DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade
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homicídio simples tentado; a pena varia entre 6 e 20 anos de reclusão; leva-se em conta o máximo,
independente das circunstâncias judiciais e das agravantes e atenuantes; em seguida, reduz-se pelo
mínimo; como na tentativa a pena é reduzida de 1/3 a 2/3, a diminuição se fará por apenas 113 (busca-se
a maior pena possível para o homicídio tentado); chega-se então à pena de 20 anos diminuída de 1/3, ou
seja, 13 anos e 4 meses; a prescrição dar-se-á, segundo a pena abstrata, em 20 anos.
Causas interruptivas da prescrição: são aquelas que obstam o curso da prescrição, fazendo com que este
se reinicie do zero, desprezando o tempo já decorrido. São, portanto, aquelas que "zeram" o prazo
prescricional. São as seguintes:
a) recebimento da Denúncia ou Queixa: a publicação do despacho que recebe a denúncia ou queixa (data
em que o juiz entrega em cartório a decisão) interrompe a prescrição. O recebimento do aditamento à
denúncia ou à queixa não interrompe a prescrição, a não ser que seja incluído novo crime, caso em que a
interrupção só se dará com relação a esse novo crime. A rejeição também não interrompe. Importante
lembrar que, por considerarmos o despacho de recebimento da denúncia de cunho decisório, porquanto
acolhe ou não a pretensão deduzida pela acusação, quando proferido por juiz incompetente é ineficaz
para interromper a prescrição, nos termos do art. 567, primeira parte, do Código de Processo Penal
(Nesse sentido: STJ, 6ª T., HC 5.871-SP, Rel. Min. Femando Gonçalves, DJU, 28-4-1997, p. 15919.).
b) Publicação da Sentença de Pronúncia: interrompe a prescrição não apenas para os crimes dolosos
contra a vida, mas também com relação aos delitos conexos. Se o júri desclassifica o crime para não
doloso contra a vida, nem por isso a pronúncia anterior perdeu seu efeito interruptivo (Súmula 191, de
15-6-1997, do STJ). Exemplo: se a tentativa de homicídio for desclassificada, pelo júri, para delito de
periclitação da vida (CP, art. 132), o novo prazo prescricional, acentuadamente reduzido com a
desclassificação, provocará a necessidade de uma recontagem. Sim, porque pode ser que por esse prazo
menor tivesse ocorrido a prescrição. No entanto, essa recontagem se fará com obediência aos mesmos
marcos interruptivos: 1) da data do fato até o recebimento da denúncia; 2) do recebimento da denúncia
até a pronúncia (que continua valendo); 3) desta até a decisão condenatória. Pretendia-se que, na
recontagem do prazo (agora bem menor), fossem levados em conta apenas dois marcos, suprimindo-se a
pronúncia: 1) do fato até o recebimento da denúncia; 2) deste até a sentença condenatória,
desaparecendo a decisão de pronúncia. Argumento: se o crime não é doloso contra a vida, nunca deveria
ter existido pronúncia. Esse argumento não prevaleceu, pois o importante é que, na época em que foi
proferida a pronúncia, o crime foi considerado doloso contra a vida (tempus regit actuam), não tendo a
desclassificação posterior o condão de fazer desaparecer aquela decisão. A impronúncia, a absolvição
sumária e a desclassificação a que se refere o art. 410 do CPP não interrompem a prescrição;
c) acórdão confirmatório da pronúncia;
d) publicação da sentença condenatória recorrível: a publicação de uma sentença ocorre na data em que
o escrivão a recebe em cartório assinada pelo juiz. O acórdão que confirma a condenação não
interrompe a prescrição, ao contrário do acórdão que confirma a pronúncia. Só haverá interrupção em
um caso: se a sentença for absolutória e o acórdão a reformar, proferindo o veredicto condenatório.
Portanto, o que interrompe a prescrição é a primeira decisão condenatória recorrível (monocrática ou
colegiada) proferida no processo. Se da decisão condenatória não couber recurso (p. ex., acórdão
unânime do STF), ainda que seja a primeira condenação proferida naquele processo, não haverá
interrupção. A sentença que concede o perdão judicial não interrompe a prescrição, pois se trata de
sentença declaratória da extinção da punibilidade (Súmula 18 do STJ). A sentença que reconhece a
semiimputabilidade do acusado interrompe, pois é condenatória.
