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Psicologia social – Wikipédia  a enciclopédia livre

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disciplina científica ao
afirma-se como uma ciência natural em oposição às ciências sociais ou humanas nos finais do século XIX.
Crente na impossibilidade teórica da mente voltar-se sobre- se mesmo como sujeito objeto de pesquisa
Wilhelm Wundt (1832-1920) propôs a psicologia como um novo domínio da ciência em 1874 no seu livro
Princípios de Psicologia Fisiológica e a criação de um laboratório de psicologia experimental (1879) em
Leipzig. Esse mesmo autor contudo suponha ser necessários estudos complementares voltados ao estudo da
mente em suas manifestações externas, a sua Völkerpsychologie - Psicologia dos povos / social ou cultural (10
volumes) escritos entre 1900 e 1920 com análises detalhadas da língua e cultura. Três dos volumes são
dedicados aos mitos e religião; dois à linguagem (hoje seria considerados como psicologia lingüística); dois à
sociedade e um à cultura e história (a psicologia social de hoje); um a lei (hoje a psicologia forense ou jurídica)
e um à arte (um tópico que abrange as modernas concepções de inteligência e criatividade).
Tal aspecto de sua obra vem sendo recuperada por sua aplicação e semelhança com os modernos estudos de
psicologia cognitiva. Segundo Farr é possível perceber o desenvolvimento posterior das idéias de Wundt na
psicologia social de G. H Mead e Herbert Blumer, os criadores do interacionismo simbólico na Universidade de
Chicago e Vygotsky na Rússia.
O grupo como objeto de estudos ganhou densidade na psicologia social durante a segunda guerra mundial, com
Kurt Lewin (1890-1947), considerado por muitos autores como fundador da psicologia social.
Contemporâneo dos fundadores da psicologia da gestalt e integrante dessa teoria esse autor radicou-se nos
Estados Unidos a partir de 1933 onde chefiou no MIT Massachusetts Instituto de Tecnologia o Centro de
Pesquisa de Dinâmica de Grupo junto com uma série de autores que desenvolveram a escola americana de
psicologia social a exemplo de D. Cartwright que assumiu a direção do instituto após a sua morte e Leon
Festinger (1919-1979) que desenvolveu a teoria da dissonância cognitiva explorando o desconforto da
contradição dos conflitos e estado de consistência interna ainda hoje referência para os estudos de valores
éticos em psicologia social.
A Dinâmica de Grupo ou ciência dos pequenos grupos, é para alguns autores o objeto e método da psicologia
social, limita-se porém ao estudo empírico da interação dentro dos grupos. Sendo porém relevantes as suas
contribuições sobre a estrutura grupal, os estilos de liderança, os conflitos e motivações, espaço vital ou o
campo de forças que determinam a conduta humana possuem diversas aplicações e entre elas a psicologia
infantil e a modificação de comportamentos seja para benefícios dietéticos (estudos de pesquisa – ação
realizados com Margareth Mead) seja para melhor a produtividade e desempenho nos ambientes de trabalho.
Na escola americana de psicologia social cabe ainda um destaque para William McDougall (1871-1938). Esse
autor, britânico que viveu 24 anos na América, foi um dos primeiros a utilizar o nome de psicologia social
(1908) e comportamento (behavior) e representa a tendência evolucionista americana, pós efeito da teoria da
evolução de Darwin que veio a reforçar a tendência aos estudos de psicologia comparada e da abordagem
comportamental apesar da diferença essencial entre as proposições quanto utilização do conceito de “instinto”
como categoria explicativa aproximando-se portanto de um corrente representada por S. Freud e G. H. Mead.
