DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade
21 pág.

DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade


DisciplinaDireito Penal I80.047 materiais1.350.125 seguidores
Pré-visualização11 páginas
(interesse de executá-Ia) durante certo
tempo.
O não-exercício da pretensão punitiva acarreta a perda do direito de impor a sanção. Então, só ocorre
antes de transitar em julgado a sentença final (RT, 601/433.). O não-exercício da pretensão executória
extingue o direito de executar a sanção imposta. Só ocorre, portanto, após o trânsito em julgado da
sentença condenatória.
Natureza jurídica: a prescrição é um instituto de Direito Penal, estando elencada pelo CP como causa de
extinção da punibilidade (art. 107, IV). Embora leve também à extinção do processo, esta é mera
conseqüência da perda do direito de punir, em razão do qual se instaurou a relação processual.
Fundamentos: são os seguintes:
a) inconveniência da aplicação da pena muito tempo após a prática da infração penal;
b) combate à ineficiência: o Estado deve ser compelido a agir dentro de prazos determinados.
Diferença entre prescrição e decadência: a prescrição extingue o direito de punir do Estado, enquanto a
decadência atinge o direito do ofendido de promover a ação penal privada. A prescrição atinge, portanto,
em primeiro lugar o direito de punir do Estado e, em conseqüência, extingue o direito de ação (a ação se
iniciou para a satisfação do direito; não existindo mais jus puniendi, o processo perde seu objeto); a
decadência (e a Perempção), ao contrário, alcança primeiro o direito de ação, e, por efeito, o Estado
perde a pretensão punitiva. Exemplo: o ofendido sofre calúnia e toma conhecimento da identidade do seu
caluniador, um menor de 21 anos à época dos fatos, somente 3 anos após a consumação. Nos 3 meses
subseqüentes ingressa com a queixa-crime, dentro do prazo decadencial de 6 meses. A queixa será
rejeitada com base.no art. 43, II, do CPP, uma vez que, embora não tivesse se operado ainda a
decadência, ocorreu a prescrição, contada desde a data da consumação (Pena máxima da calúnia = 2
anos. Prazo prescricional correspondente = 4 anos. Autor menor de 21 anos na data do fato = reduz a
prescrição pela metade). O direito de ação ainda não havia decaído, mas a pretensão punitiva do Estado
já tinha desaparecido, por força da prescrição. No caso da ação penal privada subsidiária da pública fica
bem evidenciada a diferença entre os efeitos da prescrição e da decadência. De fato, em regra a
decadência leva à extinção da punibilidade, porque, não podendo mais a vítima oferecer a representação
e autorizar o início da persecução penal ou não tendo mais o direito de ajuizar a queixa, o Estado não terá
como satisfazer seu direito de punir, o qual, ante a esta absoluta impossibilidade, fica, por conseqüência,
extinto. No entanto, na ação privada subsidiária, se o ofendido ou seu representante legal não promover a
queixa nos 6 meses subseqüentes ao ténnino do prazo para o Ministério Público apresentar a denúncia,
operar-se-á a decadência e, por conseguinte, a extinção do direito de oferecer a queixa subsidiária.
Entretanto, a punibilidade não restará extinta, pois o Ministério Público pode, a qualquer tempo, ingressar
com a ação pública, desde que não sobrevenha a prescrição. Desse modo, a decadência não afeta o jus
puniendi, mas o direito do particular de dar início à persecução penal. Quando não houver outro meio de
instauração do inquérito policial ou do processo, por via indireta, também se extinguirá a punibilidade,
caso dos crimes de ação penal privada e pública condicionada à representação do ofendido. No entanto,
quando o perecimento do direito de ação não impedir o início do processo, caso da ação privada
subsidiária, em que o Ministério Público continua com o poder de oferecer a denúncia até o advento da
prescrição, a decadência não terá como atingir a pretensão punitiva estatal, extinguindo apenas a
possibilidade de o ofendido ou seu representante legal ajuizar a queixa subsidiária.
