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Resumo do Capítulo 4 - O discurso da pulsão

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(mais ou menos entre 2 e 4 anos), caracterizada por uma organização da libido sob a prioridade da zona anal e por um modo de relação de objeto que Freud denomina “ativo” e “passivo”. Essa fase está impregnada de valor simbólico, sobretudo ligado às fezes. Tal é o caso da significação de que se reveste a atividade de dar e receber ligada à expulsão e retenção das fezes. É na fase anal que se constitui a polaridade atividade-passividade que Freud faz corresponder à polaridade sadismo-masoquismo.
Fase Fálica – Terceira fase de organização da libido e na qual já há um predomínio dos órgãos genitais. Essa fase apresenta um objeto sexual e alguma convergência dos impulsos sexuais sobre esse objeto. O que a difere fundamentalmente da fase genital madura é que nela a criança reconhece apenas um órgão genital: o masculino. A oposição entre os sexos é caracterizada pela castração, pela distinção fálico-castrado. A importância da fase fálica está ligada ao fato de que ela assinala o ponto culminante e o declínio do complexo de Édipo pela ameaça da castração. No menino a fase fálica é determinada pelo interesse narcísico que ele tem pelo próprio pênis. Na menina essa fase se caracteriza pela descoberta da ausência do pênis, o que determina o surgimento da “inveja do pênis” e o conseqüente ressentimento para com a mãe “que não lhe deu um pênis” e que Freud diz ser compensado com o desejo de ter um filho.
As Transformações da Puberdade
Esse terceiro ensaio é dedicado à análise da sexualidade genital. É com o início da puberdade que o desenvolvimento da sexualidade começa a tomar sua forma adulta. As pulsões sexuais, até então marcadas por uma forma autoerótica de obtenção de satisfação, encontram finalmente um objeto sexual em função da combinação das pulsões parciais sob a primazia da zona genital. 
Nessa fase Freud coloca como novo objetivo sexual a descarga dos produtos sexuais, subordinando a pulsão sexual à função reprodutora. Isso não significa, segundo ele, que a obtenção do prazer tenha deixado de se constituir no objeto final da sexualidade, mas que agora ambos os objetivos se fundem.
“O objetivo de uma pulsão é sempre a satisfação”, escreve Freud. É portanto em termos de satisfação que temos de compreender a pulsão e não em termos de uma finalidade que lhe seja transcendente. O caráter prazeroso ou satisfatório de um comportamento sexual não está subordinado à reprodução.
Nos Três ensaios Freud tenta articular a perspectiva biológica e a psicológica. A característica essencial da puberdade é o crescimento manifesto dos órgãos sexuais externos, o qual é acompanhado pelo desenvolvimento dos órgãos genitais internos responsáveis pela descarga dos produtos sexuais e pela formação de um novo organismo vivo. O aparelho assim constituído é movimentado por estímulos originados de três fontes: o mundo externo, o interior do organismo e a própria vida mental.
A Teoria da Libido
O termo “libido” designa uma energia postulada por Freud como substrato da pulsão sexual. A libido em Freud é essencialmente de natureza sexual, sendo irredutível a outras formas de energia mental não especificada, apesar de poder ser “dessexualizada” no que se refere ao objetivo e é por ele concebida como a manifestação dinâmica na vida psíquica de pulsão sexual.
Enquanto a energia da pulsão sexual é a libido e seu objetivo é a satisfação, as pulsões do ego colocariam suas energias a serviço do ego, visando a autoconservação do indivíduo e opondo-se, dessa forma, as pulsões sexuais. É a partir da introdução do conceito de narcisismo que a oposição entre pulsão sexual e pulsões do ego começa a se desfazer. As pulsões sexuais, na noção de narcisismo, podiam retirar a libido investida nos objetos e fazê-la voltar sobre o próprio ego. Esse fato, que se tornou evidente a partir das investigações sobre as psicoses, foi denominado “narcisismo’ e a libido investida sobre o próprio ego foi chamada de “libido narcísica”.
“A libido é invariável e necessariamente de natureza masculina, ocorra ela em homens ou em mulheres e independentemente de ser seu objeto um homem ou uma mulher”. Freud declara que os conceitos de “masculino” e “feminino”, que parecem às pessoas comuns como sendo de natureza absolutamente inequívoca, são na verdade extremamente difíceis de determinar quando se trata de fazer ciência. Os termos “masculino” e “feminino” são usados no sentido de “atividade” e “passividade”. E, nesse caso, “uma pulsão é sempre ativa, mesmo quando tenha em mira um objeto passivo”. Portanto, afirmar que “a libido é invariável e necessariamente de natureza masculina” equivale a afirmar que a libido é invariável e necessariamente de natureza ativa.