DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade
21 pág.

DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade


DisciplinaDireito Penal I80.047 materiais1.350.125 seguidores
Pré-visualização11 páginas
em que o Código Penal foi editado, era muito mais relevante para a vítima,
sob o ponto de vista social, ver o mal, que lhe foi causado pelo estupro ou atentado violento ao pudor,
ser reparado pelo casamento e, por conseguinte, ver cessada a persecução penal contra o seu ofensor. A
insistência no prosseguimento da persecução penal, muitas vezes, não beneficiava a vítima, dado que isso
não tinha o condão de apagar a mácula deixada em sua honra pelo crime sexual. Dessa forma, o
legislador, à época, optou por estimular o enlace matrimonial entre o ofensor e a vítima. Com a revogação
do art. 107, VII e VIII, do Código Penal, não há mais falar em extinção da punibilidade nos crimes nele
elencados. Trata-se de novatio legis in pejus, a qual não pode retroagir para prejudicar o réu. Assim,
aquele que praticou um crime contra os costumes antes da entrada em vigor da Lei n. 11.106, de 28 de
março de 2005, caso venha a contrair casamento com a vítima após a sua vigência, poderá fazer jus à
causa extintiva da punibilidade prevista no revogado inciso VII do art. 107 do Código Penal.
9. Perdão Judicial
Conceito: causa extintiva da punibilidade consistente em uma faculdade do juiz de, nos casos previstos em
lei, deixar de aplicar a pena, em face de justificadas circunstâncias excepcionais.
Faculdade do juiz: o juiz deve analisar discricionariamente se as circunstâncias excepcionais estão ou não
presentes. Caso entenda que sim, não pode recusar a aplicação do perdão judicial, pois, nesse caso, o
agente terá direito público subjetivo ao benefício.
Distinção: distingue-se do perdão do ofendido, uma vez que, neste, é o ofendido quem perdoa o ofensor,
desistindo da ação penal exclusivamente privada. No perdão judicial, é o juiz quem deixa de aplicar a
pena, independente da natureza da ação, nos casos permitidos por lei. O perdão do ofendido depende da
aceitação do querelado para surtir efeitos, enquanto o perdão judicial independe da vontade do réu.
Extensão: a extinção da punibilidade não atinge apenas o crime no qual se verificou a circunstância
excepcional, mas todos os crimes praticados no mesmo contexto. Exemplo: o agente provoca um
acidente, no qual morrem sua esposa, seu filho e um desconhecido. A circunstância excepcional prevista
no art. 121, § 5º, do CP só se refere às mortes da esposa e filho, mas o perdão judicial extinguirá a
punibilidade em todos os três homicídios culposos.
Aliás, há diversas manifestações na jurisprudência a respeito do alcance da expressão "conseqüência da
infração" (mencionada no art. 121, § 5º, do CP e aplicável também ao art. 129, § 8º), em função do
agente e do grau de parentesco que o relaciona à vítima. Vejamos:
a) as conseqüências da infração abrangem tanto as de ordem física quanto as de ordem moral, ocorrendo
esta última quando da perda ou ferimento de um ente familiar próximo, em decorrência, por exemplo, de
acidente automobilístico culposo (RT, 548/374 e 644/294.);
b) as conseqüências atingem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se toma
desnecessária. Exemplo: o aleijamento de uma perna em decorrência de acidente automobilístico (Nesse
sentido: RT, 537/336 e 618/329.);
c) as conseqüências atingem o agente e seus familiares (RT, 602/377.); ou os seus familiares, como a
esposa, o filho, os pais ou o irmão do agente (RT, 555/360, 692/309, 537/336.); as conseqüências
atingem a concubina do agente (RT, 641/344.);
d) as conseqüências atingem a noiva do agente, desde que os laços de noivado redundem em casamento
(RT, 526/386.); as conseqüências atingem amigos íntimos (RT, 600/368.).