Imprescritibilidade: só existem duas hipóteses em que não correrá a prescrição penal: a) crimes de
racismo, assim definidos na Lei n. 7.716/89 (CF, art. 5º, XLII); e b) as ações de grupos armados, civis
ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático, assim definidas na Lei n. 7.170/83, a
chamada nova Lei de Segurança Nacional (CF, art. 5º, XLIV). A Constituição consagrou a regra da
prescritibilidade como direito individual do agente. Assim, é direito público subjetivo de índole
constitucional de todo acusado o direito à prescrição do crime ou contravenção penal praticada. Tal
interpretação pode ser extraída do simples fato de o Texto Magno ter estabelecido expressamente quais
são os casos excepcionais em que não correrá a prescrição. Como se trata de direito individual, as
hipóteses de imprescritibilidade não poderão ser ampliadas, nem mesmo por meio de emenda
constitucional, por se tratar de cláusula pétrea (núcleo constitucional intangível), conforme se verifica da
vedação material explícita ao poder de revisão, imposta pelo art. 60, § 4º, IV, da CF. Com efeito, não
serão admitidas emendas constitucionais tendentes a restringir direitos individuais, dentre os quais o direito
à prescrição penal.
Atenção: os crimes de tortura e os crimes hediondos são prescritíveis.
Espécies de prescrição: o Estado possui duas pretensões: a de punir e a de executar a punição do
delinqüente. Por conseguinte, só podem existir duas extinções. Existem, portanto, apenas duas espécies
de prescrição:
a) prescrição da pretensão punitiva (PPP);
b) prescrição da pretensão executória (PPE).
Prescrição da Pretensão Punitiva (PPP)
Conceito: perda do poder-dever de punir, em face da inércia do Estado durante determinado lapso de
tempo.
Efeitos: são eles:
a) impede o início (trancamento de inquérito policial) ou interrompe a persecução penal em juízo;
b) afasta todos os efeitos, principais e secundários, penais e extrapenais, da condenação;
c) a condenação não pode constar da folha de antecedentes, exceto quando requisitada por juiz criminal
(RTJ, 101/745.).
Oportunidade para declaração: nos termos do art. 61, caput, do CPP, a prescrição da pretensão punitiva
pode ser declarada a qualquer momento da ação penal, de ofício ou mediante requerimento de qualquer
das partes.
Juiz que condena: não pode, a seguir, declarar a prescrição, uma vez que, após prolatar a sentença,
esgotou sua atividade jurisdicional. Além disso, não pode ele mesmo dizer que o Estado tem o direito de
punir (condenando o réu) e, depois, afirmar que esse direito foi extinto pela prescrição.
Exame do mérito: o reconhecimento da prescrição impede o exame do mérito, uma vez que seus efeitos
são tão amplos quanto os de uma sentença absolutória (RTJ, 118/934.). Ademais, desaparecido o objeto
do processo, este não encontra justificativa para existir por mais nenhum segundo.
Subespécies de prescrição da pretensão punitiva (PPP): dependendo do momento processual em que o
Estado perde o seu direito de aplicar a pena, e de acordo com o critério para o cálculo do prazo, a
prescrição da pretensão punitiva se subdivide em:
a) PPP propriamente dita: calculada com base na maior pena prevista no tipo legal (pena abstrata);
b) PPP intercorrente ou superveniente à sentença condenatória: calculada com base na pena efetivamente
fixada pelo juiz na sentença condenatória e aplicável sempre após a condenação de primeira instância;
c) PPP retroativa: calculada com base na pena efetivamente fixada pelo juiz na sentença condenatória e
aplicável da sentença condenatória para trás;
d) PPP antecipada, projetada, perspectiva ou virtual: reconhecida, antecipadamente, com base na
provável pena fixada na futura condenação.
Termo inicial da PPP - art. 111, I, II, III e IV, do CP: a prescrição da pretensão punitiva começa a
correr:
a) a partir da consumação do crime: observe que o CP adotou a teoria do resultado, para o começo do
prazo prescricional, embora, em seu art. 4º, considere que o crime é praticado no momento da ação ou
da omissão, ainda que outro seja o do resultado (teoria da atividade). Assim, o crime ocorre no momento
em que se dá a ação ou omissão (teoria da atividade), mas,