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Nova ordem constitucional- Thiago Varella

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Rio, 28 de abril de 2011 
Direito Constitucional 
Nova ordem constitucional 
O que ocorre com o ordenamento jurídico com a promulgação de uma nova Constituição? Esse estudo é dividido em duas áreas: constituição antiga e nova constituição/legislação anterior e nova constituição. 
Quanto à Constituição anterior e a nova Constituição, a nova ordem decorrente desta refunda o Estado. A Constituição anterior é revogada totalmente pela nova Constituição, inteiramente e sem exceção. Não devem ser feitas comparações quanto ao que a nova Constituição não regula – nenhuma parte da Constituição Antiga será considerada. Não ocorre recepção com Constituição, apenas com legislação infraconstitucional. Só serão recepcionadas as normas que estiverem de acordo com a nova Constituição.
Desconstitucionalização
A desconstitucionalização é um fenômeno que pode ser visto por duas vertentes. Um vertente é mais teórica e a outra mais prática. Em aspecto teórico, o Poder Constituinte Originário é um poder soberano, então a Constituição não simplesmente revoga automaticamente a Constituição antiga – apenas retira dela seu caráter constitucional (passaria a ser lei complementar). Porém, geralmente as Constituições revogam as anteriores – justamente porque a intenção principal é modificar a ordem jurídica em vigor (isso acontece na enorme maioria do caso). Nesse caso, não se deve obedecer nem mesmo as cláusulas pétreas das Constituições antigas. 
Na visão prática, ocorre por vezes que uma emenda constitucional desconstitucionaliza um tema. O tema não deixa de existir – deixa apenas de ser constitucional. Isso ocorreu com os Juros Reais, que antes eram tabelados constitucionalmente em 12% no artigo 192 parágrafo 3º. Indicavam que essa lei precisaria de lei complementar, e o STF concordava. Porém, uma emenda surgiu retirando a natureza constitucional desse artigo. 
Foi citado o caso do artigo 242 parágrafo 2º, do Colégio Pedro II. Esse artigo poderia ser desconstitucionalizado. Se isso ocorresse, o colégio poderia ser transferido do âmbito federal para o estadual, mas isso não necessariamente vai ocorrer.
A assembléia nacional constituinte pode afirmar que artigos da Constituição anterior permanecem em vigor. É a exceção para a regra de a Constituição anterior ser inteiramente revogada. Se um artigo da nova Constituição é igual a outro da antiga, o artigo da antiga não permanece em vigor – está em vigor apenas o da nova Constituição, idêntico a ele. 
A Constituição Democrática alemã fez referência a artigos da Constituição de Weimar que voltaram a vigorar. Isso foi feito por um ato simbólico, para mostrar que a democracia se instalou e o período do nazismo foi superado. 
Prova: Pelo menos duas questões de múltipla escolha e algumas questões discursivas. Uma questão é da folha que a monitora passou para a gente. A outra pode sair dali ou não. As questões no geral são retiradas das provas da ordem, preferencialmente as mais recentes. Deve-se justificar as questões de múltipla escolha, podendo-se justificar por eliminação. Nas questões discursivas, caem questões de concurso, por vezes adaptadas. Material de Consulta: Constituição e pode trazer outra lei, desde que não comentada. 
Email para caso de dúvidas: tvarela@puc-rio.br
A reeleição do presidente da República está limitada a uma vez. A possibilidade de um terceiro mandato consecutivo, criado por uma emenda à Constituição (poder constituinte derivado) seria limitado por uma limitação material (já que esse caso é hipotética) expressa (artigo 60 parágrafo 4º inciso II). Segundo alguns, o terceiro mandato viola o voto periódico – porque a noção de alternância do poder estaria intrínseca a essa norma e é um pilar básico da democracia. Para outros, porém, não viola. 
Ideal de justiça do povo e ato convocatório do Canotilho, além da proibição do retrocesso. 
A revisão constitucional é marcada por ser uma forma mais fácil de modificar a Constituição. A nossa constituição é rígida para que exista supremacia da norma constitucional, e essa foi a vontade da Assembléia Nacional Constituinte. 
Quando o artigo deve ser regulado por lei complementar, ele assim expressa. Caso contrário, será lei ordinária. Um artigo que pede por lei complementar geralmente é de eficácia limitada institutiva, mas pode ser tanto facultativa quanto impositiva.
Os direitos fundamentais que são cláusulas pétreas são os direitos fundamentais com expressão individual. São basicamente os do artigo 5º, mas não somente esses. Artigo 150, III, b também é um exemplo, ele indica que é vedada ao Estado cobrar tributos no mesmo exercício financeiro (ano do calendário) que a lei que o criou – é o princípio da anterioridade da lei tributária (princípio da não-surpresa). Ele é cláusula pétrea, e o Supremo já se posicionou sobre isso.