DJi - Extraterritorialidade - Extraterritorialidade da Lei Penal Brasileira - Princípio da
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DJi - Extraterritorialidade - Extraterritorialidade da Lei Penal Brasileira - Princípio da


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- Índice Fundamental do Direito
Legislação - Jurisprudência - Modelos - Questionários - Grades
Extraterritorialidade da Lei Penal Brasileira - Extraterritorialidade da Lei - Art. 7º,
Extraterritorialidade - Aplicação da Lei Penal - CP - Código Penal - DL-002.848-1940
O Princípio da extraterritorialidade "consiste na aplicação da lei brasileira
aos crimes cometidos fora do Brasil. A jurisdição é territorial, na medida
em que não pode ser exercida no território de outro Estado, salvo em
virtude de regra permissiva, emanada do direito internacional costumeiro
ou convencional. Em respeito ao princípio da soberania, um país não
pode impor regras jurisdicionais a outro. Nada impede, contudo, um
Estado de exercer, em seu próprio território, sua jurisdição, na hipótese
de crime cometido no estrangeiro. Salvo um ou outro caso a respeito do
qual exista preceito proibitivo explícito, o direito internacional concede
ampla liberdade aos Estados para julgar, dentro de seus limites
territoriais, qualquer crime, não importa onde tenha sido cometido,
sempre que entender necessário para salvaguardar a ordem pública.
Formas de extraterritorialidade
a) Incondicionada: são as hipóteses previstas no inciso I do art. 7º.
Diz-se incondicionada porque não se subordina a qualquer condição para
atingir um crime cometido fora do território nacional.
b) Condicionada: são as hipóteses do inciso II e do § 3º. Nesses casos, a
lei nacional só se aplica ao crime cometido no estrangeiro se satisfeitas as
condições indicadas no § 2º e nas alíneas a e b do § 3º.
Crítica à estrutura do dispositivo: nos incisos I e II do art. 7º estão
elencadas as hipóteses de extraterritorialidade. Nos §§ 1º e 2º são
encontradas, respectivamente, a extraterritorialidade incondicionada e as
condições relativas ao inciso II. Quebrando essa estrutura, o § 3º arrola
uma hipótese, o que deveria ser feito por um inciso. Do modo como está,
temos hipóteses em incisos e parágrafos, o que cria certa confusão.
Princípios para aplicação da extraterritorialidade
a) Nacionalidade ou personalidade ativa: aplica-se a lei brasileira ao
crime cometido por brasileiro fora do Brasil (CP, art. 7º, II, b). Não
importa se o sujeito passivo é brasileiro ou se o bem jurídico afeta
interesse nacional, pois o único critério levado em conta é o da
nacionalidade do sujeito ativo.
b) Nacionalidade ou personalidade passiva: aplica-se a lei brasileira ao
crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil (CP, art.
7º, § 3º). Nesta hipótese, o que interessa é a nacionalidade da vítima.
Sendo brasileira, aplica-se a lei de nosso país, mesmo que o crime tenha
sido realizado no exterior.
c) Real, da defesa ou proteção: aplica-se a lei brasileira ao crime
cometido fora do Brasil, que afete interesse nacional (CP, art. 7º, I, a, b e
c). É o caso de infração cometida contra o Presidente da República,
contra o patrimônio de qualquer das entidades da administração direta,
indireta ou fundacional etc. Se o interesse nacional foi afetado de algum
Referências
e/ou
Doutrinas
Relacionadas:
Ação Penal
Acordo
Aplicação da Lei
Penal
Aplicação da Pena
Brasil
Brasileiro
Causas de Extinção
da Punibilidade
Classificação dos
Crimes
Concepção do
Direito Penal
Concurso de Crimes
Concurso de Pessoas
Conduta
Conflito de Normas
no Espaço
Contagem do Prazo
Convenções
Internacionais
Crime Consumado
Crime Continuado
Crime Preterdoloso
ou Preterintencional
Crimes Culposos
Culpabilidade
Desistência
Voluntária e
Arrependimento
Eficaz
Direito Internacional
Direito Penal no
Estado Democrático
de Direito
modo, justifica-se a incidência da legislação pátria.
d) Justiça universal (CP, art. 7º, I, d, e 11, a): (também conhecido como
princípio da universalidade, da justiça cosmopolita, da jurisdição
universal, da jurisdição mundial, da repressão universal ou da
universalidade do direito de punir). Todo Estado tem o direito de punir
qualquer crime, seja qual for a nacionalidade do delinqüente e da vítima
ou o local de sua prática, desde que o criminoso esteja dentro de seu
território. É como se o planeta se constituísse em um só território para
efeitos de repressão criminal.
e) Princípio da representação (CP, art. 7º, II, c): a lei penal brasileira
também é aplicável aos delitos cometidos em aeronaves e embarcações
privadas quando realizados no estrangeiro e aí não venham a ser
julgados.
