. Na aberratio ictus, o sujeito não faz
qualquer confusão, dirigindo sua conduta contra a pessoa que quer
atingir. Em outras palavras, no erro sobre a pessoa, o agente pensa que
"A" é "B"; no erro na execução, ele sabe que "A" é "A".
b) No erro sobre a pessoa, a execução do crime é perfeita; no erro na
execução, o nome já diz tudo. Dessa forma, no primeiro o erro está na
representação mental, enquanto, nesse último, na execução.
Aberratio Ictus - Com Unidade Simples
A aberratio ictus nada mais é do que uma bala perdida, "A" quis matar
"B", mas por erro, na execução, mata "C", Responde pelo crime como se
"C' fosse "B", ou seja, projeta-se no cadáver de "C" a imagem de "B",
Aberratio Ictus - Com Unidade Complexa - 1
"A" mata "B", exatamente como desejou, mas, por erro na execução,
também mata "C". Responde pelo homicídio doloso contra "B" em
concurso formal com o homicídio culposo cometido contra "C".
Aberratio Ictus - Com Unidade Complexa - 2
E se, por engano, "A" mata "C" e "D" além de "B", única vítima que
pretendia atingir?
Resposta:quanto maior o número de terceiros inocentes atingidos por
culpa, maior será o aumento decorrente