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Exercícios de hermenêutica jurídica- Thiago Varella

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Exercícios de hermenêutica jurídica
4) Após a emenda constitucional número 20, o art. 14 da Constituição passou dispor que o teto do salário devido pelo poder público ao assegurado do INSS era de R$1.200. Porém, o art. 7º VI determina que o salário é irredutível. Assim, o empregador deveria arcar com a diferença entre os R$1.200 pagos pelo INSS e o salário atual do assegurado. Se uma mulher engravida e seu salário à época da gravidez é de R$5.200, o empregador deve pagá-la R$4.000, além dos R$5.000 devidos para a contratação de um novo trabalhador para trabalhar no lugar dela. 
Isso fará com que uma trabalhadora seja muito mais cara que um trabalhador, acabando com a igualdade entre homens e mulheres. Na lógica do empregador, as vagas de remuneração superior ao teto estabelecido pelo art. 14 serão ocupadas exclusivamente por homens ou mulheres fora da idade fértil. Assim, o STF declarou a inconstitucionalidade da interpretação que assegurava que aquele teto era o salário maternidade. 
O entendimento do Supremo determinou que o INSS devia o salário integral recebido pela mulher à época da gravidez. Hoje, entende-se que o empregador deve pagar o salário, mas terá um crédito junto ao INSS, descontando esse salário da sua contribuição ao fundo. Uma mulher que recebe R$5.200 quando engravida, continuará a receber esse valor do seu empregador durante a gravidez e o empregador descontará esse valor dos recolhimentos.
5) A segunda parte do art. 45 §1º estabelece um piso e um teto para o número de deputados. Assim, a representação deixa de ser proporcional à população, violando o princípio da proporcionalidade. Devido a isso, seria mais fácil eleger um deputado no Acre do que em São Paulo. Diante disso, o governador do Rio Grande do Sul ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade visando à declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo, usando como base a tese de Otto Bachof.
Essa ADI pode ser provida? Não. De acordo com o princípio da unidade da Constituição não há hierarquia entre normas e princípios constitucionais. Assim, a proporcionalidade é respeitada dentro de um limite de no mínimo oito e no máximo 70 deputados por estado, DF ou territórios. Uma PEC poderia modificar isso, mas jamais seria aprovada em dois turnos, nas duas casas do Congresso, por 3/5 cada. Além disso, é importante ressaltar que não há controle de constitucionalidade de norma constituinte originária, apenas de norma constituinte derivada. Esse artigo é norma constituinte originária.
Princípios Básicos de Interpretação Constitucional
Interpretação Conforme a Constituição (com e sem redução de texto) – sempre será preferível uma interpretação de uma norma conforme a Constituição. Um juiz tem legitimidade para declarar uma norma inconstitucional, mas só deve fazê-lo se não tiver outra saída. Essa norma passou por um longo caminho no Poder Legislativo, que é o órgão competente para legislar, e foi sancionada pelo chefe do Poder Executivo. Assim, o juiz pode declarar a inconstitucionalidade desde que não haja outra interpretação cabível. Mas juiz deverá optar pela corrente que interpretar a norma em conformidade com a Constituição desde que essa interpretação seja possível. 
As normas devem ser salvas, mas há limites. Além disso, o ideal é que a interpretação seja feita sem a redução de texto. Porém, por vezes, a declaração de inconstitucionalidade de uma palavra ou de uma expressão é capaz de salvar o restante da norma. Pode ser feita, portanto, uma interpretação com redução de texto. Esse mecanismo é capaz de mudar muito o sentido de uma norma, mas é uma ferramenta do STF, que tem competência para isso. O Supremo, por mais que não possa legislar positivamente, pode legislar negativamente, então a interpretação com redução de texto é legítima.
Concordância prática (Harmonização) – havendo dois direitos fundamentais em conflito, devemos fazer concessões recíprocas a fim de fazer uma concordância prática. Verifica-se quais são os direitos fundamentais em conflito e, se possível, aplica-se os dois. Nos exemplos tratados em sala (Cicarelli e Chico Buarque), não havia possibilidade de harmonização. Durante a ponderação, podemos verificar a possibilidade ou não de harmonização. Se não for possível, é necessário que isso esteja expresso na sentença.