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Sedução na Net

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abaixo do tempo normal. Todos corriam para recuperar o dia 
perdido. 
 
 No saguão do aeroporto, Giulia olhou para o relógio. Eram onze e quinze. Com 
muita sorte, conseguiria chegar pontualmente à meia-noite na praia de Copacabana. Havia 
poucos táxis à disposição dos passageiros naquela noite. Ela olhou em volta e se 
desesperou. Todos os carros disponíveis estavam ocupados. 
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 - Não é possível, eu vou entrar no ano 2001 carregando um monte de malas em 
pleno aeroporto. – ela resmungou. 
 
 O Universo parece tê-la ouvido. Naquele instante, surgido do nada, Giulia avistou 
um táxi vazio. E antes que alguém passasse na sua frente, ela correu para o meio da pista e 
fez sinal para o carro. E como o motorista não parecia disposto a virar o ano trabalhando, 
logo eles estavam em Copacabana. Eram onze e trinta e cinco. 
 Não foi fácil transpor a enorme quantidade de pessoas que se dirigiam para a praia. 
Ela ainda teria que deixar a bagagem em seu apartamento. Quando finalmente chegou em 
casa, parou por alguns instantes diante da foto de Felipe, que permanecia no mesmo porta-
retrato, na sala. Logo percebeu que, se demorasse muito tempo alí, passaria o Ano Novo 
sozinha. Engoliu a tristeza, arrancou da mala uma roupa branca. Uma vertigem percorreu 
seu corpo e ela teve que sentar-se para não cair. Lembrou-se, naquele momento, dos 
exames que fizera em Nova York. Os resultados estavam na sua caixa postal, desde o dia 
anterior. Apesar da pressa, a curiosidade era maior. “Será que eu estou com alguma 
infecção? “, ela pensou. Rapidamente conectou-se à internet, enquanto se trocava. Baixou 
suas mensagens e, no meio delas, havia a do laboratório. 
 - Grávida? 
 
 Sua voz soou alta na sala. Sequer cogitara essa possibilidade. Estavam explicados 
todos os mal-estares, todo cansaço que ela vinha sentido, o apetite insaciável. “Como eu 
não percebi antes? Cinco semanas e eu não me toquei?” , ela se perguntava. 
 Rapidamente, fez as contas, tentando lembrar-se da época em que engravidou. Não 
foi difícil descobrir que o filho só poderia ser de Felipe. Vieram à sua memória detalhes 
isolados daqueles dias que Felipe passara com ela em Nova York, detalhes esquecidos 
diante da felicidade daqueles momentos. 
 As lágrimas escorriam por seu rosto, aos montes. Chorava de felicidade por aquela 
notícia e de tristeza, por não ter Felipe ao seu lado naquele momento. 
 - Meu amor, Deus deu um jeito de eu virar o século com um pedacinho de você! – 
ela pensava. 
 
 Ia desligar o computador e outra mensagem chamou a sua atenção. Era de Felipe. 
Ao abrir, ela viu uma foto deles, juntos, tirada há muito tempo. Embaixo, a mensagem: 
 “Eu lhe disse que os momentos mais lindos são aqueles em que nossos sonhos se 
tornam realidade. Hoje, nossa noite vai ser linda” 
 
 Ela custou a entender. “ Quem me disse isso foi o ...” 
 
 Olhou o relógio. Onze e cinquenta e cinco. Ela nem esperou o elevador. Desceu os 
primeiros lances de escada correndo, mas logo lembrou-se do bebê e desacelerou. Chegou 
ao lugar combinado, com o coração disparado. Procurou por Felipe no meio das pessoas, 
que formavam um imenso paredão. 
 Então, ela sentiu um perfume no ar. Percebeu uma energia muito familiar, 
enchendo-a de felicidade. Alguém a abraçou por trás, envolvendo o seu corpo, como ela 
gostava. Sentiu que aquilo já havia se repetido muitas outras vezes. Nem deu tempo para 
pensar. Quando se virou, seu olhar encontrou o olhar querido de Felipe. 
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 Ele lhe deu um beijo e a puxou para a areia. Eles correram para perto do mar, 
enquanto já ouviam a contagem regressiva para o ano novo. Cinco, quatro, três, dois, um... 
 
