STF - COLETÂNEA DE JUSRISPRUDÊNCIA STF - PROF.RODRIGO MENEZES
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de afeição da vítima, que agride seus valores, 
que humilha, que causa dor. A perda de uma frasqueira contendo objetos pessoais, geralmente objetos de 
maquiagem da mulher, não obstante desagradável, não produz dano moral indenizável.\u201d (RE 387.014-
AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 8-6- 04, 2ª Turma, DJ de 25-6-04) 
 
\u201cO fato de a Convenção de Varsóvia revelar, como regra, a indenização tarifada por danos materiais não 
exclui a relativa aos danos morais. Configurados esses pelo sentimento de desconforto, de 
constrangimento, aborrecimento e humilhação decorrentes do extravio de mala, cumpre observar a Carta 
Política da República \u2014 incisos V e X do artigo 5º, no que se sobrepõe a tratados e convenções 
ratificados pelo Brasil.\u201d (RE 172.720, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 6-2-96, 2ª Turma, DJ de 21-
2-97). No mesmo sentido: AI 196.379-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 23-8-98, 2ª Turma, DJ 
de 24-4-98. 
 
\u201cNão afronta o princípio da legalidade a reparação de lesões deformantes, a título de dano moral (art. 
1.538, § 1º, do Código Civil).\u201d (RE 116.447, Rel. Min. Célio Borja, julgamento em 30-3-92, 2ª Turma, DJ de 
7-8-92) 
 
EXAME DE DNA 
 
\u201cColeta de material biológico da placenta, com propósito de se fazer exame de DNA, para averigüação de 
paternidade do nascituro, embora a oposição da extraditanda. (...) Bens jurídicos constitucionais como 
'moralidade administrativa', 'persecução penal pública' e 'segurança pública' que se acrescem, \u2014 como 
bens da comunidade, na expressão de Canotilho, \u2014 ao direito fundamental à honra (CF, art. 5°, X), bem 
assim direito à honra e à imagem de policiais federais acusados de estupro da extraditanda, nas 
dependências da Polícia Federal, e direito à imagem da própria instituição, em confronto com o alegado 
direito da reclamante à intimidade e a preservar a identidade do pai de seu filho.\u201d (Rcl 2.040-QO, Rel. Min. 
Néri da Silveira, julgamento em 21-2-02, Plenário, Plenário, DJ de 27-6-03) 
 
"Discrepa, a mais não poder, de garantias constitucionais implícitas e explícitas \u2014 preservação da 
dignidade humana, da intimidade, da intangibilidade do corpo humano, do império da lei e da inexecução 
específica e direta de obrigação de fazer \u2014 provimento judicial que, em ação civil de investigação de 
paternidade, implique determinação no sentido de o réu ser conduzido ao laboratório, 'debaixo de vara', 
para coleta do material indispensável à feitura do exame DNA. A recusa resolve-se no plano jurídico-
DIREITO CONSTITUCIONAL \u2013 PROF. RODRIGO MENEZES 
COLETÂNEA DE JURISPRUDÊNCIA DO STF \u2013 PARTE 01 \u2013 Art. 5º, caput ao inc. XII 
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instrumental, consideradas a dogmática, a doutrina e a jurisprudência, no que voltadas ao deslinde das 
questões ligadas à prova dos fatos." (HC 71.373, Rel. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgamento em 10-11-
94, Plenário, DJ de 22-11-96). No mesmo sentido: HC 76.060, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento 
em 31-3-98, 1ª Turma, DJ de 15-5-98. 
 