Hipóteses legais: o juiz só pode deixar de aplicar a pena nos casos expressamente previstos em lei, quais
sejam:
a) art. 121, § 5º, do CP: homicídio culposo em que as conseqüências da infração atinjam o agente de
forma tão grave que a sanção penal se tome desnecessária;
b) art. 129, § 8º, do CP: lesão corporal culposa com as conseqüências mencionadas no art. 121, § 5º;
c) art. 140, § 1º, I e II, do CP: injúria, em que o ofendido de forma reprovável provocou diretamente a
ofensa, ou no caso de retorsão imediata consistente em outra injúria;
d) art. 176, parágrafo único, do CP: de acordo com as circunstâncias o juiz pode deixar de aplicar a pena
a quem toma refeições ou se hospeda sem dispor de recursos para o pagamento;
e) art. 180, § 5º, do CP: na receptação cu1posa, se o criminoso for primário, o juiz pode deixar de
aplicar a pena, levando em conta as circunstâncias;
f) art. 240, § 4º, do CP: no adultério, o juiz podia deixar de aplicar a pena se houvesse cessado a vida em
comum; entretanto, mencionado dispositivo legal encontra-se atualmente revogado;
g) art. 249, § 2º, do CP: no crime de subtração de incapazes de quem tenha a guarda, o juiz pode deixar
de aplicar a pena se o menor ou interdito for restituído sem ter sofrido maus-tratos ou privações.
Na Lei das Contravenções Penais, existem dois casos:
a) art. 8º: erro de direito;
b) art. 39, § 2º: participar de associações secretas, mas com fins lícitos. Na Lei de Imprensa, há
dispositivo semelhante ao perdão judicial da injúria do CP: art. 22, parágrafo único, da Lei n. 5.250/67.
Natureza jurídica da sentença concessiva: das seis posições que surgiram logo após a entrada em vigor da
nova Parte Geral do CP (Lei n. 7.209/84), restaram duas:
1ª) é condenatória: a sentença que concede o perdão judicial é condenatória, uma vez que só se perdoa a
quem errou. O juiz deve, antes de conceder o perdão judicial, verificar se há prova do fato e da autoria,
se há causa excludente da ilicitude e da culpabilidade, para, só então, condenar o réu e deixar de aplicar a
pena concedendo o perdão. É a orientação seguida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 113-129, DJU,
22-5-1987, p. 9766.). Essa posição acabou reforçada pelo art. 120 do Código Penal, que
expressamente diz que a sentença que concede o perdão judicial não prevalece para efeito de
reincidência. Ora, na lei não existem palavras inúteis, e, se foi preciso criar um artigo para afastar a
reincidência, é porque a sentença teria esse efeito na ausência de disposição legal. Assim, a sentença é
condenatória, e todos os efeitos secundários penais (exceto a reincidência) e extrapenais decorrem da
concessão do perdão. É a nossa posição;
2ª) é declaratória da extinção da punibilidade: a sentença que concede o perdão judicial é meramente
declaratória da extinção da punibilidade, não surtindo nenhum efeito penal ou extrapenal. Essa é a
posição do SuperiorTribunal de Justiça: Súmula 18. Como não se trata de questão de ordem
constitucional, essa posição tende a se firmar como pacífica.
Possibilidade de rejeição da denúncia ou queixa com base no art. 43, II, do Código de Processo Penal:
caso prevaleça a segunda posição citada retra (declaratória da extinção da punibilidade), dela decorrerá a
possibilidade de rejeição da denúncia ou queixa com base no disposto no art. 43, II, do CPP. Isto
porque, nas hipóteses em que for evidente a existência de circunstância autorizadora do perdão judicial,
como, por exemplo, em um homicídio culposo provocado por imprudência, no qual a vítima era filho do
denunciado, o juiz deve, de plano, rejeitar a denúncia, com base no disposto no art. 43, II, do CPP. É
que, de acordo com entendimento pacífico do STJ, a sentença que concede o perdão é declaratória da
extinção da punibilidade (Súmula 18). Ora, se a sentença é declaratória, a punibilidade já estava extinta
desde a consumação do crime, sendo apenas reconhecida por ocasião do pronunciamento jurisdicional.
Assim, nada justifica fique o autor sujeito ao vexame e aos dissabores inerentes ao processo criminal,
quando este já se encontra irremediavelmente "marcado para morrer". Ademais, sendo o perdão judicial
causa extintiva da punibilidade (CP, art. 107, IX), e dispondo o CPP que, "em qualquer fase do
processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-Io de ofício" (art. 61, caput),
entendemos que o art. 43, II, do estatuto