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Contabilidade-Financeira-e-Gerencial

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Para calcular o preço de venda com base no percentual de markup, devemos aplicar a seguinte fór-
mula:
Vamos ver um exemplo para entender melhor o cálculo do preço de venda de um produto utilizando o 
percentual do markup.
Vamos imaginar que esta empresa seja fabricante de sapatos masculinos. Para a produção de cada 
par de sapatos, ela tem um custo de $ 12,00 e deseja um markup de 50%. O cálculo seria:
Com este cálculo, podemos verificar que a questão do estabelecimento do preço de venda está vincu-
lada à função do custo.
Esta visão é mais voltada à área de produção e data de uma época em que o peso maior dos custos 
estava concentrado nos materiais diretos e na mão-de-obra direta.
Com o passar do tempo, o peso desses fatores foi se alterando, mas ainda hoje grande parte das em-
presas ainda utiliza o processo tradicional no estabelecimento do preço de venda.
Todavia, para fins de comprovação e obtenção de aumentos de preços, as empresas condicionam esta 
estrutura de custos ao custeio por absorção e resultado líquido, e, como conseqüência, oficializou-se no 
país o preço de venda como uma função especificamente atrelada ao custo, ou seja:
Preço = custo total + resultado 
O comportamento do mercado em relação ao preço passa a ser cada vez mais importante dentro de 
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um cenário cada vez mais competitivo.
Dessa forma, a margem de contribuição passa a ser o instrumento mais adequado de mensuração de 
desempenho.
Margem de contribuição é o diferencial existente entre um preço de venda estabelecido e os custos 
de produção e distribuição incorridos num determinado produto ou serviço.
Em relação a isso, existem especialistas com posicionamentos bastante divergentes:
 uns consideram o preço como um fator exclusivamente decorrente do mercado;
 outros colocam o preço como uma responsabilidade vital do setor de marketing;
 outros colocam-se numa posição intermediária, reconhecendo ser o preço simultaneamente 
uma função de custo e de mercado;
 outros são completamente contra os métodos tradicionais de apuração de custos.
De uma forma geral, observa-se uma certa tendência por parte dos especialistas em preferir a utiliza-
ção do conceito da margem de contribuição para efeitos de política de preços, sob o enfoque de custos.
Sabemos que a formação do preço tem dois objetivos principais:
1. Cobrir todos os custos variáveis incorridos em sua fabricação e venda.
2. Obter a maior margem possível a fi m de cobrir os custos fi xos e obter lucro.
Uma outra tendência observada no pensamento de vários autores é reconhecer a utilização do custo 
para outras finalidades, como para efeitos contábeis, administrativos, internos e gerenciais
No Brasil, isso é importante por conta da variável inflação e pela política financeira vigente. Por isso a 
fórmula tradicional de custo e preço deve ser invertida para:
Preço de venda - custo = margem de contribuição 
Onde:
Preço de venda = ajustado ao mercado para ser competitivo
Custo = a ser administrado e minimizado
Margem de contribuição = suficiente para remunerar o custo fixo e propiciar um retorno adequado
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7.3 - CUSTO PARA EFEITOS CONTÁBEIS E GERENCIAIS
A maioria das empresas distingue claramente o custo de um produto ou serviço apurado para efeitos 
contábeis daquele apurado para fins de formação do preço de venda.
Dessa forma, o cálculo de custos para atendimento às exigências legais e a apuração do mesmo para 
efeitos de decisões gerenciais são diferentes. Com isso as empresas conseguem, ao mesmo tempo, obe-
decer aos aspectos legais e não descuidar da competitividade no mercado.
A tradução dos valores históricos nominais dos desdobramentos contábeis para valores atuais possibi-
lita os seguintes aspectos positivos às empresas:
 Aproximação dos números contábeis aos números gerenciais.
 Possibilidade de maior critério de uniformidade no tratamento dos dados contábeis e dos 
dados para formação do preço de venda.
 Possibilidade de uso das mesmas fontes e arquivos para ambas as fi nalidades.
O único problema que podemos apontar em relação a isso é que os dados contábeis são corrigidos por 
um único índice oficial, porém, isso é imutável, pois existe a necessidade de um critério de uniformidade 
de procedimentos.
Já do ponto de vista gerencial, a utilização desse único índice poderá não expressar a variação mone-
tária efetiva específica para determinada empresa ou produto.
A elaboração dessas projeções em um contexto de inflação como a do mercado brasileiro pode ser 
perigosa para as empresas tanto em termos de competitividade como de manutenção da substância pa-
trimonial.
Este risco está relacionado à geração de expectativas exageradas de acréscimo de custos, projetando 
preços excessivamente elevados com conseqüentes dificuldades no volume de venda e na capacidade 
competitiva, embora num momento seguinte ocorram os naturais ajustes de mercado.
Dessa forma, as empresas devem tomar o cuidado de fabricar um produto ou prestar um serviço que 
gere, no mínimo, recursos para reiniciar o ciclo com a mesma capacidade existente no ciclo anterior.
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7.4 - GERAÇÃO DO LUCRO
O preço mínimo e o preço máximo atribuído a um produto ou serviço da empresa vão regular a sua 
atuação no mercado.
O preço mínimo deve corresponder, no curto prazo, ao valor igual ou maior que os gastos variáveis 
incorridos para produzir e vender uma unidade do produto. 
Já o preço máximo corresponde ao valor estabelecido pela demanda do consumidor.
É importante destacar que, se os gastos variáveis estiverem acima do preço do produto, a empresa terá 
prejuízo, e se o preço estiver acima dos gastos variáveis, estará gerando uma margem de contribuição que 
inicialmente irá cobrir estes gastos e posteriormente irá gerar lucro para a empresa.
Para estabelecermos regras práticas que permitam calcular preços no dia-a-dia das empresas, vamos 
assumir que:
A empresa já elaborou seu orçamento anual e estabeleceu o lucro desejado. Este lucro pode estar rela-
cionado às vendas projetadas ou ao patrimônio líquido. Estando relacionado às vendas, nos dá a margem 
de lucro sobre as vendas e, estando relacionado ao patrimônio líquido, podemos obter o retorno esperado 
sobre o patrimônio líquido da empresa.
Pensando nisso, as empresas precisam fixar a margem de lucro que desejam atingir.
A margem de lucro é a diferença entre o preço de venda e o custo por unidade. Ela traduz o quanto 
a empresa gera de receita adicional aos custos para fazer face às suas necessidades de distribuição de 
resultados, cobrir despesas e capitalizar-se. A partir da unidade vendida, é aplicada a margem desejada.
Preço = (1+margem) x custo
Vamos entender a fórmula da margem de lucro por meio de um exemplo.
 Exemplo
Suponhamos que, para produzir um determinado produto, uma empresa tenha o custo de $ 
12,00 e deseja obter uma margem de lucro de 50%.
O cálculo deverá ser feito da seguinte forma:
Preço = (1 + 50%) x 12 1,50 x 12 $ 18,00 
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7.5 - FIXAÇÃO DO PREÇO COM BASE NO CUSTO
Vimos no início do módulo um fator bastante importante que também deve ser considerado na forma-
ção do preço: os custos do produto.
Para este estudo, quatro métodos podem ser utilizados:
1. Custo pleno ou custo por absorção
No custo pleno ou por absorção, os preços de venda são iguais ao custo total da produção, mais um 
acréscimo percentual para cobrir as despesas operacionais e proporcionar uma margem desejada de 
lucro.
Suponhamos que uma empresa fabrique um produto X que tenha como custo unitário total de fabrica-
ção $250,00, sendo que este custo é composto por:
 Material direto $ 100,00
 Mão-de-obra direta $ 70,00