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DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade

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em qualquer fase do procedimento criminal, o que inclui
a fase de inquérito policial, por se tratar de causa extintiva da punibilidade.
Diferença entre o perdão judicial e a causa de redução de pena da Lei n. 9.807/99: o perdão judicial
previsto no art. 13 da referida lei não pode ser confundido com a nova causa de redução de pena
prevista no art. 14 da mesma lei, uma vez que possuem requisitos diferentes. Com efeito, prevê o art. 14:
"O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal
na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime, na localização da vítima com vida e na
recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um a
dois terços".
Como se vê, nessa hipótese o indiciado ou acusado não necessita ser primário, nem se levará em conta a
personalidade do beneficiado e a natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato
criminoso. Portanto, para a redução de pena pretendida, basta ao indiciado ou acusado ter colaborado
para a obtenção de um dos resultados previstos na lei, ao contrário do perdão judicial, em que a
primariedade e aquelas condições devem estar presentes para a concessão do benefício. Basta,
igualmente, dentre os requisitos presentes para a sua incidência, que o sujeito passivo seja encontrado
com vida, ao contrário do requisito para a concessão do perdão judicial, em que se exige que, além de
ser encontrado vivo, esteja com a sua "integridade física preservada".
Assim, como no perdão judicial, entendemos que os pressupostos para a sua aplicação são alternativos;
do contrário, como já sustentado, o dispositivo seria letra morta para os delitos praticados, por exemplo,
sem obtenção de proveito econômico.
10. Decadência
Conceito: é a perda do direito de promover a ação penal exclusivamente privada e a ação penal privada
subsidiária da pública e do direito de manifestação da vontade de que o ofensor seja processado, por
meio da ação penal pública condicionada à representação, em face da inércia do ofendido ou de seu
representante legal, durante determinado tempo fixado por lei.
Efeito: a decadência está elencada como causa de extinção da punibilidade, mas, na verdade, o que ela
extingue é o direito de dar início à persecução penal em juízo. O ofendido perde o direito de promover a
ação e provocar a prestação jurisdicional, e o Estado não tem como satisfazer seu direito de punir.
- a decadência não atinge diretamente o direito de punir, pois este pertence ao Estado e não ao ofendido;
ela extingue apenas o direito de promover a ação ou de oferecer a representação. No crime de estupro
sem violência real (CP, art. 213), a ação penal é privada (art. 225, caput). Se o representante legal não
oferece a queixa dentro do prazo decadencial, ou seja, 6 meses a contar do conhecimento da autoria,
perde o direito de fazê-lo. Se tomou conhecimento na data do crime e permaneceu inerte durante o prazo
de 6 meses, nesse caso o Estado não perdeu o direito de punir, o que só ocorrerá 16 anos após o crime
(pena máxima de 10 anos = a prescrição se opera em 16 anos), mas fica impossibilitado de satisfazer o
jus puniendi. Assim, a decadência, embora não afetasse diretamente a punibilidade, tornou impossível o
seu exercício, extinguindo-a indiretamente.
Prazo decadencial: o ofendido, ou seu representante legal, decairá do direito de queixa ou representação
se não o exercer dentro do prazo de 6 meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do
crime (arts. 38 do CPP e 103 do CP).
No caso da ação penal privada subsidiária da pública (art. 5º, LIX, da CF, art. 100, § 3º, do CP, e art.
29 do CPP), que é aquela proposta pelo ofendido, quando o Ministério Público deixa de oferecer a ação
penal pública no prazo legal, os 6 meses começam a contar a partir do dia em que se esgota o prazo para
o oferecimento da denúncia.
O prazo decadencial cessa na data do oferecimento da queixa e não na data de seu recebimento (STF, 2ª
T., RHC 63.665, DJU, 9-5-1986, p. 7627.). Da mesma forma, a entrega da representação em cartório
impede a consumação da decadência.
Conta-se o prazo de acordo com a regra do art. 10 do CP, incluindo-se o dia do começo, não se
prorrogando em face de domingos, férias e feriados (RT, 530/367.), uma vez que se trata de prazo de
natureza penal que leva à extinção do direito de punir.
Crimes de lesão corporal dolosa de natureza leve e lesão corporal culposa: o prazo, em regra, é o do art.
38 do Código de Processo Penal, segundo o qual "o ofendido, ou seu representante legal, decairá do
direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do
dia em que vier a saber quem é o autor do crime". Excepcionalmente, porém, somente nos inquéritos
policiais e processos em andamento na entrada em vigor da Lei n. 9.099/95 o prazo decadencial será de
30 dias, a contar da intimação do ofendido ou seu representante legal. Nesse sentido a disposição
transitória do art. 91 da Lei dos Juizados Especiais.
Titularidade do direito de queixa ou de representação: depende do caso:
a) ofendido menor de 18 anos: pertence ao seu representante legal;
b) ofendido maior de 18 anos: somente ele pode exercer o direito de queixa ou de representação, pois,
sendo maior e plenamente capaz, não há que se falar em representante legal.
Súmula 594 do STF: previa a autonomia de prazos decadenciais para o ofendido maior de 18 e menor de
21 anos e seu representante legal exercitarem o direito de queixa ou de representação. Perdeu o sentido,
pois a partir dos 18 anos somente o ofendido terá legitimidade para oferecer uma ou outra.
Decadência no crime continuado e no crime habitual: depende do caso:
a) crime continuado: incide isoladamente sobre cada crime;
b) crime habitual: começa a partir do último ato.
Não-interrupção: o prazo decadencial não se interrompe pela instauração de inquérito policial (RTJ,
78/142.), nem pelo pedido de explicações emjuízo (RTJ, 83/662.).
11. Prescrição
O Estado, como ente dotado de soberania, detém, exclusivamente, o direito de punir (jus puniendi).
Tratando-se de manifestação de poder soberano, tal direito é exclusivo e indelegável. Mesmo na ação
penal de iniciativa privada, o particular possui apenas a prerrogativa de dar início ao processo, por meio
da queixa. No entanto, ojus puniendi continua com o Estado, tanto que é possível a este conceder anistia
em crime de ação privada (ora, só quem detém o jus puniendi pode a ele renunciar). Esse direito existe
abstratamente, independente de vir a ser praticada a infração penal, e se impõe a todos indistintamente. O
Estado não tem o poder de punir fulano ou beltrano, mas simplesmente tem o poder de punir (qualquer
eventual infrator). No momento em que um crime é praticado, esse direito abstrato e impessoal se
concretiza e se volta especificamente contra a pessoa do delinqüente. Nesse instante, de direito passa a
pretensão. Pretensão é a disposição de submeter um interesse alheio a um interesse próprio. O Estado
passa a ter o interesse de submeter o direito de liberdade daquele criminoso ao seu direito de punição.
Surge uma relação jurídico-punitiva com o delinqüente, pela qual o direito de punir sai do plano abstrato e
se concretiza, voltando-se contra o autor da infração penal. Essa pretensão individual e concreta, na qual
o direito abstrato se transformou, denomina-se punibilidade. Punibilidade é a possibilidade de efetivação
concreta da pretensão punitiva. Para satisfazê-Ia, o Estado deve agir dentro de prazos determinados, sob
pena de perdê-la. Há um prazo para satisfazer a pretensão punitiva e outro para executar a punição
imposta. Prescrição é, justamente, a perda da pretensão concreta de punir o criminoso ou de executar a
punição, devido à inércia do Estado durante determinado período de tempo.
Conceito: perda do direito-poder-dever de punir pelo Estado em face do não-exercício da pretensão
punitiva (interesse em aplicar a pena) ou da pretensão executória