Classificação das hipóteses de acordo com os princípios e as formas de
extraterritorialidade
Inciso I: todas as hipóteses, da letra a a d, são de extraterritorialidade
incondicionada:
alínea a: princípio real, da defesa ou de proteção;
alínea b: princípio real, da defesa ou de proteção;
alínea c: princípio real, da defesa ou de proteção;
alínea d: para alguns, princípio da justiça universal (o genocida será
punido de acordo com a lei do país em que estiver); para outros,
princípio da nacionalidade ativa (exige que o agente seja brasileiro. Note-
se, porém, que a lei se contenta com o domicílio do agente em território
nacional, ainda que este não seja brasileiro. Isso afasta a incidência do
princípio da nacionalidade ativa); para uma terceira corrente, princípio
real, da defesa ou de proteção (quando o genocídio atinge um bem
brasileiro, aplica-se a lei brasileira. Como esse é um crime contra a
humanidade, o bem jurídico de todos os países sempre será atingido,
tornando possível invocar esse princípio). Parece, no entanto, mais
adequado tratar a hipótese do art. 7º, I, d, que trata do genocídio, como
princípio da justiça universal, uma vez que se trata de uma infração
praticada contra o interesse de todo o planeta, e não apenas contra um
interesse nacional. Estando o genocida no Brasil, é aqui que se pune;
estando em outro país, pune-se nesse outro local e assim por diante, de
modo que todos os países passam a reprimir o genocida, onde quer que
ele esteja, fazendo do Mundo um território só, sem fronteiras.
Inciso II: todas as hipóteses, da letra a a c, são de extraterritorialidade
condicionada, uma vez que a lei brasileira só será aplicada ao crime
cometido no estrangeiro se presentes as condições do § 2º:
alínea a: princípio da justiça universal;
alínea b: princípio da nacionalidade ativa;
alínea c: princípio da representação.
Parágrafo 2º: esse parágrafo enumera algumas condições, que não são de
punibilidade, mas de procedibilidade. Assim, o início da persecução penal
nas três hipóteses do inciso II fica subordinado às seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional: não distingue a lei se a entrada foi
extemporânea ou forçada, legal ou clandestina, ou se resultou
simplesmente da passagem do autor do crime pelo País. A saída do
Efeitos da
Condenação
Eficácia da Lei no
Espaço
Eficácia da Lei Penal
no Espaço
Eficácia de Sentença
Estrangeira
Estrito Cumprimento
de Dever Legal
Exercício Regular do
Direito
Extradição
Fato Típico
Fontes do Direito
Penal
Função Ético-Social
do Direito Penal
Ilícito Penal
Ilicitude
Imputabilidade
Interpretação da Lei
Penal
Irretroatividade da
Lei Penal
Jurisdição
Lei Penal
Lei Penal no Espaço
Leis de Vigência
Temporária
Limites de Penas
Livramento
Condicional
Lugar da Infração
Lugar do Crime
Medida de Segurança
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
Pena de Multa
Pena Cumprida no
Estrangeiro
Penas Privativas de
Liberdade
Penas Restritivas de
Direitos
Potencial Consciência
da Ilicitude
Prescrição
agente não prejudicará o andamento da ação penal;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado: caso assim
não ocorra, é inaplicável a lei penal brasileira. Se o fato for praticado em
lugar não submetido a qualquer jurisdição, aplicar-se-á a lei penal do
Estado nacional do agente. Se o fato não se enquadrar em nenhum dos
tipos legais definidos e descritos na legislação penal do país onde foi
praticado, ou se não mais existir o direito de punir, quer por achar-se
extinto, quer por ser declarado inexistente, quer ainda por já estar
satisfeito com o cumprimento