DJi - Erro Sobre Elementos do Tipo - Erro de Tipo
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DJi - Erro Sobre Elementos do Tipo - Erro de Tipo


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do concurso formal.
Se "A" acerta "B" dolosamente e "C" culposamente, aplica-se a pena de
homicídio doloso amnentado de 1/6 (um resultado eulposo); se acerta
"C" e "D", aumenta-se 1/5; se acerta "C", "D" e "E", aumenta-se 1/4, e
assim por diante.
Resultado Diverso do Pretendido - "Aberratio Criminis"
Conceito: o agente quer atingir um bem jurídico, mas, por erro na
execução, acerta bem diverso. Aqui, não se trata de atingir uma pessoa
em vez de outra, mas de cometer um crime no lugar de outro. Exemplo: o
agente joga uma pedra contra uma vidraça e acaba acertando uma
pessoa, em vez do vidro.
Espécies
a) Com unidade simples ou resultado único: só atinge bem jurídico
diverso do pretendido.
Conseqüência: responde só pelo resultado produzido e, mesmo assim, se
previsto como crime culposo. No exemplo dado, o autor responderá por
lesões corporais culposas, e não por tentativa de dano, que fica
absorvido.
b) Com unidade complexa ou resultado duplo: são atingidos tanto o bem
visado quanto um diverso. No exemplo retro, o agente estoura o vidro e
acerta, por erro, também uma pessoa que estava atrás dele.
Conseqüência: aplica-se a regra do concurso formal, com a pena do
crime mais grave aumentada de 1/6 até metade, de acordo com o número
de resultados diversos produzidos.
- se o resultado previsto como culposo for menos grave ou se o crime
não tiver modalidade culposa, não se aplica a regra da aberratio criminis,
prevista no art. 74 do CP. Exemplo: o agente atira na vítima e não a
acerta (tentativa branca), vindo, por erro, a atingir uma vidraça; aplicada
a regra, a tentativa branca de homicídio ficaria absorvida pelo dano
culposo, e, como este não é previsto no CP comum, a conduta é
considerada atípica. O dano culposo não teria forças para absorver uma
tentativa de homicídio, mesmo porque ele nem sequer constitui crime.
Erro sobre o nexo causal ou "aberratio causae"
Conceito: ocorre quando o agente, na suposição de já ter consumado o
crime, realiza nova conduta, pensando tratar-se de mero exaurimento,
atingindo, nesse momento, a consumação. Tratamos desse tema no
tópico referente às espécies de dolo, uma vez que esse erro é também
chamado de dolo geral ou erro sucessivo. Luiz Flávio Gomes exemplifica:
"responde por crime de homicídio doloso o agente que, desejando matar
a vítima por afogamento, joga-a do alto da ponte, porém esta vem a
morrer por fratura no crânio provocada pelo impacto com um pilar da
ponte. Também se fala em aberratio causae, quando o fato se consuma
em dois atos, sobre cuja significação se equivoca o autor, ao crer que o
resultado se produzira já em razão do primeiro ato, quando, na verdade,
ele vem a acontecer pelo segundo, destinado a ocultar o primeiro. Depois
de estrangular a vítima, o autor, crendo que ela está morta, enforca-a
para simular um suicídio, todavia fica comprovado que a vítima na
verdade morreu em razão do enforcamento. Responde por um só
homicídio doloso consumado" (Erro de tipo, cit., p. 101.). A solução de
tais casos se simplifica bastante se fizermos duas indagações: a) O agente
quis matar? b) E efetivamente matou? Não importa se queria produzir o
resultado por um meio e acidentalmente o produziu por outro. o que
interessa é que ele desejou e realizou com êxito a sua vontade. Outro
interessante exemplo é o do sujeito que, pretendendo eliminar a vítima,
ministra veneno em sua bebida; no entanto, por equívoco, em vez de
veneno coloca açúcar, meio ineficaz para matar uma pessoa normal. A
vítima, no entanto, é diabética e vem a falecer. E agora, qual a solução?
