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Normas constitucionais- Thiago Varella

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Normas constitucionais
Essa classificação é muito importante porque até hoje há muitas normas constitucionais que tratam de determinado tema que ainda não foi regulamentado por lei específica. Um exemplo é a greve dos servidores públicos. Para isso existe o instrumento do mandado de injunção.
Classificação de Rui Barbosa – É uma classificação trazida dos EUA. O termo aplicável e executável são sinônimos. 
Auto-aplicável: está apta a produzir todos os seus efeitos imediatamente após a promulgação da constituição. Um exemplo é o art. 226, § 5º, que muda todo direito de família. A partir da promulgação da constituição, todo debate em torno do pátrio poder se voltou para o poder familiar. Muitas pessoas foram reprovadas na prova da OAB-SP dizendo que o art. 5, II é uma norma não auto-aplicável. Porém, apesar de prever a existência de outras leis, esse dispositivo representa o princípio da legalidade, que é um dos pilares do Estado democrático de direitos. Não é necessário que haja uma regulamentação específica desse tema, porque ele está presente na constituição.
Não auto-aplicável: tem aplicabilidade, mas só produzirá efeitos quando uma norma infra-constitucional regulamentar o seu alcance. Ex: art. 32, § 4º, 
Classificação de José Afonso Silva
Eficácia plena: uma vez que a constituição é promulgada, essa classificação está apta a produzir todos os efeitos mesmo sem outra regulamentação. Além disso, ela não pode ser restrita pela legislação ordinária. Ela tem eficácia total, direta e imediata. Assim, qualquer norma hierarquicamente inferior à constituição que vá contra o seu texto será inconstitucional. 
O art. 226, § 5º, é um exemplo. Há quem defenda que a Lei Maria da Penha seria incontitucional já que não prevê punição para a violência doméstica sofrida por homens. Varela acha que essa lei poderia ser aplicada extensivamente aos casos de homens vítimas de violência doméstica, mas os tribunais superiores decidem que a lei é constitucional por causa do princípio da igualdade. As estatísticas mostram que o número de mulheres vítimas de violência doméstica é muito superior ao de homens e, por isso, são desiguais que devem ser tratadas desigualmente blablabla.
Eficácia contida: é aquela norma que, uma vez promulgada a constituição, está apta a produzir todos os seus efeitos, mas admite a possibilidade de norma infra-constitucional limitar, restringir o seu alcance. Ex: art. 5º, XIII. 
Eficácia limitada: são aquelas normas que não estão aptas a produzirem todos os seus efeitos. A produção de efeitos necessita de uma norma regulamentadora.
Programáticas: ????????
Institutivas: A constituição criou uma norma nova. Não é uma norma programática. As institutivas deixam para uma legislação complementar a regulamentação daquele tema. Ex: art. 32, § 4º. Nesse caso, a Constituição está instituindo no Distrito Federal as polícias civil e militar e o corpo de bombeiros militar. A Assembleia Nacional Constituinte optou por criar essa divisão no Distrito Federal, mas isso não ocorre dessa forma em todos os estados da federação. Em SP, por exemplo, os bombeiros são um grupo da polícia militar. Eles fazem parte da mesma instituição. Porém, a Constituição não regulamenta a organização dessas instituições, apenas determina que uma lei federal disporá sobre isso. A lei de organização deverá ser feita pelo Congresso Nacional. O art. 33, por sua vez, institui a figura do território, apesar de não existir nenhum território no Brasil. O art. 7º, I, institui o direito à proteção contra a despedida arbitrária sem justa causa, mas isso deve ser feita nos termos de uma lei complementar. A diferença entre uma lei ordinária e uma lei complementar, geralmente, é nenhuma, a não ser o quórum de aprovação (a primeira é aprovada por maioria simples e a segunda por maioria absoluta, como determina o art. 69, CRFB). De acordo com boa parte da jurisprudência do STF, não há hierarquia entre elas. O art. 125, § 3º, institui a justiça militar estadual, porém, determina que lei estadual vai regular como funcionará essa justiça.
Vemos que, as normas de eficácia limitada institutivas permitem uma subdivisão com relação à criação da norma regulamentadora. Existem duas subdivisões:
- Impositiva: determina que, invariavelmente, a norma regulamentadora deverá ser criada. Nesses casos, o verbo estará no impositivo: a lei definirá, a lei regulamentará.
- Facultativa: o legislativo tem a faculdade de criar essas normas regulamentadoras. Nesses casos, vemos o “poderá”: poderá regulamentar, poderá definir.
APLICAÇÃO DESSA CLASSIFICAÇÃO
O advogado, ouvindo a historinha triste do cliente, vai identificar os artigos aplicáveis a esse caso. Ele verá que há casos de norma constitucional de eficácia limitada institutivas impositivas em que a lei regulamentar prevista não foi criada. Entretanto, o seu cliente tem aquele direito. Para isso existe os figuras do mandado de injunção (art. 5º, LXXI) e da ação de inconstitucionalidade por omissão (art. 103, § 2º).
O mandado de injunção provoca o judiciário a reconhecer um direito ou uma liberdade constitucionais ou uma prerrogativa inerente à nacionalidade, à soberania e à cidadania quando a ausência de uma norma regulamentadora os torne inviáveis. O judiciário reconhecerá esse direito apenas àquele que expedir o mandado de injunção, mas existe também a figura do mandado de injunção coletivo. 
Segundo Moreira Alves, doutrina adotada durante muito tempo, o mandado de injunção era apenas declaratório. Ele declarava a omissão da lei e que o poder legislativo deveria regulamentar aquele tema. Era feita a notificação do Congresso Nacional sobre a sua omissão e declarava que ele deveria regular aquilo. Essa visão quase anulou o mandado de injunção e seu número diminuiu significativamente.
O legislativo recebeu muitos ofícios com relação ao art. 37, § 7º. Depois de 20 anos da CRFB, não havia regulamentação da greve dos funcionários públicos. Depois de inúmeros mandados de injunção declaratórios com esse termo, o STF determinou que o mandado de injunção não teria um caráter declaratório, mas sim o efeito constitutivo. O mandado de injunção que determinou isso foi o MI-708 (ler os votos do Gilmar Mendes e do Celso de Mello). O STF determinou que a lei de greves no setor privado (lei 7783) seria aplicada por analogia a todos os servidores públicos. Esse mandado de injunção foi feito pelo sindicato dos professores de João Pessoa, mas o STF resolveu aplicá-la erga omnis, ou seja, a todos os servidores públicos. O mandado de injunção MI-712 (ler voto do Eros Grau) determina que servidor público armado não pode fazer greve.
A ação de inconstitucionalidade por omissão, por sua vez, pode ser movida pelos sujeitos previstos nos incisos de I a IX do art. 103.