 
Último Capítulo 
 
Quando os fogos explodiram no céu de Copacabana, já era o ano 2001 e a alegria se 
espalhou por toda a orla. Giulia olhou para cima, maravilhada com aquele show de luzes 
cintilantes, que desenhavam figuras na clara noite de reveillon. No mar, de um navio 
estrategicamente colocado, partiam mais fogos coloridos, saudando o novo ano. O primeiro 
ano de um novo século. 
 Os fogos se intensificaram e desenhavam, agora, cascatas no céu. Por um instante, 
surpreendida pela beleza dos fogos de cor azul, ela sentiu-se bem no meio de uma 
constelação, pairando no Universo. Uma súbita paz tomou conta dela. Aqueles fogos, 
naquela cor, mais parecia uma chuva de estrelas caindo sobre a multidão reunida alí. 
 A festa de Ano Novo em Copacabana era realmente maravilhosa. Dias antes de 31 
de dezembro, o mar entrava em festa, recebendo oferendas e orações. As mais diferentes 
crenças, uma enorme variedade de culturas e religiões conviviam pacificamente na areia da 
praia. A Bíblia da senhora católica , a oferenda da velha mãe-de-santo, as velas acesas pelas 
crianças em buracos cavados na areia. Havia um ar de misticismo naqueles dias, tomando 
conta das pessoas. E elas pareciam mais solidárias, mais felizes. 
 Os turistas traziam um ar de novidade para os velhos prédios do bairro. Aquelas 
ruas conhecidas e queridas estavam agora tomadas por diferentes idiomas, tipos físicos 
variados, modas mais ainda. Que ninguém critique a alegria da camisa florida do turista, 
muito menos a excentricidade do turbante do velho senhor. Misturar a sua cultura à nossa é, 
antes de tudo, sinal de respeito. 
 E nesse clima de expectativa e esperança, as pessoas reuniam-se numa enorme 
confraternização na praia à noite. Era o quarto ano que Giulia passava o reveillon alí. Em 
outros anos, vira a festa carioca pela televisão. Mas, nada comparava-se à emoção de estar 
naquela praia, naquele momento. 
A variedade de formas desenhadas no céu parecia não ter fim. Por todos os lados 
ouviam-se estouros de garrafas de champagne. Pessoas de diferentes idiomas saudavam-se, 
entendendo-se completamente pelo olhar, pelo abraço, pela alegria. No meio da festa, 
Maurício Kubrusly transmitia aquela emoção, pela TV, para todo o país. 
Por fim, restava a tradicional cascata do hotel do Leme. Ela olhou fixamente para 
aquelas luzinhas douradas caindo do topo do edifício. Era como se fossem gotas de ouro 
abençoando a cidade e todo aquele povo em festa. 
 Sentiu o corpo de Felipe junto ao seu. Ele estava em pé, atrás dela e a envolvia em 
um abraço forte, apertado, carinhoso. 
 Chorou de emoção. Estava feliz. Nem sempre foi assim. 
 
 - Eu não podia, de novo, fazer você mudar toda a sua vida por minha causa. Você 
estava empolgada com o que estava fazendo. Não achei justo pedir para você voltar. Mas, 
também tive medo que você se envolvesse com alguém lá e quisesse ficar. Então, quando 
nos encontramos por acaso no chat, eu resolvi ficar perto de você, como o Bad Boy – ele 
lhe explicou. 
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 - E como eu não percebi que era você? Impossível você nunca ter deixado escapar 
nenhum detalhe familiar! 
 - Você estava preocupada demais com a realidade que imaginava existir para 
acreditar em um sonho. Pensava que eu estava apaixonado por alguém aqui e acabava 
nem cogitando que pudesse ser eu, do outro lado da tela, mesmo que reconhecesse algum 
indício meu. 
 
 Eles ficaram quietos por algum tempo, até que ele sussurou em seu ouvido: 
 - É preciso ter cuidado com a fantasia. Ela pode nos levar a atitudes erradas. Por 
causa de fantasia, nós nos separamos, por causa da fantasia, você quase não volta para 
mim. A fantasia nunca pode substituir a realidade. 
 
 Mais uma vez, ele tinha razão. Ela passara muito tempo triste, imaginando quem era 
a dona do coração de Felipe. 
 - Eu nunca deixei de amar você. As outras, não passam de fantasia. Virtual ou real, 
são apenas fantasia. 
 
 O século XXI chega em um momento de profunda e rápida transformação. A 
tecnologia, aliada à ciência, modifica nossas vidas e nossas perspectivas a todo instante. 
Mais do que nunca, é preciso estar atento e mudar com o mundo. É hora de adequar nossas 
idéias, nossos conceitos e nosso comportamento à nova realidade que se apresenta. 
 
 - Estamos vendo o nascimento de um novo século. Já pensou o que isso quer dizer? 
– ele olhava