DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade
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DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade


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Causas de Extinção da Punibilidade - Extinção da Punibilidade - Art. 107 a Art. 120, Extinção da
Punibilidade - Código Penal - CP - DL-002.848-1940 - Art. 123 a Art. 1.135, Extinção da Punibilidade -
Código Penal Militar - CPM - DL-001.001-1969 - Direito Penal - Extinção da Pena
"Jus Puniendi": direito de punir do Estado.
Penal
- concurso de crimes: Art. 119, CP
- formas: Art. 107, CP
- medida de segurança; insubsistência: Art. 96, parágrafo único, CP
Processo Penal
- ação civil; propositura, em caso de: Art. 67, II, CPP
- cancelamento da hipoteca: Art. 141, CPP
- concessão da anistia: Art. 187, LEP
- concessão de graça: Art. 192, LEP
- concessão de habeas copus: Art. 648, VII, CPP
- concessão de indulto: Art. 192, LEP
- declaração no livramento condicional: Art. 146, LEP
- denúncia ou queixa; rejeição, em caso de: Art. 43, II, CPP
- levantamento do seqüestro: Arts. 131, III e 141, CPP
- morte do acusado; requisito a ser atendido pelo juiz: Art. 62, CPP
- perdão; aceitação; reconhecimento da mesma: Art. 58, CPP
- reconhecimento; declaração de ofício: Art. 61, CPP
- recurso cabível da decisão que a julgar: Art. 581, VIII, CPP
- recurso cabível da decisão que indefira pedido de conhecimento de causa relativa a: Art. 581, IX, CPP
Causas de Extinção da Punibilidade
"São aquelas que extinguem o direito de punir do Estado. As causas extintivas da punibilidade são
mencionadas no art. 107 do Código Penal. Esse rol legal não é taxativo, pois causas outras existem no
Código Penal e em legislação especial. Cite-se como exemplo o ressarcimento do dano, que, antes do
trânsito em julgado da sentença, no delito de peculato culposo, extingue a punibilidade (CP, art. 312, §
3º), o pagamento do tributo ou contribuição social em determinados crimes de sonegação fiscal etc.
Analisemos a seguir as causas extintivas da punibilidade previstas no art. 107, I a IX, do Código Penal.
1. Morte do Agente (inciso I)
A extinção da punibilidade no caso de morte do agente decorre de dois princípios básicos (E. Magalhães
Noronha, Direito penal, 30. ed., São Paulo, Saraiva, v. 1, p. 334; Heleno Cláudio Fragoso, Lições de
direito penal; parte geral, 4. ed., Rio de Janeiro, Forense, p. 400.): mors omnia solvit (a morte tudo
apaga) e o de que nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente (art. 5º, XLV, 1ª parte, da CF). O
critério legal proposto pela medicina é a chamada morte cerebral, nos termos da Lei n. 9.434/97, que
regula a retirada e transplante de órgãos. Deste modo, é nesse momento que a pessoa deve ser declarada
morta, autorizando-se, por atestado médico, o registro do óbito no Cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais.
a) Agente significa indiciado, réu ou sentenciado, uma vez que essa causa extintiva pode ocorrer em
qualquer momento da persecução penal, desde a instauração do inquérito até o término da execução da
pena.
b) Trata-se de causa personalíssima, que não se comunica aos partícipes e co-autores (só extingue a
punibilidade do falecido).
c) Extingue todos os efeitos penais da sentença condenatória, principais e secundários.
d) Se ocorrer após o trânsito em julgado da condenação, a morte só extinguirá os efeitos penais,
principais e secundários, não afetando, no entanto, os extrapenais. Assim, por exemplo, nada impedirá a
execução da sentença penal no juízo cível contra os sucessores do falecido, desde que realizada a prévia
liquidação do valor do dano.
e) A morte do agente extingue a pena de multa, uma vez que esta não poderá ser cobrada dos seus
herdeiros (CF, art. 5º, XLV - a pena não pode passar da pessoa do condenado). Mesmo em face da Lei
n. 9.268/96, segundo a qual a multa passou a ser considerada dívida de valor para fins de cobrança,
permanece a impossibilidade de a pena pecuniária ser executada dos herdeiros, uma vez que subsiste sua
natureza de pena. No entanto, quanto às penas alternativas pecuniárias, discute-se sua natureza (possuem
caráter de pena ou de reparação civil?) e, dependendo dessa natureza, a possibilidade de serem
cobradas dos herdeiros, quando da morte do agente (vide Penas Alternativas).
