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DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade

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ou clemência soberana),
englobando, com isso, a "graça em sentido estrito" e o "indulto". Não há, portanto, qualquer
inconstitucionalidade na proibição do indulto pela Lei n. 8.072/90. Além disso, mesmo que se
interpretasse a referência do constituinte como sendo somente em relação à graça em sentido estrito,
ainda assim seria possível ao legislador proibir também o indulto, uma vez que a Constituição não
estabeleceu nenhuma vedação expressa quanto a isso. Considerando, portanto, a determinação
constitucional de tratamento penal mais rigoroso e a inexistência de vedação expressa quanto à proibição
do indulto, inexiste qualquer vício de incompatibilidade vertical entre o art. 2º, I, e a Carta Magna. A
norma tem conteúdo penal, pois trata da ampliação do jus puniendi, proibindo a sua extinção (pela anistia,
graça ou indulto) no caso desses crimes. Toda nonna que amplia ou reduz o jus puniendi tem natureza
penal e, portanto, só pode retroagir em benefício do agente (CF, art. 5º, XL). Assim, os crimes
hediondos praticados antes da entrada em vigor dessa lei não estão sujeitos à proibição da anistia, graça
ou indulto. Convém ressaltar que, no caso da tortura, embora o art. 1º, § 6º, da Lei n. 9.455/97
determine que o crime de tortura é insuscetível apenas de graça ou anistia, nada mencionando acerca do
indulto, entendemos que tal benefício também está proibido, uma vez que a CF, em seu art. 5º, XLIII,
proibiu a concessão do indulto, mencionando o termo "graça" em seu sentido amplo. Assim, de nada
adiantou a lei que definiu os crimes de tortura ter omitido tal vedação, porque ela defluiu diretamente do
próprio Texto Constitucional.
- admite-se a concessão do indulto àquele que se encontra no gozo do sursis ou do livramento
condicional, bem como se admite a soma das penas de duas condenações para verificar se estão ou não
dentro dos limites previstos no decreto de indulto.
Cabe anistia, graça ou indulto em ação penal privada? Sim, porque o Estado só delegou ao particular a
iniciativa da ação, permanecendo com o direito de punir, do qual pode renunciar por qualquer dessas três
formas.
Qual o instrumento normativo da anistia? A lei.
Qual o instrumento normativo do indulto e da graça? O decreto presidencial.
3.Lei posterior que deixa de considerar o fato criminoso - "abolitio criminis"
A lei penal retroage, atingindo fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor, sempre que beneficiar o
agente de qualquer modo (CF, art. 5º, XL). Se a lei posterior deixa de considerar o fato como criminoso,
isto é, se lei posterior extingue o tipo penal, retroage e torna extinta a punibilidade de todos os autores da
conduta, antes tida por delituosa. Se o processo estiver em andamento, será o juiz de primeira instância
que julgará e declarará extinta a punibilidade do agente, nos termos do art. 61 do Código de Processo
Penal. Se o processo estiver em grau de recurso, será o tribunal incumbido de julgar tal recurso, que irá
extinguir a punibilidade do agente. Se já se tiver operado o trânsito em julgado da condenação, a
competência para extinguir a punibilidade será do juízo da execução, nos termos do art. 66, II, da Lei de
Execução Penal; do art. 13 da Lei de Introdução ao CPP; da Súmula 611 do STF; e em obediência ao
princípio do duplo grau de jurisdição, que seria violado pela extinção da punibilidade declarada
diretamente pelo tribunal, por meio de revisão criminal (cf. comentário ao art. 2º do CP).
4. Renúncia ao direito de queixa
Conceito: abdicação do direito de promover a ação penal privada, pelo ofendido ou seu representante
legal.
Oportunidade: só antes de iniciada a ação penal privada, ou seja, antes de oferecida a queixa-crime.
Cabimento: só cabe na ação penal exclusivamente privada, sendo inaceitável na ação privada subsidiária
da pública, pois esta tem natureza de ação pública.