 
ART. 5º, XI \u2013 INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO 
 
 
\u201cO Tribunal iniciou julgamento de inquérito em que se imputa a magistrados (Ministro do STJ, dois 
membros do TRF da 2ª Região e um juiz do TRT da 15ª Região) e outros (um procurador regional da 
República e um advogado, este irmão do aludido Ministro do STJ) a suposta prática dos crimes de 
quadrilha, corrupção passiva e prevaricação (...). Alega o Ministério Público Federal que os denunciados 
compõem, em níveis diversos, uma organização criminosa voltada à exploração ilegal das atividades de 
bingos e máquinas caça-níqueis no Estado do Rio de Janeiro (...). Afastou-se (...), a preliminar de ilicitude 
das provas obtidas mediante instalação de equipamento de captação acústica e acesso a documentos no 
ambiente de trabalho do último acusado, porque, para tanto, a autoridade, adentrara o local três vezes 
durante o recesso e de madrugada. Esclareceu-se que o relator, de fato, teria autorizado, com base no 
art. 2º, IV, da Lei n. 9.034/95, o ingresso sigiloso da autoridade policial no escritório do acusado, para 
instalação dos referidos equipamentos de captação de sinais acústicos, e, posteriormente, determinara a 
realização de exploração do local, para registro e análise de sinais ópticos. Observou-se, de início, que 
tais medidas não poderiam jamais ser realizadas com publicidade alguma, sob pena de intuitiva 
frustração, o que ocorreria caso fossem praticadas durante o dia, mediante apresentação de mandado 
judicial. Afirmou-se que a Constituição, no seu art. 5º, X e XI, garante a inviolabilidade da intimidade e do 
domicílio dos cidadãos, sendo equiparados a domicílio, para fins dessa inviolabilidade, os escritórios de 
advocacia, locais não abertos ao público, e onde se exerce profissão (...), e que o art. 7º, II, da Lei n. 
8.906/94 expressamente assegura ao advogado a inviolabilidade do seu escritório, ou local de trabalho, 
de seus arquivos e dados, de sua correspondência, e de suas comunicações, inclusive telefônicas ou 
afins, salvo caso de busca ou apreensão determinada por magistrado e acompanhada de representante 
da OAB. Considerou-se, entretanto, que tal inviolabilidade cederia lugar à tutela constitucional de raiz, 
instância e alcance superiores quando o próprio advogado seja suspeito da prática de crime concebido e 
consumado, sobretudo no âmbito do seu escritório, sob pretexto de exercício da profissão. Aduziu-se que 
o sigilo do advogado não existe para protegê-lo quando cometa crime, mas proteger seu cliente, que tem 
direito à ampla defesa, não sendo admissível que a inviolabilidade transforme o escritório no único reduto 
inexpugnável de criminalidade. Enfatizou-se que os interesses e valores jurídicos, que não têm caráter 
absoluto, representados pela inviolabilidade do domicílio e pelo poder-dever de punir do Estado, devem 
ser ponderados e conciliados à luz da proporcionalidade quando em conflito prático segundo os princípios 
da concordância. Não obstante a equiparação legal da oficina de trabalho com o domicílio, julgou-se ser 
preciso recompor a ratio constitucional e indagar, para efeito de colisão e aplicação do princípio da 
concordância prática, qual o direito, interesse ou valor jurídico tutelado por essa previsão. Tendo em vista 
ser tal previsão tendente à tutela da intimidade, da privatividade e da dignidade da pessoa humana, 
considerou-se ser, no mínimo, duvidosa, a equiparação entre escritório vazio com domicílio stricto sensu, 
que pressupõe a presença de pessoas que o habitem. De toda forma, concluiu-se que as medidas 
determinadas foram de todo lícitas por encontrarem suporte normativo explícito e guardarem precisa 
justificação lógico-jurídico constitucional, já que a restrição conseqüente não aniquilou o núcleo do direito 
fundamental e está, segundo os enunciados em que desdobra o princípio da proporcionalidade, amparada 
na necessidade da promoção de fins legítimos de ordem pública.\u201d (Inq 2.424-QO-QO, Rel. Min. Cezar 
Peluso, julgamento em 19 e 20-11-08, Plenário, Informativo 529) 
 
"Fiscalização tributária. Apreensão de livros contábeis e documentos fiscais realizada, em escritório de 
contabilidade, por agentes fazendários e policiais federais, sem mandado judicial. Inadmissibilidade. 
Espaço privado, Não aberto ao público, Sujeito à proteção constitucional da Inviolabilidade domiciliar (CF, 
art. 5º, XI). Subsunção ao conceito normativo de \u2018casa\u2019. Necessidade de ordem judicial. Administração 
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pública e fiscalização tributária. Dever de observância, por parte de seus órgãos e agentes, dos limites 
jurídicos impostos pela constituição e pelas leis da República. Impossibilidade de utilização, pelo 
Ministério Público, de