f) A morte somente pode ser provada mediante certidão de óbito, uma vez que o art. 155 do Código de
Processo Penal exige as mesmas formalidades da lei civil para as provas relacionadas ao estado das
pessoas (nascimento, morte, casamento, parentesco etc.). O art. 29, III, da Lei de Registros Públicos
(Lei n. 6.015/73) determina a obrigatoriedade do registro do óbito no Cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais, e seu art. 77, caput, estatui que "nenhum sepultamento será feito sem certidão de
óbito". A declaração de ausência, prevista pelos arts. 22 e seguintes do novo Código Civil, não se
equipara à morte, uma vez que sua finalidade é apenas patrimonial: nomeação de um curador para
administrar os bens do ausente, nos termos do art. 23 do Código Civil, e estabelecer a sucessão
provisória (CC, arts. 26 a 36) e, depois, definitiva (CC, arts. 37 a 39). Ausente é aquele que
desapareceu, e não aquele que morreu. Nas hipóteses do art. 7º, I e II, do CC, no entanto, a legislação
prevê a prolação de uma sentença judicial, fixando, inclusive, a provável data da morte. Tal ocorre "se for
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida" (CC, art. 7º, I) e "se alguém,
desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até 2 (dois) anos após o término da
guerra" (CC, art. 7º, II). Outra hipótese encontra-se na Lei de Registros Públicos, art. 88 e parágrafo, e
consiste no desaparecimento em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra catástrofe,
desde que provada a presença da pessoa no local e desde que esgotados os meios possíveis de
localização do cadáver. Nesses casos, diferentemente da ausência, lavra-se a certidão de óbito e julga-se
extinta a punibilidade penal, nos termos do art. 107, I, do Código Penal.
g) No caso de certidão falsa, se a sentença extintiva da punibilidade já tiver transitado em julgado, só
restará processar os autores da falsidade, uma vez que não existe em nosso ordenamento jurídico a
revisão pro societate. Há posicionamento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que "o
desfazimento da decisão que, admitindo por equívoco a morte do agente, declarou extinta a punibilidade,
não constitui ofensa à coisa julgada" (HC 60.095-600, DJU, 17-12-1982, p. 13203. No mesmo sentido:
RTJ, 93/986.). Isto porque o erro material não transita em julgado, podendo ser corrigido a todo tempo,
mesmo ex officio, inexistindo preclusão pro judicato. Como exemplo se pode citar a decretação da
extinção da punibilidade do acusado com base em certidão de óbito de terceiro homônimo (RT,
691/323.). Tal posição parte do pressuposto de que a sentença assim prolatada reputa-se inexistente,
vício que, ao contrário da nulidade, não necessita de pronunciamento judicial para ser declarado,
bastando que se desconsidere a decisão que não existe e se profira outra em seu lugar (Cf. Femando
Capez, Curso de processo penal, 5. ed., São Paulo, Saraiva, 2000, p.603.).
h) A declaração de extinção da punibilidade pelo juiz exige a prévia manifestação do Ministério Público
(CPP, art. 62).
2. Anistia, Graça e Indulto (inciso II)
São espécies de indulgência, clemência soberana ou graça em sentido amplo. Trata-se da renúncia do
Estado ao direito de punir.
Anistia
Conceito: lei penal de efeito retroativo que retira as conseqüências de alguns crimes já praticados,
promovendo o seu esquecimento jurídico; na conceituação de Alberto Silva Franco, "é o ato legislativo
com que o Estado renuncia ao jus puniendi" (Código Penal, cit., p. 1227.).
Espécies: são elas (Cf. Damásio E. de Jesus, Direito penal, cit., p. 694.):
a) especial: para crimes políticos;
b) comum: para crimes não políticos;
c) própria: antes do trânsito em julgado;
d) imprópria: após o trânsito em julgado;
e) geral ou plena: menciona apenas os fatos, atingindo