RevConceitosGeraisTXT
4 pág.

RevConceitosGeraisTXT


DisciplinaGênese e Desenvolvimento de Células e Tecidos61 materiais69 seguidores
Pré-visualização3 páginas
REVISÃO CONCEITOS GERAIS 
LOCO GÊNICO 
Os genes ocupam posições fixas nos cromossomos, essas posições não variam de uma célula para outra 
ou de um indivíduo para outro, elas são uma característica comum a todos os indivíduos de uma espécie. 
 A posição que um gene ocupa no cromossomo é denominada de loco, e os cromossomos que possuem a 
mesma seqüência de locos, de telômero a telômero, são denominados de homólogos. Em eucariontes, cada 
cromossomo pode ser caracterizado através do tamanho, posição do centrômero, padrão de bandas e 
principalmente pelos locos gênicos que possui. Da homologia (mesma seqüência de locos) entre os cromossomos 
depende o pareamento que ocorrerá no início da meiose I e o processo de recombinação genética. 
OBS.: Quando queremos nos referir à posição de um gene (por exemplo: dizer onde está situado o gene que 
determina os grupos sangüíneos do sistema ABO) utilizamos números e letras que identificam o cromossomo, o 
braço cromossômico e a posição dentro do braço. Essa identificação corresponde a uma banda cromossômica e 
significa que o referido loco gênico está dentro daquela região do cromossomo. É importante lembrar, porém, que 
vários genes compartilham a mesma banda cromossômica pois a quantidade de DNA compactada dentro de 
qualquer banda cromossômica é muito grande. Exemplos disso são o loco para o sistema ABO, o loco TSC1*, o 
loco Notch1, o loco DYT1 e outros. que estão dentro da mesma banda no braço longo do cromossomo 9 e têm 
suas posições identificadas como 9q34. (* gene responsável pela por uma proteína que atua como supressor de tumor, associado ao 
desenvolvimento de tumores benignos em epitélop de bexiga). 
FORMAS ALÉLICAS E POLIMORFISMOS 
 Em eucariontes com reprodução sexuada, cada indivíduo normal herda um conjunto cromossômico por parte de pai e 
outro por parte de mãe, dessa forma, cada célula somática terá o mesmo conjunto de locos gênicos representado duas vezes 
(cromossomos homólogos materno e paterno). 
 Se, para um determinado loco, a seqüência de nucleotídeos presente no cromossomo materno for igual a que ocorre 
no cromossomo paterno, o indivíduo será chamado de homozigoto. Se as informações contidas nos cromossomos materno e 
paterno forem diferentes (seqüências de nucleotídeos diferentes) o indivíduo será heterozigoto. 
 As diferentes seqüências de nucleotídeos que podem ser encontradas no mesmo loco são chamadas de formas 
alélicas. Antigamente, a existência de formas alélicas só podia ser reconhecida se uma das seqüências de nucleotídeos fosse 
responsável pela codificação de uma proteína que tivesse funcionamento alterado e isso resultasse em modificação fenotípica. 
Caso contrário, se as proteínas produzidas a partir dos diferentes alelos tivessem funcionamento normal, não seria possível 
detectar a presença de alelos diferentes. 
 Essa situação de dependência da manifestação fenotípica para identificação de formas alélicas estabeleceu o uso de 
expressões como \u201calelo normal\u201d e \u201calelo mutante\u201d (ou \u201calelo para a doença\u201d ou \u201calelo anormal\u201d) que identificam respectivamente 
todas as formas alélicas que são responsáveis pela codificação de proteínas com funcionamento normal e todas as formas 
alélicas que codificam proteínas cuja função é alterada. 
 Ás vezes, a utilização dos termos gene, alelo e loco tem caráter sinônimo, o que pode ser causa de confusões. É 
comum encontrar nos textos expressões como \u201co loco para fibrose cística\u201d ou o \u201cgene da fibrose cística\u201d , sendo empregadas 
como sinônimos. Mais freqüente ainda é o uso do termo gene para designar uma forma alélica específica, por exemplo, \u201co gene 
da fibrose císitica\u201d . 
 Com o desenvolvimento das técnicas de Biologia Molecular criou-se a possibilidade de comparar diretamente as 
seqüências de nucleotídeos que existem no mesmo loco. Através de estudos em populações, demonstrou-se que raramente 
