Princípio fundamental- Thiago Varella
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Princípio fundamental- Thiago Varella


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Princípio fundamental
A ideia de princípio fundamental remete a uma decisão política fundamental adotada pela Assembleia Nacional Constituinte antes de criar o texto constitucional. Esses princípios são os alicerces da Constituição.
Art 1º 
Caput \u2013 determina a forma de governo e a forma de Estado (República Federativa) na qual todos os municípios têm autonomia política e administrativa. Há outras federações que não dão autonomia total a seus municípios, há aquelas que dão autonomia a alguns municípios e há aquelas que sequer dão autonomia. Além disso, é uma união indissolúvel, ou seja, a Constituição coloca de forma expressa a indissolubilidade do vínculo federativo. Por fim, fala-se do Estado Democrático de Direito. O Estado de Direito é aquele que não é regulado por homens, mas sim por leis. O Estado Democrátido de Direitos é aquele que, além de ser governado por leis, garante os direitos fundamentais.
Inciso I \u2013 é o que confere ao Estado a personalidade no âmbito internacional.
Inciso II \u2013 é o que garante o exercício dos direitos políticos.
Inciso III \u2013 a dignidade da pessoa humana tem várias vertentes, mas há um núcleo essencial do qual não se pode abrir mão. O núcleo essencial da dignidade da pessoa humana, de acordo com a doutrina de Luis Roberto Barroso, é a saúde, a educação e a renda mínima.
Inciso IV \u2013 é um dos exemplos que demonstra o caráter eclético da nossa Constituição.
Inciso V \u2013 determina o pluripartidarismo. Justifica os arts. 14 a 17 da Constituição.
Parágrafo único \u2013 a democracia brasileira é semi-direta, ou seja, o povo pode exercer o seu poder direta ou indiretamente. A democracia direta é exercida através da iniciativa popular de lei, do plebiscito e do referendo. Sobre esses dois últimos, é importante ressaltas que ambos são vinculantes. A diferença é que, no plebiscito, o povo vota sobre uma ideia que obriga o Congresso a criar uma lei específica. Não há lei prévia. No referendo, por sua vez, há uma votação sobre uma lei existente e válida, mas cuja eficácia depende do referendo do povo.
Art. 2º
Prevê a existência de três poderes autônomos e em mesmo nível de hierarquia.
Art. 3º
Base para as normas programáticas e para os direitos fundamentais. 
Art. 4º
Os incisos III e IV são corolários dos dispositivos art. 1º I e art. 4º I. Já que nós exigimos independência e soberania, é necessário que se apoie a autodeterminação dos povos e a não intervenção. Além disso, no momento em que o Brasil se firma como Estado Democrático de Direitos, é necessário que se mostre grato àqueles Estados que receberam exilados durante a ditadura militar. Por isso a concessão de asilo político e cooperação dos povos para o progresso da humanidade (incisos IX e X). Por fim, o parágrafo único representa o princípio fundamental que deu base para o Mercosul.
Forma e sistema de governo
Forma de Estado \u2013 é a forma como aquele Estado se apresenta fisicamente, tanto no âmbito interno, quanto no âmbito internacional. Basicamente, um Estado pode ser unitário ou federal.
Unitário \u2013 só há um único centro de onde emanam as decisões políticas fundamentais. São exemplos Portugal, Peru e França. A França tem diversas regiões, mas que não têm a autonomia de uma federação.
Federal \u2013 há diversos centros de onde emanam as decisões políticas fundamentais. Há uma divisão não só horizontal (executivo, legislativo e judiciário), mas também vertical (União, estados e municípios).
Forma de governo \u2013 é a forma como aquele governo se apresenta, podendo ser uma república ou uma monarquia.
Sistema de governo \u2013 é a forma como aquele governo vai funcionar, não apenas se apresentar. Pode ser presidencialista ou parlamentarista.
Regime político \u2013 democracia e ditadura.
FORMA DE GOVERNO
Monarquia
A monarquia, hoje, se apresenta muito mais na forma de uma monarquia constitucional. Neste modelo, o rei é o Chefe de Estado, mas seu poder político é muito limitado pela constituição. Quem realmente trabalha é o Chefe de Governo, que geralmente é o Primeiro Ministro.
Características:
Vitaliciedade
Hereditariedade \u2013 passa de pai para filho, mas varia de país para país qual é a ordem adotada. Há uma regra geral que determina que é o primogênito varão.
Irresponsabilidade política \u2013 tradicionalmente, o rei não tem responsabilidade pelos atos de Estado. Por uma questão divina, de contrato social ou o que quer que legitimasse o poder real, o monarca não poderia ter responsabilidade civil. Hoje isso se mantém já que o monarca não participa mais do governo.
Há quem defenda que isso garante uma estabilidade institucional. Como o monarca não muda, há a manutenção de um status quo e há um interesse do monarca em manter o país estável para que os seus herdeiros sejam populares. Além disso, a unidade nacional é mais facilmente mantida. Por fim, não há o risco de ter um governante despreparado. Como se sabe desde o início quem será o rei, a educação dele já é toda voltada para esse destino.
Há também desvantagens. O preparo, por exemplo, é relativo. Há muitas pessoas preparadas, mas que não necessariamente farão um bom governo. Um bom exemplo é o de Luis XVI. Além disso, é perigoso manter a dependência da estabilidade institucional e a unidade territorial na figura de uma só pessoa. É mais seguro repousar a estabilidade institucional e a unidade territorial em leis. Há também quem diga que é uma instituição cara, inócua, inútil, anacrônica etc.
República
Temporariedade \u2013 há cargos vitalícios na república, como juízes e membros do Ministério Público, mas os cargos de chefes de Estado e de Governo são temporários.
Eletividade \u2013 os chefes de Estado e de Governo são eleitos direta ou indiretamente.
Responsabilidade política \u2013 o governante responde pelo crime de responsabilidade.