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Repartição de competências- Thiago Varella

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Repartição de competências
Art. 21 – Competência administrativa e exclusiva da União. Por ser exclusiva, é indelegável, ou seja, mesmo que ela queira, a União não pode abrir mão dessas atribuições. É necessário ter atenção ao inciso I do artigo. A União tem a função interna de representar a federação internacionalmente, portanto não é a União que se obriga no cenário internacional, mas sim a federação como um todo. A União NÃO tem competência para celebrar tratados, tem a competência interna de representar a federação.
Art. 22 – Dispõe sobre a competência legislativa da União. Esta, diferentemente da primeira, é uma competência privativa, sendo delegável (art. 22, parágrafo único). A delegação deve ser geral, ou seja, para todos os estados, sem exceção, mas deve ser restrita em relação à abrangência da sua matéria. “A lei complementar poderá autorizar os Estados e a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas nesse artigo”. Raramente essa delegação é feita já que o Congresso Nacional precisa fazer uma lei complementar delegando, então acaba fazendo a legislação válida para todos os estados sobre aquela matéria.
Foi levantada a questão do vagão feminino no metrô. Esta é uma lei estadual que reserva uma parte do meio de transporte para um grupo específico de pessoas. Há quem entenda que seria inconstitucional, já que o inciso XI determina que é competência privativa da União legislar sobre trânsito e transportes e não houve lei complementar delegando a legislação sobre essa matéria específica. Porém, o entendimento dos tribunais foi no sentido de que essa regulamentação não é em matéria de trânsito ou transportes. Existe uma diferença entre editar uma lei sobre o modo como se deve transportar uma mulher e sobre a reserva de um espaço em que é facultado à mulher a sua utilização. A mulher não é objeto para ter regulada a forma como o seu transporte é feita, nem criança para ser tutelada.
Outra questão relevante é o rodízio de carros em São Paulo. Durante certo período do dia, carros com determinada placa não pode circular. Isso seria uma lei de trânsito? Nesse caso, sequer é uma lei estadual, mas sim uma lei municipal. Esta, porém, não é uma legislação de trânsito, mas sim de organização municipal. A resolução desse caso é com base no pacto federativo, não no inciso XI. O município tem autonomia para se organizar. A mão das ruas é outro exemplo disso. Não é necessário que o Congresso edite uma norma a ser sancionada pela Presidente da República para legislar sobre o sentido das ruas.
Art. 23 – Trata da competência comum dos entes federativos. Trata de competências administrativas, ou seja, são as competências relativas a medidas práticas. Como é uma competência comum, não há hierarquia entre eles. Os quatro entes federativos devem, concomitantemente, zelar pela guarda da Constituição, por exemplo. O problema disso é que, como todos devem zelar, acaba que nenhum o faz. A realização prática disso é difícil.
Um caso concreto que envolve isso foi o caso do menino que tinha fortes crises de asma e precisava de um balão de oxigênio. O advogado entrou com uma ação em face do estado e do município. O juiz prolatou sentença favorável determinando que ambos eram responsáveis pelo pagamento do pedido. O que aconteceu foi que os dois ficaram postergando o cumprimento da sentença e a criança morreu. O problema do art. 23 é a sua aplicação prática. 
Art. 24 – A competência desse artigo é a competência concorrente e é legislativa. Diferentemente da competância comum, os entes federativos não podem se organizar sem hierarquia no que diz respeito à competência concorrente. Para que haja uma harmonia entre a legislação editada pela União, Estados e Distrito Federal, é necessário que haja uma organização interna entre esses entes. Isso é solucionado pelos parágrafos do art. 24. O §1º determina que a competência da União é geral, enquanto que a competência de Estados e do Distrito Federal são suplementares. Há o CTN e os CTEs, por exemplo.
Além disso, o §3º determina que os Estados terão competência plena para legislar na ausência de legislação geral da União. Caso essa legislação venha a existir, os dispositivos contrários a esta presentes na legislação estadual terão a sua eficácia suspensa, como dispõe o §4º. É importante ressaltar que ocorre a suspensão, não revogação. Isso se dá de acordo com o princípio federativo, que garante que uma lei federal não pode revogar lei estadual.
O que não está arrolado neste artigo é competência dos Estados, como previsto no art. 25, I. O art. 30, II, trata da competência residual dos municípios.