George Hebert Mead (1863-1931) inserido no pragmatismo James (1842-1910) Peirce (1839-1931) e
Dewey (1859-1952) americano o criador da teoria do interacionismo simbólico em seu curso de psicologia
social da Universidade de Chicago do qual nos deixou o livro construído a partir de anotações de sues alunos
Mind Self and Society é bem melhor compreendido por sociólogos do que por psicólogos. Essa relação com a
sociologia não vem só do fato de seu curso e teoria ter sido continuado por um sociólogo Herbert Blumer e sua
rejeição no contexto do paradigma behaviorista mas por que os conceitos de ato, ação e ator social são
essencialmente úteis ao entendimento das políticas públicas e intervenções sociais. Sua importância vem sendo
reconhecida em nossos dias pela influência da sua teoria nos estudos e proposições Erving Goffman autor de
Prisões manicômios e conventos, um livro fundamental no processo de transformação do tratamento
psiquiátrico (reforma psiquiátrica) e luta anti-manicomial em nossos dias.
a psicologia social rompe com a oposição entre o indivíduo e a sociedade, enquanto objectos dicotómicos que
se auto-excluem, procurando analisar as relações entre indivíduos (interacções), as relações entre categorias ou
grupos sociais (relações intergrupais) e as relações entre o simbólico e a cognição (representações
sociais).Assim, apresenta como objecto de estudo os indivíduos em contexto, sendo que as explicações são
efectuadas tendo em conta quatro níveis de análise: nível intra-individual (o individuo), o nível inter-individual e
situacional (interacções entre os indivíduos ou contexto), o nível posicional (posição que o indivíduo ocupa na
rede das relações sociais), e o nível ideológico (crenças, valores e normas colectivas). Pepitone, A. (1981).
Lessons from the history of social psychology. American Psychologist, 36, 9, 972-985. Silva, A. & Pinto, J.
(1986). Uma visão global sobre as ciências sociais. In Silva, A. & Pinto, J. (Coords.), Metodologia das
Ciências Sociais (pp. 9-27). Porto: Edições Afrontamento.
Psicologia Social no Brasil
A psicologia social no Brasil tem início nos estudos etnopsicológicos de Nina Rodrigues em 1900, O animismo
fetichista dos negros africanos e As coletividades anormais, ou melhor, como coloca Laplantine (1998) nos
estudos que revelam o confronto entre a etnografia e a psicologia. Materiais etnográficos recolhidos a partir de
observações muito precisas são interpretados no âmbito da psicologia clínica da época. Nina Rodrigues
considera os problemas da integração das populações européias às advindas da diáspora africana que segundo
ele constituem o principal obstáculo para o progresso da sociedade global.
Muitos autores brasileiros seguiram essa linha de raciocínio que oscilava entre os pressupostos biológicos
racistas da degenerescência racial, uma interpretação psicológica (instabilidade do caráter resultante do choque
de duas culturas) até as modernas interpretações sociológicas iniciadas a partir de 1923 com os estudos de
Gilberto Freyre autor do reconhecido internacionalmente Casa grande e senzala.
Com o título de Psicologia Social vamos encontrar o trabalho de Arthur Ramos (1903-1949) que foi o
professor convidado para ministrar o curso de psicologia social na recém criada Universidade do Distrito
Federal no Rio de Janeiro (1935) e logo desfeita pelo contexto político da época. Este não fugiu à clássica
abordagem do estudo simultâneo das inter-relações psicológicas dos indivíduos na vida social e a influência dos
grupos na personalidade mas face a sua experiências anteriores nos serviços de medicina legal e médico de
hospital psiquiátrico na Bahia tinha em mente os problemas da inter-relação de culturas e saúde mental (com
atenção especial aos aspectos místicos - primitivos da psicose) retomando-os a partir das proposições da
psicanálise e psicologia social americana situando-se criticamente entre as tendências de uma sociologia
psicológica e uma psicologia cultural.
Nas últimas décadas a psicologia social brasileira, segundo Hiran Pinel (2005), foi marcada por dois psicólogos
bastante antagônicos: Aroldo Rodrigues (empirismo e que adotou uma abordagem mais de experimental-
cognitiva, por exemplo, de propagandas etc.) e, mais recentemente Silvia Lane (marxista e sócio-histórica).
Silvia Tatiana Maurer Lane e Aniela Ginsberg foram professoras fundadoras do Programa de Estudos Pós-
Graduados em Psicologia Social da PUC-SP o primeiro curso de mestrado e doutorado da área a funcionar