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DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade

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paradoxalmente, a prescrição só começa a
correr a partir da sua consumação (teoria do resultado);
b) no caso de tentativa, no dia em que cessou a atividade: uma vez que, nesta, não há consumação, outro
deve ser o termo inicial;
c) nos crimes permanentes, a partir da cessação da permanência: crime permanente é aquele cujo
momento consumativo se prolonga no tempo (p. ex.: seqüestro). A cada dia se renova o momento
consumativo e, com ele, o termo inicial do prazo. Assim, a prescrição só começa a correr na data em que
se der o encerramento da conduta, ou seja, com o término da permanência;
d) nos crimes de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento de registro civil, a partir da
data em que o fato se tornou conhecido da autoridade (delegado de Polícia, juiz de Direito ou promotor
de Justiça): são crimes difíceis de ser descobertos, de modo que, se a prescrição começasse a correr a
partir da consumação, o Estado perderia sempre o direito de punir. Se o fato é notório, não há
necessidade de prova do conhecimento formal da ocorrência (RTJ, 85/240.), a instauração do inquérito
policial ou sua requisição pelo juiz ou promotor de Justiça constituem prova inequívoca do conhecimento
do fato pela autoridade;
e) no Crime Continuado: a prescrição incide isoladamente sobre cada um dos crimes componentes da
cadeia de continuidade delitiva (art. 119 do CP), como se não houvesse concurso de crimes;
f) nos casos de Concurso material e Concurso formal: a prescrição incide isoladamente sobre cada
resultado autonomamente (art. 119 do CP), como se não existisse qualquer concurso. Exemplo: dirigindo
em alta velocidade, Tício provoca acidente, matando duas pessoas, em concurso formal; uma morre na
hora e a outra, 6 meses depois; a prescrição do primeiro homicídio começa a correr 6 meses antes da
prescrição do segundo. Nos casos de concurso material, segue-se a mesma regra.
Contagem do prazo prescricional: conta-se de acordo com a regra do art. 10 do CP, computando o dia
do começo e contando os meses e anos pelo calendário comum (cf. comentários ao art. 10).
O prazo é fatal e improrrogável, pouco importando que termine em sábado, domingo, feriado ou período
de férias.
Cálculo do prazo prescricional: o prazo prescricional é calculado em função da pena privativa de
liberdade.
No momento em que a prescrição começa a correr, não se sabe qual a pena que será fixada pelo juiz na
sentença. Dessa forma, o único jeito de calcular o prazo prescricional é pela maior pena possível que o
juiz poderia fixar (também chamada de máximo cominado abstratamente).
O cálculo se faz, portanto, pela pior das hipóteses (na pior das hipóteses, isto é, ainda que o juiz fixasse a
maior pena possível, ocorreria a prescrição).
Então, para saber qual o prazo prescricional, deve-se observar qual a pena cominada no tipo. Exemplo:
crime de furto simples; a pena varia de um a 4 anos de reclusão; a maior pena possível é a de 4 anos;
logo, a prescrição será calculada em função desses 4 anos.
No art. 109 do CP existe uma tabela na qual cada pena tem seu prazo prescricional correspondente.
Tabela do Prazo Prescricional
Pena Prazo prescricional
menor que 1 ano 2 anos
de 1 até 2 anos 4 anos
mais de 2 até 4 8 anos
mais de 4 até 8 12 anos
mais de 8 até 12 16 anos
mais de 12 20 anos
Circunstâncias judiciais: não influem no cálculo da PPP pela pena abstrata: são os critérios gerais de
fixação de pena previstos no art. 59 do CP e levados em conta na primeira fase de fixação de pena. Não
podem fazer com que a pena saia de seus limites legais. Por mais favoráveis que sejam, não podem levar
a pena abaixo do mínimo, e, por piores, não poderão exceder o máximo (CP, art. 59, II). Se a pena não
pode, nessa fase, restar superior ao máximo cominado no tipo, tais circunstâncias não serão levadas em
consideração para o cálculo da prescrição pela pena abstrata, pois, ainda que todas incidissem para
agravá-la, esta não poderia ficar além do máximo cominado. Assim, independentemente de as
circunstâncias judiciais serem ou não favoráveis, a prescrição será calculada pelo máximo previsto no tipo
incriminador.
