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relação ao parto, peso ao nascer,
causa da morte).
Os dados foram inicialmente inseridos numa planilha Excel e posteriormente
transferidos para o programa estatístico STATA 7.0. Para as variáveis quantitativas
foram avaliadas a média e a amplitude, e nas variáveis qualitativas, as freqüências
absolutas e relativas. Utilizou-se o teste do qui-quadrado para comparar dife-
renças nas distribuições das variáveis entre crianças com malformações e aquelas
sem malformação.
O projeto de pesquisa elaborado para a realização deste estudo foi autorizado
pela Secretaria de Saúde de Vitória e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa
do Centro Biomédico da Universidade Federal do Espírito Santo em 21 de
dezembro de 2004.
3. RESULTADOS
NASCIDOS VIVOS
Durante o procedimento de coleta de dados, foram analisadas 17.432
Declarações de Nascidos Vivos. Estas fichas forneceram dados sobre os recém-
nascidos vivos de mães residentes no município de Vitória, cujos partos ocorreram
em Vitória, no período de 2001 a 2004.
510 – CA D E R N O S S A Ú D E C O L E T I V A , R I O D E J A N E I R O , 14 (3 ) : 507 - 518 , 2006
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Sessenta e oito recém-nascidos apresentaram algum tipo de malformação
congênita indicando uma prevalência de 0,40% dentre 17.432 nascimentos. É
importante ressaltar que do total de DN analisadas, 168 apresentaram o campo
destinado a ocorrência ou não de malformação sem qualquer preenchimento.
As distribuições das variáveis maternas qualitativas de acordo com a presença
ou não de malformação estão apresentadas na Tabela 1. Pode-se verificar que
cerca de 40% das mães de crianças com malformação vivem sem a presença de
um parceiro (solteira, separada judicialmente e viúva), sendo este percentual
significativamente mais alto em relação as mães de crianças nascidas vivas que
não apresentavam malformação congênita.
Tabela 1
Distribuição das variáveis maternas segundo presença ou não de malformações congênitas
em Vitória, ES, 2001 a 2004.
*Teste X2. Fonte: Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos/Secretaria Municipal de Saúde.
Cerca de 65% das mães de crianças com malformação apresentaram bom
nível de escolaridade, isto é, estavam cursando ou já tinham concluído o Ensino
Médio ou Ensino Superior. Este percentual, entretanto, foi significativamente
mais baixo quando comparado às mães de filhos sem malformação congênitas.
Observou-se que cerca de 54% dos casos de malformações ocorreram na
primeira gestação e, dentre os 30 casos cujas mães já tinham tido pelo menos um
filho, houve uma taxa de natimortalidade anterior de 10%.
A grande maioria dos casos de malformação (Tabela 2) ocorreu em gestações
a termo (de 37 a 41 semanas) sem diferenças entre os grupos estudados. Houve
um caso de gravidez dupla, na qual as gêmeas eram siamesas. Além disso, ocorreu
um caso de gravidez tripla, sendo que neste caso somente um dos trigêmeos
apresentou malformação congênita.
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De acordo com o tipo de parto, praticamente 2 em cada 3 recém-nascidos
com malformação (72%) nasceram de parto cesáreo, percentual significativamente
mais alto quando comparado com o grupo de nascidos vivos sem malformação
(Tabela 2). Em relação ao número de consultas de pré-natal, quase 93% das
mães de crianças com malformação realizaram 4 ou mais consultas durante a
gestação, percentual semelhante ao observado entre mães de crianças sem
malformação congênita.
As variáveis relacionadas ao recém-nascido (sexo, raça/cor e índice de Apgar)
estão apresentadas na Tabela 3. Nota-se que a freqüência de casos foi relativa-
mente maior no sexo masculino do que no sexo feminino em ambos os grupos.
Também não se observou diferenças significativas em relação à raça/cor.
A maioria dos neonatos com malformação obtiveram um índice de Apgar
considerado satisfatório (de 8 a 10) no 1º e no 5º minuto, indicando boa vitalidade
e boa adaptação à vida extra-uterina, porém este percentual foi significativamente
mais baixo quando comparado com o grupo de nascidos vivos sem malformação.
Todos os 6 casos de malformação em que o índice de Apgar no 1º minuto foi de
0 a 2 pontos (valores que revelam asfixia grave do recém-nascido), mantiveram-se
nesta mesma faixa na avaliação no 5º minuto.
Tabela 2
Distribuição das variáveis relacionadas à gestação/parto segundo presença ou não de
malformações congênitas em Vitória, ES, 2001 a 2004.
Fonte: Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos/Secretaria Municipal de Saúde.
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Excluindo-se o peso das gêmeas siamesas, a média de peso dos recém-nascidos
que apresentaram malformação foi de 3.006g (amplitude: 690g - 5.160 g). As
malformações congênitas isoladas ocorreram com freqüência de 72%. As ano-
malias do sistema músculo-esquelético apresentam-se como as mais freqüentes
(aproximadamente 40%). Se acrescentadas aos casos de anomalias associadas
que contenham este tipo de defeito, obtém-se uma freqüência relativa de
cerca de 47%. A polidactilia e o pé torto congênito foram os tipos mais
encontrados, com 14,7% e 10,3%, respectivamente (Tabela 4).
Ocupando o segundo lugar no número de casos em um sistema orgânico,
estão as malformações do sistema nervoso, com freqüência de cerca de 12%. A
fenda labial isolada ou associada à fenda palatina esteve presente em 4 casos,
constituindo 5,9% do total de malformações. A síndrome de Down foi o único
tipo de anomalia cromossômica revelada, contribuindo com 7,4% das ocorrências.
O termo “múltiplas malformações” empregado na Tabela 4, refere-se à
forma como ele foi descrito no campo da DN destinado ao tipo de malformação
congênita encontrada, obtendo uma freqüência de 5,9%. Houve sete casos
em que foi relatada a ocorrência da malformação, porém o campo na DN
relativo à sua descrição não foi preenchido. As gêmeas unidas pelo abdome
Tabela 3
Distribuição das variáveis relacionadas ao recém-nascido segundo presença ou não de
malformações congênitas em Vitória, ES, 2001 a 2004.
Fonte: Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos/Secretaria Municipal de Saúde.
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(onfalopago siamesas) foram consideradas como dois casos de malformação, visto
que cada uma possui uma DN.
Foram também coletados dados referentes ao responsável pelo preenchimento
das DN. As ocupações encontradas foram: auxiliar administrativo (39,7%), técnico
de enfermagem (23,53%), auxiliar de enfermagem (16,2%), “enfermagem” (7,4%),
escriturária (5,9%), assistente social (4,4%), secretária (1,5%) e pediatra (1,5%).
Tabela 4
Distribuição das malformações congênitas em Vitória, ES, 2001 a 2004.
Fonte: Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos/Secretaria Municipal de Saúde.
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NATIMORTOS
Foram considerados natimortos os