Novamente, a resposta àquelas duas indagações nos ajuda: o autor quis
matar? Sim. E acabou matando? Sim. Então, responde por homicídio
doloso consumado. É certo que ele errou na causa, mas tal erro revelou-
se irrelevante, pois de um jeito ou de outro ele produziu o resultado
pretendido. Mas o meio não era ineficaz? Não, tanto que a vítima
morreu. Poder-se-ia objetar que o agente não sabia que a vítima era
diabética, porém tal desconhecimento é irrelevante, pois o que interessa é
que ele quis o resultado e agiu para produzi-lo. Daí por que o erro sobre
o nexo causal (aberratio causae) é irrelevante. Não elimina o dolo, nem o
resultado.
Quadro Sinótico
Erro de Tipo: incide sobre um dado da realidade descrito como
elementar, circunstância ou componente irrelevante da figura típica.
Pode ser essencial ou acidental.
1) Essencial: incide sobre dados relevantes da figura típica e comporta
as seguintes espécies:
a) erro sobre elementar de tipo incriminador: incide sobre situação de
fato ou relação jurídica descritas como elementares, isto é,
pressupostos fundamentais de um tipo incriminador. Sempre exclui o
dolo. Quando inevitável (invencível ou escusável), exclui também a
culpa, tomando o fato atípico (sem dolo e culpa não existe fato típico).
Quando evitável (vencível ou inescusável), subsiste a forma culposa.
Ex.: sujeito mantém conjunção camal com uma adolescente de 13 anos,
julgando-a adulta, devido a sua precoce formação biológico-hormonal
(assim, desconhecia a elementar "violência presumida", pois não
imaginava que aquela "mulher" fosse apenas uma menina); o agente furta
caneta de outrem, pensando que é própria; a mulher se casa com
homem casado, pensando que é solteiro; um caçador mata um bailarino
saltitando na mata, pensando que é uma gazela; um homem compra
cocaína, achando que é talco etc. Em todas essas hipóteses, o erro
impediu o agente de saber que estava cometendo um crime, logo,
excluiu o dolo. Quanto à culpa, será excluída ou não, conforme o erro
tenha sido evitável ou inevitável;
b) erro sobre circunstância: incide sobre situação descrita como mera
circunstância (dado acessório, não essencial para a existência do crime,
e que só serve para influir na pena, isto é, para tomar o crime mais
grave ou menos grave). Jamais exclui o dolo. Só exclui a circunstância,
a qual não terá incidência. Ex.: ladrão furta um objeto de pequeno valor,
imaginando-o de grande valor. Responde pelo furto simples, sem direito
à circunstância do privilégio, a qual desconhecia. Sujeito mata um
menor de 14 anos, pensando ser maior, dada a sua avantajada
condição física. Não incide a circunstância majorante do § 4º do art.
121 do CP, a qual era desconhecida;
c) erro sobre elementar de tipo permissivo, erro sobre pressupostos
fáticos de uma causa de justificação ou descriminante putativa por erro
de tipo: o agente, em razão de uma distorcida visão da realidade (olha
uma situação de fato, mas enxerga outra), imagina uma situação na qual
estão presentes os requisitos de uma causa de exclusão da ilicitude ou
antijuridicidade. Ex.: o sujeito, imaginando falsamente que vai ser morto
por um assaltante, mata o primo brincalhão, o qual, na intenção de
assustá-Io, tinha invadido sua casa gritando (legítima defesa putativa por
erro de tipo, isto é, por um erro de apreciação dos fatos); um náufrago
afoga o outro para ficar com a bóia de salvação, e só depois percebe
que lutava em águas rasas (estado de necessidade putativo por erro de
tipo); um grandão joga um "pititinho" de um helicóptero em pane, e só
depois percebe que havia dois, e não somente um, pára-quedas.
Entendemos que, do mesmo modo que no erro de tipo sobre elementar
de tipo incriminador, tal modalidade de erro sempre exclui o dolo. Se o
erro for inevitável, também estará excluída a culpa e o fato será atípico;
se evitável, o agente responderá por crime culposo. Neste último caso,
estaremos diante da chamada culpa imprópria (por extensão, por
assimilação ou por equiparação), a qual mais se parece com o dolo, do
que com culpa. Trata-se, na verdade, de uma figura híbrida. É culpa no
momento inicial da formação do erro (quando o sujeito confunde primo
brincalhão com assaltante; quando pensa ter um, em vez de dois pára-
quedas; quando acha que está em água funda, e não em água rasa, e
assim por diante), a ação subseqüente, no entanto, é claramente dolosa
(pensando estar acobertado por causa de justificação o agente atua