Circunstâncias agravantes e atenuantes: também não influem: as agravantes estão elencadas nos arts. 61 e
62, e as atenuantes nos arts. 65 e 66 (circunstância atenuante inominada) do Código Penal. São levadas
em consideração na segunda fase de fixação de pena, e também não podem fazer com que a pena saia de
seus limites legais. Por mais atenuantes que haja, a pena não pode restar inferior ao mínimo legal; por mais
agravantes que existam, não excederá ao máximo (Nesse sentido: STJ, 5ª T., REsp 55.130-7/RJ, Rel.
Min. Assis Toledo, unânime, DJU, 6-2-1995.). Assim, da mesma forma que as circunstâncias judiciais,
não são levadas em conta para o cálculo da prescrição pela pena abstrata. Sempre será calculada em
função do máximo previsto, independentemente das agravantes e atenuantes.
Exceções (O novo Código Civil em nada alterou a redução do prazo prescricional pela metade, prevista
pelo art. 115 do CP, no que toca ao menor de 21 anos. Isto porque o benefício de ter uma prescrição
mais curta foi estabelecido não em função de sua incapacidade relativa para a prática de atos jurídicos,
mas de sua imaturidade e pouca experiência de vida. Mesmo adquirindo agora a plena capacidade aos
18 anos, isto não significa que deva tomarse, com essa idade, imerecedor de qualquer benesse, não
podendo ser esquecido o fato de sua pouca idade, como fator de desestímulo ao seu encarceramento.
Quanto ao maior de 70 na data da sentença, tal idade em nada foi alterada pelo Estatuto do Idoso, o qual
considerou como velho os maiores de 60 anos. Tal se deve ao fato de a nova legislação não ter incluído o
art. 115 no rol dos dispositivos que revogou ou alterou a redação, deixando-o a salvo de suas inovações.
Continuam assim válidas ambas as hipóteses de redução do prazo de prescrição pela metade.)
1ª) Circunstâncias atenuantes que reduzem o prazo da PPP:
a) ser o agente menor de 21 anos na data do fato: é atenuante genérica, mas a lei diz expressamente que,
nesse caso, a prescrição é reduzida pela metade (art. 115 do CP);
b) ser o agente maior de 70 anos na data da sentença: também é atenuante genérica, mas a lei igualmente
determina, nesse caso, a redução do prazo prescricional pela metade (art. 115).
2ª) Circunstância agravante que influi no prazo da PPP:
A reincidência: o Código Penal diz que ela aumenta em 1/3 somente o prazo da prescrição da pretensão
executória (art. 110, caput); o Superior Tribunal de Justiça chegou a entender, inicialmente, que ela
aumenta também em 1/3 a prescrição da pretensão punitiva (STJ, 5ª T, REsp 46, DJU, 21-8-1989; STJ,
6ª T, REsp 6.814, DJU, 3-2-1992, p. 476; STJ, RT, 652/341.).
Atualmente, a questão não apresenta mais divergência, pois tanto o Supremo Tribunal Federal sustenta
(STF, 2ª T, HC 69.044, DJU, 10-4-1992.) quanto o próprio STJ passou a entender (Súmula 220): a
reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.
Correta esta posição, pois a lei, ao estatuir o aumento decorrente da reincidência, expressamente diz que
este se aplica à prescrição, após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Causas de aumento e de diminuição: são aquelas que aumentam ou diminuem a pena em proporções
fixas, como 1/3, 1/6, 1/2,2/3 etc. Exemplo: tentativa (CP, art. 14, parágrafo único), participação de
menor importância (CP, art. 29, § 1º), responsabilidade diminuída (CP, art. 26, parágrafo único), crime
continuado (CP, art. 71) e assim por diante. São levadas em consideração na última fase de fixação da
pena e podem fazer com que esta saia de seus limites legais. Por permitirem que a pena fique inferior ao
mínimo ou superior ao máximo, devem ser levadas em conta no cálculo da prescrição pela pena abstrata.
Cuidado: como se deve buscar sempre a pior das hipóteses, ou seja, a maior pena possível, leva-se em
conta a causa de aumento que mais aumente e a causa de diminuição que menos diminua. Exemplo: