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que a hipnotizava e a desarmava, fazendo-a entregar-se inteira. 
E eles ficaram muitas horas ali, se acariciando, se tocando, se amando, celebrando 
aquele reencontro. 
 
- Passou tanto tempo e parece que nós nunca nos separamos... – ele disse, 
acariciando os cabelos dela.- Ainda existe a mesma amizade, o mesmo carinho. E a nossa 
transa continua maravilhosa. 
Como sempre, parecia que ele lera os pensamentos dela. Era exatamente nisso que 
ela pensava. Procurava as palavras para lhe explicar que, hoje, ela o compreendia. Queria 
dizer-lhe que poderiam, de novo, estar juntos, que ele poderia tê-la sem abrir mão do que 
lhe era tão importante. Tinha medo, porém, de estragar aquele momento. E se ele se 
sentisse novamente aprisionado, só porque ela pensava numa possibilidade deles voltarem a 
estar juntos? 
 
Ele tinha o mesmo pensamento. Imaginava qual seria a reação de Giulia se ela 
soubesse o que se passava pela sua cabeça. 
“Por que não pode ser sempre assim? Por que nós temos que renunciar a esses 
momentos maravilhosos só porque eu não quero sentir-me preso?” 
Aquele reencontro trouxera de volta sensações que nunca foram esquecidas. Era um 
outro tempo, uma outra situação, mas as emoções que eles viveram eram já conhecidas e 
voltaram muito mais fortes. Se Giulia realmente estivesse mudada, poderiam tentar reatar o 
relacionamento deles, dentro de um novo modelo. Queria ter de volta todo o carinho e toda 
a amizade que ela lhe dava. Ele pensava em como lhe falar sobre isso. Temia que ela 
entendesse errado, que imaginasse que ele a queria simplesmente como uma amante. 
 
Quando finalmente abandonaram seus pensamentos e seus receios, eles falaram ao 
mesmo tempo. Queriam a mesma coisa, sentiam a mesma vontade. Cada um a seu modo, 
pode explicar ao outro o que se passava no seu coração. Despiram suas almas, um diante do 
outro, com toda sinceridade e confiança que caracteriza os grandes amores. E, embora 
aquele fosse um sentimento que estava renascendo ainda, ele era forte o bastante para fazê-
los novamente felizes. 
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Desta vez, ela não teria medo de perdê-lo, porque agora entendia que ele não era 
propriedade sua. Ele, por sua vez, não recearia magoá-la ao desejar outras mulheres, porque 
não a estaria enganando. Ela sabia o que ele pretendia. E, no meio disso tudo, eles teriam 
um ao outro, para enfrentarem juntos o mundo, como fazem as almas irmãs. 
 
A diferença naquela nova fase na vida deles, é que cada um tinha o seu próprio 
apartamento. Ficavam juntos quando tinham vontade. No começo, pareciam os primeiros 
tempos de namoro. Giulia ficava alguns dias no apartamento de Felipe e depois voltava 
para o seu. Tão logo amenizaram a saudade que sentiam, foram entrando em uma nova 
rotina. Embora tenha ficado claro que não havia nenhum compromisso entre eles, deixaram 
voltar à tona o amor que sentiam. 
 Giulia sabia que corria o risco de vê-lo envolvido com outra mulher. Mas, estava 
decidida a agir de modo diferente. Ao invés do medo de perdê-lo, cultivava agora a alegria 
pelos momentos em que estavam juntos. Entendeu, finalmente, o que Felipe queria lhe 
ensinar quando dizia que tudo era questão do ponto de vista. Cada momento que agora era 
motivo de felicidade, tempos atrás teria sido motivo de tristeza, pela incerteza de haver uma 
próxima vez. Ela fez a sua opção. Voltou-se para o seu trabalho e ficou completamente 
indisponível para quem quer que tentasse acessar seu coração, enquanto deixava-o livre, 
para viver o que bem entendesse. 
 