- a interrupção da prescrição, em relação a qualquer dos autores, estende-se aos demais. Assim, por
exemplo, a denúncia recebida contra Tício interrompe a prescrição contra todos os seus co-autores e
partícipes, ainda que desconhecidos à época. Se, futuramente, vierem a ser identificados e denunciados, a
prescrição já estará interrompida desde o primeiro recebimento.
Causas suspensivas da prescrição: são aquelas que sustam o prazo prescricional, fazendo com que
recomece a correr apenas pelo que restar, aproveitando o tempo anteriormente decorrido. Portanto, o
prazo volta a correr pelo tempo que faltava, não retomando novamente à estaca zero, como nas causas
interruptivas.
Suspende-se a prescrição:
a) enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o conhecimento da existência do
crime: trata-se das questões prejudiciais, ou seja, aquelas cuja solução importa em prejulgamento da
causa. Exemplo: o réu não pode ser condenado pela prática de furto enquanto não resolvido em processo
cível se ele é o proprietário da res furtiva. Enquanto o processo criminal estiver suspenso, aguardando a
solução da prejudicial no litígio cível, a prescrição também estará suspensa;
b) enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro por qualquer motivo: salvo se o fato for atípico no
Brasil;
c) na hipótese de suspensão parlamentar do processo: a partir da Emenda Constitucional n. 35, de 20 de
dezembro de 2001, não há mais necessidade de licença prévia da Casa respectiva para a instauração de
processo contra'deputado ou senador. O Supremo Tribunal Federal pode receber a denúncia, sem
solicitar qualquer autorização ao Poder Legislativo. Há, no entanto, um controle posterior, uma vez que,
recebida a peça acusatória, o Poder Judiciário deverá cientificar a Câmara dos Deputados ou o Senado
Federal, conforme o caso, os quais, por maioria absoluta de seus membros (metade mais um), em
votação aberta, que deverá realizar-se dentro de prazo máximo de 45 dias, poderão determinar a
sustação do processo. A suspensão do processo suspenderá a prescrição, enquanto durar o mandato
(CF, art. 53, §§ 3º a 5º, com a redação dada pela EC n. 35/2001);
d) durante o prazo de suspensão condicional do processo, nos crimes cuja pena mínima for igualou
inferior a um ano, nos termos do art. 89, § 6º, da Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995 (Lei dos
Juizados Especiais);
e) se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o
processo e o curso do prazo prescricional, até o seu comparecimento, de acordo com a nova redação do
art. 366 do Código de Processo Penal, introduzida pela Lei n. 9.271, de 17 de abril de 1996. A questão
que aqui se impõe é a seguinte: se o acusado jamais for localizado, o processo ficará indefinidamente
suspenso e não prescreverá? Se o imputado for encontrado 40 anos depois, já com 80 anos de idade, o
processo retomará seu curso normal nessa data? A resposta negativa se impõe, uma vez que os casos de
imprescritibilidade encontram-se delimitados expressamente no Texto Constitucional (art. 5º, XLII e
XLIV), não havendo possibilidade de ampliá-los por meio de dispositivo infraconstitucional. Dessa forma,
a prescrição não poderá ficar perpetuamente suspensa, havendo um momento de retomada da contagem,
com o reinício da prescrição. A indagação que fica é a seguinte: se a suspensão não é perpétua, por
quanto tempo a prescrição ficará suspensa? Entendemos que o prazo de suspensão será o prescricional
máximo, calculado com base na maior pena abstrata cominada ao crime, ou seja: toma-se o máximo de
pena previsto, coteja-se essa pena abstrata à tabela do art. 109 do CP e encontra-se o prazo máximo de
suspensão. Após o decurso desse período, o processo continua suspenso, mas a prescrição voltará a
correr.
Uma última questão: a norma tem conteúdo híbrido, isto é, tem uma parte penal, relativa à suspensão do
prazo prescricional,