existe uma única forma alélica para cada loco. Dentro de uma população, espera-se que várias formas alélicas estejam 
presentes. Quando são analisadas as seqüências de nucleotídeos que podem ocupar o mesmo loco, não existe \u201c O Alelo 
Normal\u201d e muito menos \u201cO Alelo Mutante\u201d e sim várias formas alélicas que resultam na produção de proteínas com 
funcionamento normal e várias formas alélicas que codificam proteínas que terão desempenhos alterados. Isso significa que, 
mesmo nos casos em que os indivíduos da população possam ser classificados em apenas dois fenótipos (normal e anormal), 
existirá uma variabilidade alélica muito maior do que apenas dois alelos. 
 Para que a presença de mais de uma forma alélica seja reconhecida como importante (em termos de população), é 
necessário que a freqüência do alelo mais comum na população seja inferior a 99%. Todo alelo que tiver freqüência inferior a 1% 
será considerado como uma forma ou variante rara. 
 Quando na população existirem formas alélicas com freqüências superiores a 1% , o loco passa a ser considerado 
polimórfico. Nos casos em que a freqüência do alelo mais comum é igual ou maior que 99%, não se considera a presença das 
outras formas alélicas como significativa e o loco é denominado de monomórfico (presença de apenas uma forma alélica). 
Exemplo de polimorfismo genético 
 Os grupos sangüíneos são definidos por reações de aglutinação de hemácias que ocorrem devido à presença de 
anticorpos específicos para determinados antígenos presentes na membrana plasmática das hemácias (geralmente 
glicoproteínas). 
 Para o sistema ABO são reconhecidos na população quatro fenótipos principais, que correspondem aos grupos 
sangüíneos A, B, AB e O. A freqüência desses fenótipos varia com a população estudada. Por exemplo, o grupo sangüíneo O é o 
mais comum nas populações ameríndias (freqüência de 90% ou mais) e o grupo B é o mais raro (no máximo 5%). 
 O loco que define os fenótipos do sistema ABO está situado em 9q34 (banda 34 do braço longo do cromossomo 9). A 
seqüência de nucleotídeos presente nessa região do cromossomo 9, quando é transcrita e traduzida, origina uma enzima que 
atua como glicosil-transferase, que adiciona grupos glicídicos (D-galactose ou N-acetilgalactosamina) em uma proteína presente 
na membrana plasmática das células ("substância" H). 
 O loco do sistema ABO é polimórfico e as três formas alélicas mais comuns são denominadas de A, B e O. O alelo A 
codifica uma glicosil-transferase que adiciona N-acetilgalactosamina na proteína H. A seqüência de nucleotídeos que 
Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software
http://www.foxitsoftware.com For evaluation only.
corresponde ao alelo B origina uma glicosil-transferase que acrescenta D-galactose na proteína H. O alelo O origina um 
polipeptídio inativo, ou seja, sem função de glicosil-transferase, e portanto incapaz de modificar a "substância" H. 
 As interações existentes entre os alelos são do tipo codominante (A e B) e dominância / recessividade (A e B são 
dominantes sobre O). Isso significa que heterozigotos para os alelos A e B expressam um fenótipo típico (diferente do 
determinado por A ou por B) que corresponde ao grupo sangüíneo AB. Os heterozigotos para os alelos A e O e para os alelos B 
e O são respectivamente do grupo sangüíneo A e do grupo sangüíneo B. 
 
ORIGEM DAS FORMAS ALÉLICAS 
 As formas alélicas surgem através do processo de mutação. Esse termo foi criado para designar toda e 
qualquer alteração do material genético que fosse transmitida para a descendência. Essa definição inclui as 
mutações nas células germinativas e nas células somáticas e, em relação ao tamanho, pode se referir tanto a 
grandes alterações na informação genética (mutações genômicas e cromossômicas) quanto a alterações em um 
número menor de pares de bases (mutações gênicas). 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS MUTAÇÕES 
A) EM RELAÇÃO Á QUANTIDADE DE DNA ALTERADO 
 A classificação mais antiga divide as mutações em três grupos (genômicas, cromossômicas e gênicas), 
segundo a quantidade de DNA envolvido. Essa classificação foi proposta muito antes de se conhecer quais eram 
exatamente