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contexto fático, com dano efetivo para a 
vítima, operando-se, em relação ao delito de embriaguez ao volante (art. 306 do CTB), o 
fenômeno da consunção”. Dessa forma, o crime de homicídio culposo na direção de veículo 
automotor, previsto no art. 302 da Lei 9.503/1997, absorve o crime de embriaguez ao volante 
previsto no art. 306 do CTB, tendo em vista o princípio da consunção. “O referido princípio, 
segundo o doutrinador Damásio de Jesus (in Direito Penal, 1º volume, Saraiva, 19ª ed., p. 99), é 
definido da seguinte forma: ‘Ocorre a relação consuntiva, ou de absorção, quando um fato 
definido por uma norma incriminadora é meio necessário ou normal fase de preparação ou 
execução de outro crime, bem como quando constitui conduta anterior ou posterior do agente, 
cometida com a mesma finalidade prática atinente àquele crime. Nestes casos, a norma 
incriminadora que descreve o meio necessário, a normal fase de preparação ou execução de 
outro crime, ou a conduta anterior ou posterior, é excluída pela norma a este relativa’”.13 
 
p. 104 – Acrescentar após o parágrafo “Deve-se observar que o crime de lesão corporal...”, 
o texto que segue: 
 
 
NOTE! De acordo com recente entendimento do Superior Tribunal de Jusriça, cabe ao Juizado 
Especial Criminal o processamento e julgamento de delito cometido por policial militar, em 
serviço, contra civil. O delito de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, 
 
11 STJ, CC 26.986/SP, j. 14.03.2007. 
12 EDcl no REsp 780.496/DF, DJe 30.11.2009. 
13 STJ, HC 32.764/DF, j. 11.10.2004. 
previsto no art. 303 do Código Trânsito Brasileiro, corporifica hipótese não tipificada pela 
legislação castrense.14
 
 
NOTE! A apresentação do ofendido, condição de procedibilidade no caso do delito tipificado 
no art. 303 da Lei 9.503/1997, pode ser ofertada perante a autoridade policial. 15 
 
 
QUESTÕES POTENCIAIS DE PROVA! 
 
1.ª O crime de lesão corporal culposa no trânsito absorve o crime de embriaguez ao volante? 
Não. Trata-se da orientação do Superior Tribunal de Justiça: “A extinção da punibilidade do 
crime de lesão corporal culposa no trânsito, pela renúncia ao direito de representação, não afeta 
o crime de embriaguez ao volante, eis que, no princípio da consunção, o crime mais grave 
absorve o de menor lesividade”.16 
 
2.ª O crime de lesão corporal culposa (art. 303 do CTB) absorve o delito de dirigir sem 
habilitação (art. 309 do CTB)? Sim. É a orientação do Superior Tribunal de Justiça: “A lesão 
corporal culposa no trânsito (art. 303 do CTB) absorve o delito de dirigir sem habilitação (art. 
309 do CTB), em face da menor lesividade do último. Assim, havendo a renúncia expressa ao 
direito de representação pelo crime de lesão corporal culposa, não pode a majorante, decorrente 
da ausência de habilitação, persistir como delito autônomo, devendo ser declarada extinta a 
punibilidade também do crime de dirigir sem habilitação”.17 
 
p. 106 – Acrescentar após o parágrafo “O suprimento da omissão de socorro...”, o texto 
que segue: 
 
QUESTÃO POTENCIAL DE PROVA! O crime de omissão de socorro no trânsito (art. 304, 
do CTB) pode existir em concurso com o crime de lesão corporal culposa no trânsito (art. 303, 
do CTB)? Não. Nos termos do parágrafo único do art. 303 do CTB, a omissão de socorro será 
considerada como causa de aumento de pena do crime de lesão corporal culposa no trânsito. Em 
outras palavras, aplicando-se o princípio da consunção, a omissão de socorro é absorvida pelo 
crime de lesão corporal culposa. Nesse sentido, encontra-se a orientação do Superior Tribunal 
de Justiça: “Extinta a punibilidade do crime de lesão corporal culposa na direção de veículo, por 
ausência de representação por parte da vítima, confi gura constrangimento ilegal o 
 