 
Capítulo X 
 
Uma das conseqüências imediatas daquele reencontro, foi a retomada da parceria 
profissional. Sempre trabalharam como uma equipe. Ele tinha um perfil mais técnico e ela 
mais administrativo, de modo que um complementava o outro. De forma espontânea, ela 
começou a colaborar com o trabalho dele, dando sugestões e palpites, até que resolveram 
unir seus projetos. 
Não havia crise para eles. Enquanto ouviam reclamações de todos os lados sobre a 
falta de emprego, eles desdobravam-se para atender prazos e clientes. A Tecnologia da 
Informação, cada vez mais passava a ser encarada como um recurso estratégico pelas 
empresas.22 
O resultado disso é que emendavam um projeto no outro, sem tempo para descansar. 
Quando ainda moravam em Parati, eles tinham um ritmo de vida menos agitado. 
Selecionavam trabalhos, recusavam projetos quando sentiam que estavam correndo demais. 
Mas, ambos pareciam ter esquecido o valor de ter algumas horas no dia para o lazer. 
Entraram em um ritmo alucinante de trabalho, tão logo voltaram a morar no Rio, como que 
contagiados pela correria da grande cidade. 
Somente quando resolveram trabalhar novamente juntos é que eles se deram conta 
do quanto estavam se desgastando, assumindo compromissos demais. Ela rapidamente 
integrou-se à equipe de Felipe. Eles faziam os primeiros contatos com os clientes, 
elaboravam projetos e os passavam para que outros profissionais os executassem, sob sua 
supervisão, dividindo o lucro entre todos. A empresa de Felipe prestava serviços para 
outras, maiores. Isso vinha de encontro com o que eles esperavam dos empregos no futuro. 
Estavam mais do que convencidos de que valia a pena, sim, abrir mão de benefícios e 
 
22 “A Empresa na Velocidade do Pensamento”- Bill Gates – Editora Campus 
 46 
direitos das leis trabalhistas, neste mundo onde o emprego é cada vez mais escasso, onde os 
salários são cada vez mais baixos. Preferiram investir no conhecimento e no aprimoramento 
constante. Antenados com as mudanças pelas quais o mundo passava, em função da 
tecnologia, apostaram na autonomia de trabalho e deram-se bem. Não ficaram criticando as 
máquinas, temendo que estas tomassem, pura e simplesmente, o emprego dos homens. Ao 
invés disso, voltaram-se para áreas onde é indispensável a interferência do homem. Tinham 
consciência de que era preciso, acima de tudo, um programa de conscientização e de 
educação das pessoas, para a realidade do novo século. 
 
Cada vez mais envolvida com o trabalho, Giulia deixou um pouco de lado sua 
preocupação com Felipe. Estavam sempre juntos, trabalhando, praticando esportes, 
passeando ou viajando. Vez por outra, ele envolvia-se com alguma mulher e afastava-se 
dela. Mas, não totalmente. Ela logo percebia quando isso acontecia, porque ele esquivava-
se da companhia dela, com as desculpas mais inusitadas. Ela sabia que era momento de 
aguardar com calma, para saber se tratava-se de algo mais sério ou se não passava de mais 
uma aventura para ele. Invariavelmente, ele contava-lhe pouco tempo depois o que havia 
acontecido. Ela conhecia cada passo dele, quando cada história acabava. E sentia-se mais 
segura, porque, afinal de contas, ele continuava ao lado dela. 
Foi após uma tarde de sábado no chat que a harmonia entre eles começou a ficar 
ameaçada. A ameaça veio na forma de uma loira de 25 anos, casada, que instigava Felipe, 
dizendo-se linda. A princípio, ele achou graça da situação, imaginando que ela não devia 
ser nada daquilo que anunciava. Durante alguns dias, após ver a foto dele, ela mandou-lhe 
e-mails, insistindo para que ele lhe desse o número do seu celular. Felipe resistia, mas a 
curiosidade dele foi aumentando. Quando ele cedeu e ela começou a telefonar 
insistentemente, Giulia percebeu que alí havia uma ameaça concreta, pela própria história 
da garota. 
Aos 25 anos, Daniela era uma típica garota da zona sul do Rio. Dona de uma loja, 
estava casada há cinco anos, embora conhecesse o marido desde os quinze. Casara-se com 
ele em um momento de carência e arrependia-se por isso. Achava-se jovem demais para ter 
responsabilidades com um filho, principalmente agora, que o marido estava em crise 
financeira. Felipe não se preocupava com a história da vida dela. Dizia, até mesmo para ela, 
que só estava interessado em saber se ela era bonita ou não. Imaginava ter o controle da 
situação nas mãos, mas, àquela altura, estava envolvendo-se, sem nem mesmo