Formas: expressa ou tácita.
a) expressa: declaração escrita assinada pelo ofendido ou por seu representante legal ou, ainda, por
procurador com poderes especiais (CPP, art.50);
b) tácita: prática de ato incompatível com a vontade de dar início à ação penal privada (p. ex.: o ofendido
vai jantar na casa de seu ofensor, após a ofensa).
Recebimento de indenização: o recebimento da indenização pelo dano resultante do crime não caracteriza
renúncia tácita (CP, art. 104, parágrafo único). No caso, porém, da Lei n. 9.099/95 (Lei dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais), "tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação pública
condicionada à representação, o acordo entre ofensor e ofendido, homologado, acarreta a renúncia ao
direito de queixa ou representação" (art. 74, parágrafo único). Esse acordo é a composição civil dos
danos, consistente na aceitação pelo ofendido da indenização pelo dano resultante da infração. Assim,
nas infrações penais de iniciativa privada e pública condicionada à representação, de competência dos
Juizados Especiais, o recebimento da indenização extingue a punibilidade do agente. Nos demais casos,
não.
Ofendido maior de 18 anos: somente ele pode renunciar ao direito de queixa, uma vez que, sendo
plenamente capaz (CC, art. 5º), não tem representante legal. Não importa se é maior de 21 anos ou não,
após os 18, a legitimidade para oferecer a queixa e renunciar ao seu exercício é exclusiva do ofendido.
Queixa oferecida contra um dos ofensores: há duas posições:
1ª) o Ministério Público não pode aditar a queixa para nela incluir os demais ofensores, sob o pretexto de
zelar pela indivisibilidade da ação, por lhe faltar legitimidade (se não pode propor a ação penal privada,
não pode incluir nenhum querelado). Nos termos do art. 48 do Código de Processo Penal, a queixa deve
ser oferecida contra todos os autores do crime, em face do princípio da indivisibilidade da ação penal
privada. O querelante, assim, tem duas opções: ou processa todos ou não processa ninguém, sendo
inaceitável que escolha algum ou alguns para processar. Se oferecer a queixa contra um dos ofensores,
significa renúncia tácita com relação aos demais. Ora, em face da indivisibilidade da ação penal, essa
renúncia atinge a todos, querelados ou não querelados (renunciar à queixa contra alguns é renunciar com
relação a todos). O Ministério Público não pode aditar a queixa para nela incluir os outros ofensores, pois
usurparia a legitimação do ofendido, que não quis processá-los. Só cabe ao Ministério Público requerer a
extinção da punibilidade dos querelados;
2ª) o Ministério Público deve aditar a queixa para nela incluir os outros querelados, nos termos do art. 45
do Código de Processo Penal, velando, assim, pela indivisibilidade da ação penal privada.
Posição correta: a primeira.
Morte do ofendido: no caso de morte do ofendido, o direito de promover a queixa-crime passa a seu
cônjuge, descendente, ascendente ou irmão, sendo que a renúncia de um não impede os demais de dar
início à ação.
Crimes de dupla subjetividade passiva: são crimes que, por sua natureza, possuem dois sujeitos passivos.
Nesses crimes, a renúncia de uma das vítimas não impede o oferecimento da queixa pela outra.
5. Perdão do Ofendido
Conceito: é a manifestação de vontade, expressa ou tácita, do ofendido ou de seu representante legal, no
sentido de desistir da ação penal privada já iniciada, ou seja, é a desistência manifestada após o
oferecimento da queixa.
Distinção: a renúncia é anterior e o perdão é posterior à propositura da ação penal privada.
Cabimento: só cabe na ação penal exclusivamente privada, sendo inadmissível na ação penal privada
subsidiária da pública, já que esta mantém sua natureza de ação pública.
Oportunidade: só é possível depois de iniciada a ação penal privada, com o oferecimento da queixa e até
o trânsito em julgado da sentença (CP, art. 106, § 2º).
Formas: são elas:
a) processual: concedido nos autos da ação penal (é sempre expresso);
b) extraprocessual: concedido fora dos autos da ação penal (pode ser expresso ou tácito);
c) expresso: declaração escrita, assinada pelo ofendido, seu