14 STJ, CC 104.620/MG, DJe 21.08.2009. 
15 STJ, RHC 16.461/SP, DJ 05.02.2007. 
16 STJ, HC 24.136/SP, DJ 23.05.2005. 
17 STJ, HC 25.084/SP, j. 18.05.2004. 
prosseguimento da ação com relação ao crime de omissão de socorro, uma vez que, pelo 
princípio da consunção, encontra-se absorvido pela conduta delitiva de maior gravidade”.18 
p. 107 – Acresntar após o parágrafo “Discute-se ainda que a norma penal do art. 305...”, o 
texto que segue: 
 
 
NOTE! O Superior Tribunal de Justiça entende que o crime de fuga do local do acidente (art. 
305 do CTB) não admite coautoria: “Conquanto não seja possível a coautoria no delito de 
afastamento do local do acidente (CTB, art. 305), posto tratar-se de crime próprio do condutor 
de veículo, é perfeitamente admissível a participação, nostermos do Código Penal, art. 29.19 
 
 
p. 108 – Acrescentar após o parágrafo “O sujeito passivo é o Estado...”, o texto que segue: 
 
O crime de embriaguez ao volante, defi nido no art. 306 do CTB, é de ação penal pública 
incondicionada, dado o caráter coletivo do bem jurídico tutelado (segurança viária), bem como a 
inexistência de vítima determinada.20 
 
p. 110 – Acrescentar antes do tópico 5.7 CRIME DE VIOLAÇÃO DA SUSPENSÃO OU 
PROIBIÇÃO DO DIREITO DE DIRIGIR (ART. 307), o texto que segue: 
 
QUESTÕES POTENCIAIS DE PROVA! 
 
1.ª O crime de embriaguez ao volante somente se aperfeiçoa se for realizado o exame de 
bafômetro? Atualmente, o assunto é extremamente polêmico, havendo duas orientações sobre o 
tema: 
A primeira posição defende que a demonstração da embriaguez ao volante pode ser realizada 
por outros meios de prova. É a posição da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça: “Deve ser 
feita, preferencialmente, por meio de perícia (teste de alcoolemia ou de sangue), mas esta pode 
ser suprida (se impossível de ser realizada no momento ou em vista da recusa do cidadão), pelo 
exame clínico e, mesmo, pela prova testemunhal, esta, em casos excepcionais, por exemplo, 
quando o estado etílico é evidente e a própria conduta na direção do veículo demonstra o perigo 
potencial a incolumidade pública, como ocorreu no caso concreto”. 
 
18 STJ, HC 13.561/MG, j. 21.11.2000. 
19 STJ, HC 14.021/SP, j. 28.11.2000. 
20 STJ, RHC 19.044/SC, j. 18.05.2006. 
 
Nesse mesmo sentido: “Esta Corte possui precedentes no sentido de que a ausência do exame de 
alcoolemia não induz à atipicidade do crime ser aferido por outros elementos de prova em 
direito admitidos, como na hipótese, em que, diante da recusa em fornecer a amostra de sangue 
para o exame pericial, o paciente foi submetido a exames clínicos que concluíram pelo seu 
estado de embriaguez”.21 
A segunda posição entende que é indispensável a prova técnica consubstanciada no teste de 
bafômetro ou no exame de sangue, devendo ser comprovada objetivamente a embriaguez. Trata-
se da orientação firmada pela 6.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça: “Antes da edição da 
Lei 11.705/2008 bastava, para a configuração do delito de embriaguez ao volante, que o agente, 
sob a influência de álcool, expusesse a dano potencial a incolumidade de outrem. Entretanto, 
com o advento da referida Lei, inseriu-se a quantidade mínima exigível e excluiu-se a 
necessidade de exposição de dano potencial, delimitando-se o meio de prova admissível, ou 
seja, a figura típica só se perfaz com a quantificação objetiva da concentração de álcool no 
sangue o que não se pode presumir. A dosagem etílica, portanto, passou a integrar o tipo penal 
que exige seja comprovadamente superior a 6 (seis) decigramas. Essa comprovação, conforme o 
Decreto 6.488, de 19.06.2008, pode ser feita por duas maneiras: exame de sangue ou teste em 
aparelho de ar alveolar pulmonar (etilômetro), este último também conhecido como bafômetro. 
Cometeu-se um equívoco na edição da Lei. Isso não pode, por certo, ensejar do magistrado a 
correção das falhas estruturais com o objetivo de conferir-lhe efetividade. O Direito Penal rege-
se, antes de tudo, pela estrita legalidade e tipicidade”.22